MORALIDADE
Nem me passa pela cabeça abandonar o meu país!
A vontade bate-me à porta,
mas eu a renego, é hora morta!
Amo o sol que me banha,
a luz claríssima do dia, os regatos,
os rios majestosos,
as montanhas imponentes!
Jamais sairia, renegaria meu povo,
sofrido e acolhedor, bom e hospitaleiro,
amansadores de burros bravos...
Sertanejos de ferro,
caipiras inteligentes,
caboclos alvissareiros,
mestiços: misturas de muitas gentes!...
Meu Brasil tão cheio de esperança
hoje um adulto, um tanto complacente
com os desmandos governamentais,
violento até não poder mais,
visando o crescimento,
correndo atrás do lucro,
despertado para o consumo
mergulhado no sofrimento:
São tantas as drogas letais!
Lavouras tomando conta das matas,
O papel mais importante que o alimento!
O leite no apodrecimento
comprometendo a saúde
enregelando a confiança do cidadão
nas fiscalização das estatais...
Muitos os problemas para o sustento...
A população cresce,
a saúde fenece,
a miséria explode
em torno das capitais...
Porém, não me passa pela cabeça,
sair em definitivo do Brasil!
Sou fortaleza, guerreira,
não me abato com os imorais!









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