hoje já não me sou, sou-te.
Estranho...
algo sempre me invade
feito ferida que arde,
e temente à dor,
perco-me...
hoje já não me sou...
sou-te...
por vezes te espero sorrindo,
e tu chegas chorando.
Por vezes te espero taciturna,
e tu chegas cantando.
Infinda, abrangente, linda.
Jamais perdes essas virtudes.
Mas eu abalo-me...
por vezes falo...
na maioiria dos instantes calo-me...
sou desse jeito.
Uma estratégia alada,
que fez-se, e no feito,
agora como barco incerto, nas amarras,
se agarra.
Uma estrutura onde já me enxergo
pois que me dou por completo.
Uma definição que jamais se veste de ortodoxia sem nexo,
pois sei-me.
Mas falta algo...
algo que mora na palma de tuas mãos...
na clareza de tua decisão...
em ser no sempre
um projeto sólido, não apenas uma visão...
em verdade, sem qualquer contorno,
ou intenção de malograr a verdade,
hoje não sou...
sou-te...
e o que mais desejo no momento
é ser forte...
é a decisão da sorte...
que ela pra mim se desloque.









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