sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Do Vazio ao Infinito

Bilhões de anos se passaram e outros tantos estão por vir.
Todos somos ETs.
Vivemos milhares de planetas em milhares de espécies, de reinos que nem lembramos e em outros tantos reinos iremos habitar.

Não há espaço-tempo que limite a vida, pois tudo é vida, tanto a ilusão como a não-ilusão.
Dormi no mineral, sonhei no vegetal e despertei no animal humano e estou aqui presente.

Noutra vida, estava eu erguendo espadas e escudos orgulhosos em nome de Deus. Decepava as cabeças dos "infiéis" sem dó ou piedade. Em outros tempos queimei gente na fogueira e ainda em outra fui queimado vivo também.

Hoje estou aqui e este sou eu.
Ainda tenho medo,
Ainda não entendo a vida,
Substituí o sol e a lua por outras coisas,
Assusto-me com alguns trovões e relâmpagos,
Minha caverna é um sobrado e meu tacape é o computador e minha caneta.

Pulei de reino em reino, de planeta em planeta, de corpo em corpo e hoje estou aqui e não sei se estou tão diferente.

Parece-me que em todos eles eu era a mesma coisa que sou.
A diferença é que aos poucos e com muito sangue, suor e lágrimas eu descobri o caminho do coração, que poderá um dia me ascender aos páramos da espiritualidade.

Vamos vivendo em função de nossos instintos procurando o vazio e o fútil da época e aos poucos criando calos conscienciais.
Frustrado om o vazio da alma, empanzinado com as ilusões dos prazeres da carne e cansado de mim mesmo, comecei a procurar novos valores.

Nos períodos entre vidas, já inúmeras vezes resgatado dos umbrais.
O atavismo multimilenar enraizado de velhos erros, às vezes ainda ataca novamente, mas já apresento crises de lucidez e lapsos de discernimento consciencial.

Só desejo que estes homens das cavernas não façam uma guerra nuclear no quintal de sua nave.
Não melhoramos muito.
O vazio ainda mora em mim, mas já vislumbro o infinito.
Ainda sou um homem rude, mas já desejo galgar as dimensões sutis.
Ainda erro bastante, mas desejo melhorar.