quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ser Teu Anjo

Ser teu anjo voltar ao tempo da inocência
Reciclar meus sonhos sonhar bonito
Esquecer o que eu vivi depois da infância

E com saudade a ela retornar...

Sei a quem amar novamente de maneira absoluta
Não me esquivarei do teu olhar
Darei a entender que te quero para par!

Expor-me-hei a ti para que não tateies

Na escuridão me procurando
Minha alma fluirá e derramará minha

Essência em teu suave coração
Para que a entendas e a ames
Se assim o desejar!

Vem...
Quero que me conheças inteiramente
Livre das máscaras que ocultam minhas verdades

E maldades pertinente a qualquer criança
Quero que conheças minhas mágoas

Tédio frustrações medos

Desilusões desesperanças!

Depois de fazer-te ver minha triste realidade

Voltarei a ser a menina feliz sapeca pés descalços

Despenteada mas perfumada como as manhãs de primavera!

Tentarei subir cair subir novamente e depois descer

Escorregando agarrada aos troncos das árvores

Plantadas por meu avô
Saudosas e frondosas mangueiras

Pessegueiros abacateiros laranjeiras

Pés de amoras pretas!

Descerei feliz das amoreiras às gargalhadas

Lambuzada do rosto aos pés

Sempre atrás dos meus dois irmãos mais velhos!

Entrarei no tanque enorme cimento bruto

Contornado por pessegueiros floridos
E meus irmãos sempre me vigiando
Acompanhados pelo sorriso

E o doce olhar de minha mãe!

Feliz em meu silêncio a ouvir o canto dos sabiás
E dos bem-te-vis
Sentirei novamente o perfume de todas as flores do jardim!

Tornarei a brincar de ser anjo

Atravessarei por entre a fumaça desprendida do mato

E das folhas secas queimadas

Como se fossem nuvens onde eu imaginava

Ser a morada dos anjos!


Lembrarei das poesias que eu declama

Nas festinhas da igreja e da escola!


Ah não deixarei esta lágrima rolar
Mas lembrarei eternamente
Da viagem sem volta do meu irmão mais velho!


Sei que o plano onde ele hoje habita
Será nosso ponto de reencontro

Neste instante em pensamento
Juntar-me-hei literalmente a ele e ao meu outro irmão

Para reviver e sentir a alegria dos folguedos

De nosso ontem!


Eu era a caçulinha,o brinquedinho preferido

Em suas mãos por isso eu sempre levava a pior!

Tentarei mais uma vez voltar a andar

E mais que andar não cair dos patins enormes

Dos meus irmãos!

Enfrentarei a altura das pernas de pau de madeira bruta

Tentarei equilibrar-me e quem sabe delas não cair
Aventura que nunca consegui!

Empinarei pipa jogarei botão colecionarei figurinhas
De jogadores de futebol
Jogarei bola novamente e tornarei a ser como sempre
O João Bobo da história!

Eu chorava e eles riam da tola brincadeira
Na qual nunca me deixaram agarrar uma bola
Hoje sinto saudade até do choro que me faziam chorar!

Esta serei eu ao pé da letra
A menina que nunca deveria ter mudado
Se alguém me quiser assim
Pode vir a meu encontro
Estarei à espera de todos

No campo dos meus sonhos...!