POETA, FALA!
Poeta, tu te calas?
Mesmo que triste ante a vida...
Poeta, fala!
Declama as ilusões perdidas...
Há de alguém ouvir!
Talvez o amor que sempre esperaste...
Que não sejam líricos teus versos
e sim da infância que longe deixaste!
Poeta, tu te calas?
Ainda que o nó te prenda a garganta...
Poeta, fala!
Declama à noite que se agiganta...
Dói-te o peito,
com aquela dor tão conhecida?
Não te assustes, não és poeta?
Carregamo-la por toda uma vida...
Poeta, desabafa os tristes ais,
ainda que a febre te cobre providência e
te perturbe qualquer doença...
Pior tua ausência na noite que se esvai!
Poeta, tu te calas?
Ainda que mudo, verseja!
Solta de teu imaginário a poesia...
A última que seja!
Escutarão os querubins...
O cosmo todo estelar!
Os serenos que cobrem os jardins,
banhados aos raios de luar...
O amigo aqui te escuta!
A seresta que toca na velha vitrola...
A noite que ainda te espera aflita,
não viste que ainda não foi embora?
Poeta, tu te calas?
Mesmo que triste ante a vida...
Poeta, fala!
Ainda que expostas as feridas!
Afinal, tão conhecidas nossas dores!
Nossas chagas companheiras...
Qual poeta que não as têm,
dize-me,
por uma vida inteira?
Poeta, chora!
Ainda que em torta métrica...
Quem manda seres todo sentimento,
que culpa tens de nasceres poeta?
Pula os muros de tua infância...
Mergulha nos riachos perdidos!
Beija os lábios de tua menina,
pelas pracinhas dos tempos idos!
Fala, poeta,
às estrelas do firmamento!
Canta, poeta,
na voz afinada do vento...
Não te entregues!
Luta!
Que pese sobre ti toda boemia,
toda ilusão, toda poesia...
Toda culpa!
Depois que tu morreres...
Estarás esquecido em velhos livros
ou eles estarão na cabeceira da madrugada em
tua cama de cetim!
Mais nada há te restar!
Ah! Poeta, que pena!
Somos mortais nesta vida efêmera...
É o fim!









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