sábado, 3 de novembro de 2007

SUAVE MANTA DE RETALHOS

Ela não teve manta de bebê, esta foi-me emprestada!
Não havia dinheiro para este luxo,
nasceu no peito e na raça,
e quando chegou foi no repuxo...

Mais de vinte horas de dores do parto
não a deixaram com carinha de pepino,
apareceu um rostinho redondo
e com o tempo foi se pondo.

Cada vez mais risonha, sorriso largo,
lábios românticos até demais
menina ainda ganhou lindas mantilhas
substituiram as mantas usuais.

Na escola aprendeu a fazer sextilhas,
desenhos abstratos repletos de olhos
aqueles que tudo vêem
e criou poesias com inteligentes estribilhos.

De muitos retalhos tornou-se linda mulher: sensível e abstrata, calada e virada,
ama teatro, circo e detesta palhaçada
é minha manta de retalhos mais perfeita

minha linda Cris, filha adorada...