terça-feira, 20 de novembro de 2007

SUBLIMAÇÃO

Festa... Fulge o solar... Um jovem tange a lira,

Desfere uma canção de dolorosa espera...

E Joana, a castelã, que no amor se lhe dera,

Surge, escarnece dele e por outro suspira.



Mata-se o pobre moço ante a moça insincera.

Ele sofre no Além, ela esquece, delira,

E a iludir-se e enganar, de mentira em mentira,

Um dia encontra a morte e a vida se lhe altera...



Encontrando na treva o companheiro em prova,

Aflita, a castelã quis dar-lhe vida nova

E fez-se humilde mãe, sem proteção, sem brilho...



Hoje carrega ao peito um filho cego e louco,

Arrasta-se, padece e morre, pouco a pouco,

Mas repete feliz: “Ah! Meu filho!... Meu filho!...”