sábado, 9 de fevereiro de 2008

MISERICÓRDIA

Não aguardes a queda espetacular do próximo, nos despenhadeiros do crime ou do sofrimento, para exercer o dom da misericórdia que o Senhor cultivou em nossa fé.

Mais vale o amparo previdente na preservação do equilíbrio, que o remédio de efeito problemático no reajuste.

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Não desperdices teus minutos, na expectação inoperante, exclamando à frente dos problemas difíceis:

— Amanhã farei alguma coisa.

— Depois, tentarei realizar.

— Um dia chegará...

— Quando a oportunidade surgir...

Ataca, hoje mesmo, o serviço da fraternidade, para que a compaixão não seja em teu espírito um ornamento inútil.

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Sê misericordioso para com os que te cercam.

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Inicia a obra da benemerência, em tua própria casa, distribuindo algumas palavras de incentivo com quem te comunga o cálice de luta.

Ajuda aos mentores de teu caminho com algum sorriso de compreensão, restaura a coragem na alma da esposa, restabelece o bom ânimo do companheiro, auxilia os irmãos, usando a chave milagrosa do carinho, e não te esqueças do apoio que os corações juvenis reclamam de tua boa vontade e de tua experiência que o Cristo enriqueceu.

Há mil meios de praticar a misericórdia a cada dia.

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Não olvides o silêncio para a calúnia, a bondade para com todos, a gentileza incessante, a frase amiga que reconforta, a roupa que se fez inútil para o corpo, suscetível de ser aproveitada pelo irmão mais necessitado, o pão dividido, a prece em comum, a conversação edificante, o gesto espontâneo de solidariedade...

Ninguém é tão pobre que não possa dar alguma coisa aos semelhantes, e aquele que se compadece e ajuda cede ao próximo algo de si mesmo.

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Não te detenhas, portanto.

Não admitas que a incerteza ou o temor de imobilizem o passo.

Vale-te das horas e auxilia sempre, sem ostentação de virtude, sem reclamação, sem alarde, e a vida entesourará as tuas migalhas de amor, delas formando a tua riqueza imperecível na bem-aventurança espiritual.