domingo, 11 de novembro de 2007

ENTRE O REAL E O ABSURDO

Com a carga incerta da vida,
arrastei os pés sobre a terra
cruzando o outro lado da linha.
Fui do Oriente ao Ocidente,
dos países das neves eternas
aos lugares mais quentes,
onde moram todos os feitiços.
Tive a terra aos meus pés
mudando muitas vezes de cor,
enquanto inquieta se agitava.
Hoje, como antes, ainda sigo,
para chegar até aquela luz
levada pela força das borrascas.
Percorro com olhar de águia,
toda a força do bem e do mal
que se aninha entre o real e o absurdo.
Sob os raios da lua vejo destelhar-se
por trás da estrada e do vale à esquerda,
o pico exuberante e ilusório da vida,
e à direita, o despenhadeiro da morte.
Pendo as asas pelos meus caminhos,
tomo entre as mãos todos os detalhes
e murmuro uma prece emocionada.
Em sua memória salto no vazio
iniciando mais um vôo pelo espaço
e subo novamente como um anjo
sem saber em que preciso momento,
chegarei finalmente até você.