sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Manifesto

Alcançar-te; consolo que um dia dei

em moedas e papéis contra a fome,

se jejuando eis a boca que come

toda a agoniação das falas que eu sei.





O desespero rasga o meu gesto

soterrando mais outra tarde crua

no barro que devora enquanto atua

na vaga negada ao manifesto.





Cravo a unha na lágrima, meu ungido

pensando na fonte da esperança,

lavando os pés doídos pela andança,

curando a sede do tiro no ouvido.





Aplacar-te; agonia aqui rasgada,

se no peito um papel indormido

resenha o gatilho e o frio estampido

na fonte aqui chorando esgotada.