domingo, 24 de agosto de 2008

LUAS, PEDRAS E OCEANOS

Eu ciclo, como as fases dessa lua,

E sangro, como o peito do poeta.

No sonho que sonhei, pra sempre tua,

Fui noite, fui estrela, fui a pedra.

Nos mares dos teus olhos de oceano,

Profundos, anciãos, aterradores,

Meus olhos fugidios, sem engano,

encalham na paixão dos teus humores.

Meu peito abarca os golpes dos punhais

E canta as tuas rochas e os teus troncos,

Emaranhados versos, qual serpentes.


Meu colo é desenhado por teus ais,

Arqueja por teu toque, aos solavancos,

E ainda guarda as marcas dos teus dentes.