quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

PARA ONDE O VENTO SOPRAR

Noite de luar tristonho
Luar ofuscado
Sentado à beira da estrada
Medito sobre o ontem
E o hoje que está se indo.
O amanhã não tenho como meditar
E nem nada a planejar.
Não sei se quando eu fechar meus olhos
Verei um outro amanhã.
É por isso que nada tenho a planejar
Nada planejo...

Poderia dizer que estou longe de casa,
Mas optei que minha casa
Seria a estrada
E o destino,
Pra onde o vento soprar.
Uma luz a distancia brilha,
Pode ser um outro andarilho
Que assim como eu,
Acampado a beira de uma estrada
Deve estar perdido em seus pensamentos.
Quem sabe pensando na mulher amada
Ou talvez,
Com ela esteja a conversar...

Aqui troco idéias com meu silencio
Com o silencio desta noite
Às vezes quebrado
Pelo roncar de um motor.
Ora ônibus
Ora caminhão/carreta
Ou carro pequeno de passeio...

Hoje conheci pessoas.
Uma cidadezinha pequena
Onde se misturam ricos e pobres.
Conheci um poeta,
Ele declamava de pé na praça.
Admirei-o,
Bonitos poemas,
Melancólicos, porém, bonitos.
Também me deu vontade de soltar a voz,
Mas contive-me,
Ele era o poeta do pedaço, do momento.
Pessoas passavam
E depositavam moedas em sua caixinha.
Nada a comentar,
Cada lugar tem seus costumes
E eu não declamo meus versos/poemas
Em troca de moedas
Declamo-os para que eu seja ouvido
Para que leve a meu povo,
Toda essa nojeira que conheço como governo...

A luz à distancia se apaga
Eu também vou me apagar
E se sorte eu tiver
Em um novo despertar
Meu dedo na estrada volto a colocar.
O destino:
Para onde o vento soprar!...