Manifesto
Alcançar-te; consolo que um dia dei
em moedas e papéis contra a fome,
se jejuando eis a boca que come
toda a agoniação das falas que eu sei.
O desespero rasga o meu gesto
soterrando mais outra tarde crua
no barro que devora enquanto atua
na vaga negada ao manifesto.
Cravo a unha na lágrima, meu ungido
pensando na fonte da esperança,
lavando os pés doídos pela andança,
curando a sede do tiro no ouvido.
Aplacar-te; agonia aqui rasgada,
se no peito um papel indormido
resenha o gatilho e o frio estampido
na fonte aqui chorando esgotada.









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