O palhaço e a princesa
Enquanto a platéia aplaudia, o último ato da peça do amor que nascia,
sorrateiro,
devagar, do palco eu saia.
No camarim do teatro, aquela maquiagem eu limpei...
A face marcada ainda estava,
pelos beijos que ganhei.
Com a face já limpa a rua adentrei,
buscando outro ato,
ou talvez outro amor que outrora desprezei.
Silencioso eu entrei no palco da dor,
onde ia representar outra peça de amor.
Dessa vez sem maquiagem,
levado apenas pela coragem
de um novo ato representar...
Com minha face morena,
representei nova cena,
de um ato de amar.
Foi quando percebi,
que estavas na platéia,
sem coroa de princesa,
que como palhaço te dei...
Agora eras apenas a plebéia,
que no meu ato real eu amei.
Sem me reconhecer,
de mim te aproximaste,
com olhos brilhando de amor,
o olhar em mim tu pousaste.
Minha vontade era te beijar...
Sufoquei em meu peito,
a louca vontade de te amar.
Meu rosto virei num gesto escondido,
para que não percebesse,
o amor que por ti eu havia retido.
Esperei que do camarim tu saísses,
para não demonstrar minha vontade de te amar, e ainda, olhando para mim
te puseste a chorar.
Retive meu pranto,
e para ter certeza olhei para ti,
no teu rosto ainda vi,
minha amada princesa, que ainda estava ali.









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