sábado, 10 de novembro de 2007

PEDINDO LICENÇA

Quero, hoje, pedir licença ao mundo para chorar.

Quero encontrar aquela lágrima que se petrificou no fundo de minha alma.

Lágrima que me daria a dimensão da dor e da vida.



Não mais encontro o meu eu, no tanto tempo perdido.

Não o encontro na face escancarada em gargalhadas caricaturais,

dando ao mundo a figura que ostento na covardia da sobrevivência



Quero lágrimas que tenham a coragem de lavar esta máscara,

que me faz tão mentirosa,quando me visto de princesa,

guardando os andrajos no escuro da alma vazia.



Tirem-me a máscara!

Lavem-me do lodo da ilusão.

Venha, em enxurrada, purificar-me.

Despejem a bílis que amargura uma vida,

quando as cores são falsas e as dores são camufladas.



Tirem-me da vitrina de modelos cintilantes.

Deixem-me vestir meus trajes rotos

de tanto se arrastarem pelos caminhos

O caminho perdido no inventar uma rota de crenças infundadas



Não me olhem com olhos de louros metalizados,

como jóia azinhavrada em velhos baús,

onde falsas jóias empoeiram-se por séculos.



Mundo onde patino em passos lentos,

devolva-me as minhas lágrimas.

Não as esconda de mim.

São as únicas que me restam.