TEMPO QUE VOA...
O tempo voa...
Ah! Meu amor, amanhã não a verei assim,
deitada com o rosto em meu peito e todo
corpo sobre mim...
Estará diferente, será outro dia...
Não exatamente assim, sobre mim,
enquanto tão doce, dormia!
Da mesma forma, será outro o vento
que as suas cortinas vem beijar...
Talvez, não se repita, nos rochedos,
a cantiga ritmada das ondas do mar...
O tempo voa...
Amanhã há de esculpir novos dias!
E este, que hoje me carrega de tanta
ternura, tornar-se-á poesia?
Os dias do ontem, pueris?
Poesias guardadas em gavetas?
Escritas pelo tempo em giz,
o agora, que gostaria eterno...
Ilusão besta!
Você sobre mim,
deitada com o rosto em meu peito?
Dormindo com a batidas do meu coração...
Amanhã, este dia desfeito?
Não estarão assim as estrelas exatamente,
nem no firmamento da sua
janela a lua dormente,
tão pouco o sereno que beija
as flores perdidas...
Não examente como
hoje, tão alegres as margaridas...
Ah! Meu amor, o tempo voa
cálido e fugaz...
Jamais serão repetidos,
o seu abraço de hoje, seu beijo e sorriso...
Você sobre mim, assim,
com a cabeça em meu peito,
com o nariz em meus pêlos...
Menina mulher, amiga e amante...
Ah! Dias que voam para um amanhã,
sentirei saudade do ontem!
Não tenho certeza se virá dos capins,
o mesmo cheiro de agora.
As andorinhas em revoada,
anunciando a aurora...
Se ela estará exatamente assim,
sobre mim...
Menina de rosto corado,
em meu peito abrigada,
mulher e amante?
Ou será retirante num qualquer amanhecer?
Será pueril?
Os segredos confirmados, nós dois,
namorados, o nosso querer?
Ah! Tempo que voa e
se um de nós morrer?
Há somente uma forma do hoje,
não sentir saudade!
Ela sobre mim,
aquecendo meu peito sem vida
e eu o dela, ambos velhinhos...
Acordando para a eternidade!









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