domingo, 18 de novembro de 2007

Diálogo Sobre o Amor

A jovem discípula acercou-se do mestre e, ruborizando-se, pediu-lhe

que falasse do amor. O Sábio sorriu, e, desculpando-se, perguntou-lhe

o que ela considerava como sendo o amor.

Emocionando-se, a aprendiz explicou:Compreendo o amor, como

sendo a ânsia que experimentam as praias, que aguardam

os beijos sucessivos das ondas contínuas do mar.

Como a sofreguidão que tem a raiz de introduzir-se no solo,

a fim de sustentar a planta. Como a expectativa da rocha que

anela pela carícia do vento, embora se desgaste com isso.

Como o desejo descomedido da terra crestada, pela generosidade da chuva.

Como a flauta aguarda pelo sopro que lhe arranca das entranhas

a doce melodia. Como o barro esquecido pede ao oleiro que

lhe dê forma e beleza. Como a semente que necessita

despedaçar-se, para libertar a vida. Como a lâmpada apagada

que exige a energia para brilhar.

O amor é o sangue novo para o coração e o vinho bom para

aquecer a criatura, quando o frio lhe enregela a vida.

Assim vejo e sinto o amor. - E vós, como vedes o amor?,

perguntou a discípula ao mestre. O amor é o doce e compreensivo

companheiro da criatura em todos os dias da sua vida.

Quando se é jovem, o amor se apresenta, ardente e apaixonado,

como no teu caso. Mas evolui com o passar do tempo.

O amor é calmo e ameno. Não incendeia paixões; dulcifica-as.

Confundido com o desejo, permanece, quando este passa.

Nunca se irrita; porque espera. Considerado como instinto,

persiste, quando descoberto pela razão. Jamais perturba;

pois que felicita e produz harmonia.

O amor é claridade que permanece; é pão que nutre;

é vida que se irradia da vida. Mesmo quando não identificado,

encontra-se presente, porque, sem ele, a vida não existe ou

perderia o sentido de ser.

A jovem ardente empalideceu e, submissa à voz do amor,

pediu ao mestre:Ensina-me a amar. Eu agora corro em

busca do amor, sem dar-me conta que, em mim, ele se

deve irradiar, abrangente, em todas as direções.

Não te apresses no amor, e descobrirás que já começaste a amar,

quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares

receber nada em retribuição.