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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Manifesto

Alcançar-te; consolo que um dia dei

em moedas e papéis contra a fome,

se jejuando eis a boca que come

toda a agoniação das falas que eu sei.





O desespero rasga o meu gesto

soterrando mais outra tarde crua

no barro que devora enquanto atua

na vaga negada ao manifesto.





Cravo a unha na lágrima, meu ungido

pensando na fonte da esperança,

lavando os pés doídos pela andança,

curando a sede do tiro no ouvido.





Aplacar-te; agonia aqui rasgada,

se no peito um papel indormido

resenha o gatilho e o frio estampido

na fonte aqui chorando esgotada.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Om Mani Padme Hum

Cruz do não saber, acarinha este meu quase dom,

dá-me um horizonte iluminando tão vasto poente,

deixando um rastro de milagres para estas gentes

numa fé qualquer, talvez... Om Mani Padme Hum.





Vejo a miséria em tantos olhares, chora o bom!

Nas ruas e nas vielas, cai o velho em abandono,

enquanto a criança espancada pede ao seu dono

um pouco de amor. Vem! Om Mani Padme Hum.





Um pão não vinga a fome nesta fila de exclusão,

faça então, Senhor, pela tuas mão o gesto opimo,

sanando as desventuras, minhas e do meu próximo

em um mantra de vida. Oh! Om Mani Padme Hum.





Repiquem o ouro do sino diante da glória do tom,

hão de rirem para as colheitas, os muitos devotos,

quando as chuvas trouxerem as bênçãos dos lótus,

a qualquer ser sem luz. Ó, Om Mani Padme Hum!

domingo, 27 de janeiro de 2008

O ano que eu esqueci...

Negra noite do açoite que em mim ora rilha;

inda sou um criança olhando a estrela velha

que de tão sábia, distancia-se desta ego-ilha,

enquanto o escuro golpeia o fecho da janela.





Brilha, brilha vaga-lume, há pingente, a parede,

vaga o lume nas andanças da minha ilha amarela

tão perdida no açoite bebe a noite e a negra sede

fecha os olhos da estrela praquela criança velha.





A janela articula o óxido nesta perdida ilha,

o rangido enferrujado da parede sábia e velha

distancia-se daquele vaga-lume orando na fila

de estrelas e pingentes, emparedados na capela.





Noite, noite bela, vagam os lumens no meu cais,

inda sou uma criança naufragando na caravela,

olhando o fecho da janela que já não abre mais,

açoitando as mãos na corda duma golpeada cela.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Santa Claus

O espírito da chuva goteja,

inundando de brilhos o Natal

e sorrindo, uma criança corteja

o vermelho vivo de Santa Claus.





Viva! Há esperança no avermelhar

dos adornos que oram o tinteiro,

entintando Dezembro ao santiguar

o prisma de luz junto ao pinheiro.





É meia-noite e os sonhos olham o céu

desbravando as nuvens e a escuridão,

saudando as estrelas vêem Papai Noel

nos milagres sorridos da oração...





... O espírito caminha nas ruas cheias

adornando Dezembro de brilhos,

chovendo do céu a milagrosa ceia

entintando os sonhos dos seus filhos...

domingo, 14 de outubro de 2007

Mescla de amores

Mescla de amor que agora se abraça,

insculpindo a alma em carvalho,

lívida prata em gota de orvalho;

Avatar concedendo a terna graça.



Miragens despidas! Outrora, quimeras

incorporavam aos olhos, turvas águas.

Límpido, hoje o sonho deságua

aclarando a tímida primavera...



avivando essa chama apaixonada,

libertando amores, e tão somente,

entregando a comunhão à anunciada.



Afora o outono valente a espera,

lavrando essa pétala desde sempre.

E enfim, o frio que existia, se encerra!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Textura

Prenúncio despindo tão doce aroma,

amores consumados nas texturas

das peles gementes qual a tontura,

bailando ante a loucura que me toma.





Um pouco mais; goteja todo enredo

contido na essência da espera lenta,

seiva e frasco rompendo nas sedentas

bocas, embriagando o amante que eu bebo.





Beijar a sedução que aflora e espreita,

aquele esgar transpirando a implorada

pelve tão dançante quanto dopada

pelo teu negro olhar quando me deita.





Um sóbrio instante no antes que sufoca

a calmaria em agonias e distorções,

derramando o corpo à nota de tua mão,

solando o prazer enquanto me toca.

sábado, 22 de setembro de 2007

Serenata de um plebeu

O sulco do semblante retesa o medo

arando a cantiga na face do plebeu,

solando o quase riso, estica o quase-deu

na corda suplicante ponteada cedo.





A sedenta voz duma estrofe inacabada

no rosto e na enxada, suor do quase ledo,

gotejando a serenata do lêvedo,

fermentando o madrigal tocado ao nada.





Entoa às colheitas a musica da escória,

dedilha a terra acarinhando toda areia

mais o coral de andrajos heróis gritando: eia;

à penúria da seresta tão irrisória!





