sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

GUERRAS

Eu nunca estive numa guerra
Um campo de batalhas
Homens matando por ideais
Eu julgo falsos ideais
Mas não posso como não devo condenar
Os ideais de quem quer que os seja.
Eu tenho os meus,
Sou pela paz
Sou pelo amor
E mesmo assim tenho meus conflitos internos.
É a minha guerra
A guerra com meus conflitos...

Eu nunca estive numa guerra,
As guerras separam famílias
Uns por apóia-la
Outros por não apoiarem.
As guerras são propagandas de armas
Elas são as fábricas de órfãos
São as fábricas de viúvas
São as fábricas de lamentos.
Desde que mundo é mundo,
Que existem as guerras
E eu pergunto: para onde nos levam as guerras?...

Eu com as minhas fico embaratinado.
O que sei sobre as guerras,
É o que leio nos jornais
Nas revistas
O que pouco a televisão noticia.
As minhas guerras são minhas,
Não as divido com ninguém.
Ninguém além de mim,
Pode conte-las,
Pode pintar a bandeira da paz,
Pode exigir rendição.
Isso, as minhas que são internas...

Agora existe um outro tipo de guerra,
Uma versão diferente que poucos dão importância.
É a que vivemos dentro de nosso país.
Não é uma guerrilha
Não é uma guerra civil
É a guerra do silencio,
O silencio da fome que assola dentro de nosso país,
Crianças morrendo de inanição
Homens e mulheres adultos
Que esmolam pelas esquinas de nossas cidades.
Pessoas que perderam suas identidades
Pessoas que a vida que levam,
Roubou-lhes o passado
Não abrindo uma perspectiva de vida
Para um novo amanhã...

O silencio da discriminação racial
Onde brancos afortunados são favorecidos e
Nossos irmãos negros irmãos índios são desfavorecidos.
Tiram-lhes o direito de caminharem na mesma calçada
Calçada que muitos que as construíram
São impedidos de nelas caminharem de igual para igual...

O silencio da violência contra a mulher,
Mulheres que colocam no mundo vidas e mais vidas,
Que são escorraçadas
Que são humilhadas
Que as obrigam obediências
Que as obriga submissão.
Nós homens principais construtores
Desses hábitos monstruosos...

O silencio contra o descaso com os idosos,
Homens e mulheres que ontem nos embalaram
E hoje por muito de nós são desprezados.
Homens e mulheres que ontem foram jovens,
Tornaram-se adultos
Nos educaram
E hoje por muitos de nós nada representam.
Esquecemos que no amanhã que virá,
Nós jovens de hoje,
Estaremos no lugar deles a se lamentar...

O silencio contra um dito que inventaram,
O terceiro e quarto sexo
Que são dois homens se amando
Que são duas mulheres se amando.
São gente como nós que nos achamos normais
E eles, aberrações.
Que conceito horrível esse qual empregamos.
As igrejas condenam,
A sociedade condena.
São pessoas como nós
Que merecem o mesmo e todo respeito...

Existem mais e mais guerras silenciosas,
Guerras que nos negamos empunhar a bandeira da paz
E fazer saber que apenas estamos nessa vida,
De passagem.
De repente deixamos de existir
E o tudo que plantamos de bom ou ruim,
É por aqui mesmo que ficará.
Nada levaremos para o outro plano de vida
Se assim existir. Não sei...

Os feitos bons com bons olhos serão lembrados,
Os feitos ruins serão nada mais nada menos
Que um ponto negro negativo perdido no limbo das histórias...


Os exemplos estão para todos verem:
Mahatma Gandhi...
Martin Luther King, Jr...
Abraão Lincoonl...
E tantos outros de mesma linhagem,
Deixaram-nos boas lembranças,
Um bom legado...

Benito Mussolini...
Adolf Hitler...
Joris Van Severen...
Philippe Pétain
Esses apenas existiram,
Nada acrescentaram de bom a humanidade
A não ser, desgraça...

Ainda há tempo
De fazermos valer
O tudo de bom que podemos proporcionar
Aos nossos semelhantes...

Acredito que essa minha guerra interna,
Vai muito mais além do que posso imaginar...