Tempo do amor
Apenas o tempo poderá dizer do que fui ou deixei de ser,
o mesmo que correu sobre as águas de um rio sem fim,
lavando-me a alma, tocando-me o corpo, trocando a face,
por outra que meus olhos já não reconhecem mais.
Ora aliado, ora inimigo meu,
quem dera pudesse ao menos lhe tocar os lábios,
sentir o beijo, calar o desespero, secar-lhe as lágrimas,
dispor do amor que tenho sem lamentar o que se foi.
Meu mundo agora seu, cala-se na tentativa de ouvi-lo,
silencia dores, alegrias, senta-se e espera apenas por um ato,
um caminho, um toque que traga o amor,
talvez o mesmo que tenho guardado em mim.
Tudo pára ás margens desse imenso rio, olha,
o vento não balança as folhas que parecem dormir,
tudo é apenas eu e você, um "nós" que permitimos existir,
amor por amor, almas entregues criando assim um novo céu.









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