E choram as notas no plantio da esmola

banhando a tocata do humilde plebeu,

fumando o cigarro de palha, graças a deus...

e o solo do solo cessa o pranto e a viola!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

ÓPIO RETICENTE

A janela abre a marca da solidão que me acompanha

e não há mistérios nem dragões guerreando nos luares,

nem mais infância remendando belos sonhos nos teares,

restando somente o bronze da fuligem que me banha.







Aberta à neblina entorpecida, este ópio reticente

vai banhando a lembrança duma doutrina sem espera,

profetizando amanhãs igual ao ontem se ora revela

a estátua empoeirada rindo à ceguidade que me vence.







E na vidraça reflete um sol vermelhecendo a lanha,

escarnecendo do tear infante enquanto a agulha insulta

a costura da imagem no espelho retalhado em culpa,

desfilando para a janela a derrota que me ganha.







A janela fecha o trecho e a sina desfiada emaranha

descortinando a vida em farrapos chorando no varal,

a desbotada gota escoando o que restou do festival

e da fantasia destruída na lembrança que me arranha.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Vernissage

Canta a voz da espera insensata e sem rosto

trançando o dedo impotente, geme a louca

assassinando o amor no ciúmes da boca,

vai tocando o hino e anunciando o desgosto.





Evoca o brilho e a luz no pingente de contas

e no prisma baila tanto sonho esquecido,

dançando no cenário enfim adormecido

paga à claridade antes que ela se rompa.





Coleia em silêncio omisso a mancha insegura

limpando o andor com as lágrimas salgadas,

lavanda à alma e ao gesso da face pintada,

descascando o verniz da esfumatadura.





Segue à estátua sem trincas gritando o te-deum,

afaga a passagem... floreiras de agruras

desbotam e daquela menina obscura

escoa a seiva à vernizagem que ela inverteu...

domingo, 2 de setembro de 2007

Ciclos

Finda esta tarde no aceno que me acaricia,

e os redemoinhos fazem a inocência girar

nos grãos de poeiras vidrados diante deste olhar

ferido, na espera do ciclo que se inicia.





Convença-me, ó rito, que foi embora mais um sol;

e eu fico... se eu fico olhando às antigas letras

entrando nesta noite vestida de preta

valsando nos mares ao vermelhecido arrebol.





Vença-me, ó mito, adentra por esta cancela

trazendo o gargalhar aos loucos e aflitos,

musicando o indício ao tom doutro virgem ciclo,

derrotando a hora e a cor e a flor de aquarela!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ilusionista de anilina

Eu queria desenhar-te numa estranha chuva de grãos;
ó terra azul, replantar a aridez que te consome
e despertar com o aroma das areias brotando o pão
nos campos alimentando aquele que nada come.


O sol com os cabelos ondulantes como o trigo
feito rendas na distância da alfombra do cerrado,
rompendo a estação no cio das águas em que mitigo
a sede de igualdade sorvendo um pôr alaranjado.


Semear à solidão da argila o testemunho da raiz,
os amores ao solo verdecendo o descorado,
caminhar nas ramas embriagadas de toda anis
e no paraíso colher a vida de teu Eldorado.


Mas não sou deus e cultivo o desenho dos pequenos;
ó terra não mais azul, se morrendo estão as violetas
nos veios contaminados de mercúrio e de veneno...
definha a tinta na serra desseivando o planeta.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Gratia argumentandi

Agônico choro de mãe, o que dizer deste verdor
de pedras e das egérias corrompidas? Esquece...
Quisera fosse guerra e não o amor que agora padece
no suplício da prata rendida à luz do desamor.


Sangrador útero, seca a vermelhidão e adestra a dor
e mais a lágrima que grassa no rosto indefeso
e desce escondida, quão oculto fora o vulto ileso
ruindo o chão pobre onde pisou a feiticeira e o desertor.


Adormece num pranto grisalho a mãe soluçante,
acorda a velha avó sem lembrar nenhuma cantiga
que outrora entoou no berço das princesas esquecidas
do toque das mãos e do olhar de amor em teu semblante.


Padece agônica a grisalha e em mim sangra a revolta;
ri a prostituta de prata, vidente em picadeiro,
acorda ó dizeres grosseiros, teu amor é o dinheiro,
trapézio e mentiras de um circo que foi...e à lona volta!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Mártir inexistente

Súplice instante desta hora que se trai
rompendo o elo da conquista em tocaia amante,
ocultando os desígnios do semblante
no flerte despiedoso, ó mártir que se vai.


Um grito exonerado ecoa reticente...
qual um ópio em oferenda ao narcótico,
se bebendo do espinho o gosto exótico,
padece a outra voz rogando à inexistente.


Tangível resto embriagado em secreção
dormente, talvez, gotas rindo em silêncio
sorvendo o éter inebriante atrás do lenço,
amortecendo a boca alegre em contração.


Súplice grito do semblante inexistente,
tocaia em que se trai a gota âmbar desta taça
rompendo o grito aos desígnios da mordaça
e do amante espinho...ó mártir reticente!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Portal

Vales que ora me apontam os verdejantes anchos,
quisera eu, despossuir-me ao passageiro das brumas,
ou quem sabe, andar pelas colinas que desmancho
aspergindo ao mensageiro o bálsamo das runas.


