sábado, 6 de setembro de 2008

EM CADA CABEÇA UM NÚMERO DE CHAPEU.

Não é novidade recebermos em nossa caixa de e-mails determinadas mensagens que, certamente, não deixam de ser um cisco em nossos olhos, e um entulho lodoado em nosso ego, ao lermos determinados artigos, crônicas ou simplesmente mensagens desaforadas ou queixosas, como se obrigados fossemos abrigar em nosso coração tais disparates. Particularmente tenho visto, lido e assistido, determinados assuntos pessoais, que são postados em grupos que se destinam exclusivamente a poesias, temas poéticos e afins, como se tais assuntos fossem as mais belas poesias, as mais dignificadas crônicas, os mais belos contos, ou as mais lindas reflexões.



Existem pessoas, infelizmente, que se alvoroçam a net determinadas a conhecer alguém, e daí partir para uma aventura virtual, descambando para o real.



Essas pessoas esquecem-se de que um conhecimento virtual diverge e muito do conhecimento real.



Quando se dá o primeiro encontro real, vem a decepção. A pessoa não era a que se dizia ser. O sexo virtual que fora uma sensação diferente, um gozo jamais alcançado e que não deixou de uma verdadeira masturbação, no real não passou de uma verdadeira água açucarada.



A decepção acontece, a tristeza aparece, a frustração se enfurece.

Os encontros reais e virtuais deixam de acontecer, a fúria e a raiva passam a enaltecer o ego do menos favorecido.



Este passou a ser o enganado, o ludibriado, o iludido.

Daí é que assistimos o pior, nós os leitores, acostumados ao aconchego da leitura de lindas poesias e belas reflexões, passamos a ser jurados de uma história de amor virtual que se tornou real, cuja história não deu certo, teve um final infeliz.



Passamos a ler as queixas, as razões, às decepções, os defeitos de caráter do outro e etc., como se fossemos obrigados a julgar e definir nossas posições a favor deste ou daquele.



Ora, ao menos deselegante, para não dizer ridículo, torna-se o ato de postar em grupos poéticos ou não, tais assuntos, que são estritamente pessoais e que pertencem tão somente a duas pessoas.



Infelizmente ainda tem alguém que por amizade, ou mero prazer de aparecer, se pronuncia a respeito, como se postasse para o nosso prazer, a mais bela ode primaveril.



Desculpem-me a crônica, mas o meu ego precisava ser enxaguado, por que limpo ele sempre foi.