ESPIRAIS
Como se afasta o navio, como se afasta!...
e decrescendo vai... e enfim, se perde.
Somente deixa fumaça em espirais,
ao deslizar por entre as ondas verdes.
Os que se amam já se despediram:
por longo tempo seus olhos se olharam
e enquanto as maõs trêmulas se uniam,
em silêncio, suas almas se beijavam.
No momento decisivo da partida,
não houve promessa nem algum agravo,
pois nos grandes instantes desta vida,
falam melhor os olhos que os lábios.
No porto, triste, ela ficou olhando
confusas formas daquelas espirais.
Ele não a via mas seguia acenando
um lenço branco... e ela não via mais.
Com o pensamento longe e aturdida,
tal qual acento de profunda queixa,
ela clamou baixinho entristecida:
eu sei que desta vez ele me deixa!
Assim se vai também a nossa vida,
assim se vão as horas de ventura,
deixando apenas na fugaz passagem,
recordações como espiral escura.









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