Saio em convulsão beijando a marmórea e fria coluna,
enfeitiçada qual branco estar, vôo quase imortal
por estas madrugadas onde exilo aquela uma
bem distante das entranhas deste único portal.


Planícies das fugas nos cimos onde divago,
distância estranha se sorvo deste elixir laxo,
libertárias brumas das névoas brancas que trago
do exílio onde me perco e vôo na branquidão e me acho.


Caio então, em exaustão, embebida neste ladrilho,
invoco o mensageiro ilusório que não sente
o toque e um aroma do vagar onde o estribilho
aos vales de ninguém ecoa a música de sempre.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Memorial ao riso esquecido

Caminha indene rasgando os risos de papel,
e secando o líquido, sopra o falto nanquim,
restos soltos ante o grafite do manequim,
pó untando o memorial à secura do pincel.


Afagar as asas e a face do frio marfim
esfarelando o giz no sorriso esquecido
de um anjo descorando o rastro umedecido,
apagando a cor de mim, burlando o próprio fim.


Indene, o cinza marfim rasura o próprio céu,
untando a máscara, caminha desde o início
rasgando os risos de papel num precipício
grafitando a face esquecida do mausoléu.


Memorial ao riso incontido espalhando a mó
às poeiras dos papéis no jazigo da estante,
se agora, o branco segue quão branco como antes,
o manequim quebra o giz e, in memoriam, vai só.

domingo, 29 de julho de 2007

A CASA DO MAR

A casa do mar já não chora a vazão

do azul no jardim secreto; um castelo

sem concreto, mosaico onde revelo

vertentes no reflexo em consagração.



Bracejar em tuas ondas ou naufragar

no choro do mar se dando à fina areia,

bebendo o cais que no fim de mim prateia

o delta alimentando o ápice quasar.



Oh cadente do céu; traindo a cizânia

no rastro que me ama, à noite,

dá-me o sol;vôo a ti farol, luzeiro da vesânia.





Oh pingente de lua sorrindo ao crisol,

beija o amor e bebe a gota da insânia

iriando o castelo e coroando o rei atol.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Desabafo

Sonha de olhos cerrados amores sedados e em delírio,
pois que a flor que dizes fechada é teu absinto proibido.
Ante a clausura que te olha e me adota em flor de lírio,
em desabafo eu confesso: _Não me tome como teu olvido!



Rebusca tantas bocas e quantos beijos já esquecidos,
quimeras de segundos que falece noutros gozos estros.
Se a noite despe-me ou se não uso orgasmos desvalidos,
é que a insônia não se acasala com a traição do gesto.



Ah! Que sol é esse se faz da primavera ouro de um dia,
aludindo essa lua qual efígie ponteada num compêndio,
adejando uma mulher apenas covil, escassa vil alforria,
desacato então eu, não faço do meu corpo palco dispêndio!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A casa do mar

A casa do mar já não chora a vazão
do azul no jardim secreto; um castelo
sem concreto, mosaico onde revelo
vertentes no reflexo em consagração.


Bracejar em tuas ondas ou naufragar
no choro do mar se dando à fina areia,
bebendo o cais que no fim de mim prateia
o delta alimentando o ápice quasar.


Oh cadente do céu; traindo a cizânia
no rastro que me ama, à noite, dá-me o sol;
vôo a ti farol, luzeiro da vesânia.


Oh pingente de lua sorrindo ao crisol,
beija o amor e bebe a gota da insânia
iriando o castelo e coroando o rei atol.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A casa do mar

A casa do mar já não chora a vazão
do azul no jardim secreto; um castelo
sem concreto, mosaico onde revelo
vertentes no reflexo em consagração.


Bracejar em tuas ondas ou naufragar
no choro do mar se dando à fina areia,
bebendo o cais que no fim de mim prateia
o delta alimentando o ápice quasar.


Oh cadente do céu; traindo a cizânia
no rastro que me ama, à noite, dá-me o sol;
vôo a ti farol, luzeiro da vesânia.


Oh pingente de lua sorrindo ao crisol,
beija o amor e bebe a gota da insânia
iriando o castelo e coroando o rei atol.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Em meu nome

Envilecido cárcere desta herança somada aos erros;
a cera do sinete infiltrando no desgaste da redoma,
enquanto o engaste se arrebenta e dessedenta a voz do axioma
na colagem de elos enfraquecidos dos humilhados zeros.



Seguem tantos medos disfarçados corroendo às minhas entranhas;
expulsando a ferro uma crueldade de navalha que me doma,
e em meu nome retalho tal silêncio em tributo ao mesmo coma,
rebelando o giz conflito da outrora estranha; nascendo à sanha.



São os anos indo embora, envelhecendo a lia marca que não some,
machucando o horizonte tão aleatório num céu que me falha...
e só me resta um ocaso manchado ferindo a ré muralha
que se cala; e do sótão em meu peito sai o eco surrando o meu nome.