o que já vivi...
O que já vivi
daria pra tornar redivivas,
as andarilhas esperanças
que ativas,
ainda continuam insubordinando-se
contra as vertentes passivas,
que insistem em deixar resquícios...
O que já vivi daria talvez
para espargir em suave aroma,
tudo aquilo que foi açambarcado,
e tomado pelo fogo
no temeroso jogo,
que transforma quereres...
que precipita procelas...
que obsta os armistícios
entre senso e corpo...
trilhas e cancelas...
O que já vivi talvez
apagasse chamas,
e amainasse vozes...
O que já vivi
trouxe-me aqui...
no epicentro do viver contínuo,
do prosseguir.
De ser não por motivo
de preencher lacunas.
Mas de ser para construir
as bases, as colunas,
de casas que antes
não se mantiveram erguidas,
em função dos instantes da vida
brincarem de revolver o mundo...
modo profundo...
Horizonte acima.
Terra abaixo.









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