quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fome de Dignidade

De que me adianta meus olhos se fecharem à realidade

sair pelos campos a ver somente flores.

Sentir-me bem comigo mesmo,

ter minha cama limpa, macia a espera de meu corpo,

estar bem alimentado, às vezes até em demasia...



De que me adianta fazer de conta que minhas crianças estão a sorrir,

a brincar, viver livremente entre campos

e plumas de beleza e encanto.



De que me adianta, enfim...Sentar-me,

aceitar a tudo que meus olhos teimam fazer de conta não existir,

mas existe...



Quanto poderia ser feito pelos templos que ostentam riquezas?

Seria esta o tipo de demonstração de fé esperada por nosso Pai?

Quanto compramos a mais, quanto desperdiço?

Quantas vezes paramos

e damos as costas aos problemas de outras nações,

como se nunca fossem nos tocar?

Crianças jogadas do alto do edifício pelo próprio pai...

Outras, morrendo ao léu, por fome...

A ave de rapina apenas a esperar o derradeiro instante

Seria o derradeiro instante do amor...?



Seria o derradeiro instante de cada um de nós?

Ou, seria um chamado para a maior de todas as guerras?

Lutar contra a fome, a fome de alimentos, a fome de justiça,

a fome de dignidade, a fome de vergonha,

a fome de lares destruídos, a fome da decência.

Dar as costas, achar que nada poderá ser feito, seria cômodo...



Entrelacemos as mãos! Cuidemos de nossos lares

sem esquecer que tudo que jogamos fora, por excesso;

poderá servir ao lar de nosso vizinho.

Não importa se este vizinho é negro, branco, amarelo,

homem, mulher, homossexual, nada importa...

Importa somente. Que olhemos como nosso irmão, apenas isto!

Respeitando a individualidade de cada um e, sem humilhação,

ajudando, estendendo a mão, abrindo o coração, ofertando o pão...



A humanidade, passa, talvez, pela fome moral...

Devido a ganância dos grandes senhores,

governantes escolhidos pelos votos, outros; impostos por minoria.

Esta fome violenta que arranca do homem a dignidade do trabalho

e com este labor o sustento de sua própria família...



Ah! Esta dor que domina a minha alma a deparar-me com tal cena!...

A lágrima que roça minha face?

Profunda. Chegando as profundezas de minhas entranhas!

Quando acho que já teria feito muito,

Vejo que ainda existe muito a ser feito

Quando penso em descansar,

Vejo que tenho que levantar-me

lutar pelos pequenos vigiados pelos urubus,

Fazer minha parte...Lançar meu exemplo a meu próximo

e esperar que cada qual faça o mesmo

E, assim alcançarmos a vitória sobre a fome

que coroe a dignidade da vida!



Se me satisfaço com um pão...Mas tenho moedas para seis...

Reservo agora, os outros cinco a meus irmãos...

Afinal, para aonde um dia vou,

me apresentar a meu Pai, nada levo...

Sem ser minha história...