sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sem véus

Estava só, não sei ao certo se ao norte ou sul,

ilha de mim mesma, ego suplantado,

entre sombras de um presente desgastado,

buscava por um céu que fosse de intenso azul.





Entre sorrisos e lágrimas, muito do que sou recriada,

revi-me em passados repassando em pó,

a criança aprisionada em seu próprio nó,

em um mundo de faz-de-conta sem história contada.





Mergulhei em muitos mares, paradoxo de mim,

defini o caminho sem que acordasse do meu sonho

e reescrevi o futuro pela melodia que componho,

abrigando em desterro o canto que encanta meu fim.





Estendi minhas mãos tateando o que seria um futuro talvez,

abri as cortinas de um tempo que não mostrava o fim,

senti a força do sol beijando a boca que se abriu em sim

concedendo à vida o direito de recomeçar outra vez.





Então entendi, entre sorrisos e lágrimas faz-se a vida,

alma já livre de correntes antigas desenha novo céu

mostrando o amanhecer de um sol sem véu,

onde possa ser o amor que chega anulando a partida.