domingo, 11 de maio de 2008

CORAÇÃO DE MÃES

Dizem que quando a Terra foi criada,
Fazendo-se possuída
Pelos filhos da vida
Que vinham de outros mundos,
Tudo na estrada humana,
Cortando a imensidão dos campos infecundos,
Era a dominação do ódio que se aferra
À dissenção, à morte, ao desespero e à guerra...
Foi quando um mensageiro
Do Céu às criaturas
Regressou às Alturas
E disse humildemente ao Grande Deus:
- Senhor!

O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce,
Tudo na Terra é luta em conquista da posse.
Comparece-te, oh Pai!... veneno, flecha e clava
Formam no mundo inteiro a Humanidade escrava
Da descrença, do mal, da impiedade e do crime.
Sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se agüenta ouvir os urros do mais forte
E o choro dos vencidos,
Pisados, massacrados e caídos
Nos sarcasmos da morte.
Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta,
Em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?

Revelou-se que o Pai de Infinita Bondade
Pensou, por muito tempo, e disse, comovido:
- Aceito, filho meu, quanto me falas,
Entendo-te o pedido!...

Volta ao mundo a servir na tarefa em qeu avanças;
Os que morrem no mal renascerão crianças.
A Terra evoluirá - ponderou o Senhor -
Ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça,
Instalarei no mundo a força da Justiça.
E para que haja amor exterminando o orgulho,
Sem pancada, sem grito, sem barulho,

Enviarei alguém,
Que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,
Na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, servir e sofrer,
Cultivando o perdão como simples dever.
Dizem que foi assim
Que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens.
E conforme o Senhor mandou e prometeu,
Entre as rudes mulheres dos selvagens,
O Coração de Mãe apareceu.