terça-feira, 4 de Setembro de 2007

MULHER NEGRA

Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida,
de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra;
a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão,
em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida,
do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração,
como o golpe certeiro de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa,
êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que
murmura sob os dedos do vencedor
Tua voz grave de contralto
é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga,
óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes,
as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.
Delícia do espírito,
as cintilações de ouro sobre tua pele
que ondula à sombra de tua cabeleira.
Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.