segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

mentiras e mordaças...

Que bom seria poder sonhar
num jardim,
entre cravos e jasmins...
que bom seria poder descansar
corpo e alma num remanso de afins...

Que bom seria poder fechar os olhos,
a toda mentira inteira,
que rastejante, biltre e matreira,
incrustra-se nos domínios da verdde.
Seria realmente uma felicidade!

Que bom seria pregar sobre o que poderia nunca ter havido...
que bom seria, se nada fosse secreto, escondido.
Que bom seria se o mundo fosse somente poesia,
e se os dias, envoltos fossem, numa redoma cristalina, eterna anistia...

Que bom seria se os ânimos,
fossem ditos abertos,
jamais pensamentos, que se plasmam secretos,
na surdina, rociando encrudelecidos,
os caminhos das minorias...

Escritos, têm a possibilidade de se tornar infinitos,
mas a hipocrisia,
viaja a toda, pelos cantos, trilhas, sinas, esquinas e becos.
Escrever rima e verso, modo absterso,
tornar-se-ia da intenção, objeivo ingente...
e na poesia, o explicitar de nosso todo,
não sugere somente descrever nossos mais bem vividos atos...
o poeta sugere-se, insere-se, modo inciso na realidade dos fatos.

Portanto,
poesia é encanto,
porém é também chama do que aflige, do que fere,do que atinge,
do que se faz desigual...
falar de algo que existe
-modo carnal-,
e é posto forma crescente,
- modo animal -
arrefecendo a verdade e dando alma à mentiras.

Viver na fé efêmera,
do que supostamente não existe,
porque se alastra oculto,
no mínimo é querer dar vida a vultos.
No mínimo é concordar com o que está se vivendo,
- modo resoluto -
e concordar que a igualdade interage,
quando na realidade,
as minorias são maceradas, massacradas.
Sonhar, é preciso.
Porém lutar,
é mais que o que reluz, se faz ativo.

Poetar, é pedir paz, pintar o que se faz, mergulhar em plenitude.
Poetar, é não se se deixar cimbrar, jamais!
É sempre ter, principalmente pelas minorias, gana e atitude.

Que me desculpem os que somente sonham...
que me perdoem os que já se acostumaram com o açoite.
Que me perdoem aqueles, que por serem bons, tentam esconder as farsas.
Que me perdoem aqueles que sugerem-nos poéticamente,
fecharmos os olhos ao que se passa, usarmos mordaças.