terça-feira, 13 de novembro de 2007

EU NEGO

Qualquer coisa que digam

que possa relacionar-me a tua pessoa,

eu nego!

Veementemente nego!

Nego que te ame,

ou mesmo que a qualquer tempo

tenha te amado como dizias.



Nego que tenha, a qualquer pretexto,

me debruçado em versos

que dissessem da minha saudade,

da ausência que costumeiramente me invade,

ou mesmo da danada da nostalgia

que o poeta sente e se ressente

por ter te amado como dizias.



Nego até que eu seja um poeta!

Um desses que costuma desencravar poemas

por conta de desencontros,

de dor de partida, de coisas mal resolvidas!

Acredite: eu nego!



Nego que acredite em feitiços,

em outono, em invernos...

Primavera então, nem pensar!

Irritam-me as flores e os pássaros

e tudo aquilo que costumam inspirar.



Nego que o ar que eu respiro

seja impregnado por tua essência,

se me lembro bem, alfazema!

E qualquer coisa que digam

é a mais pura e absurda fantasia.



Nego até que o sol insistente,

contra a minha razão e vontade,

nasça pela manhã, todos os dias...



Só uma coisa eu confirmo:

sou um mentiroso confesso,

isto eu não posso negar!