domingo, 4 de outubro de 2009

De Um Jeito Que é Só Seu

Há um jeito que é só seu de semear o bem.

Se tem sabedoria para falar, fale.

Há pessoas precisando

de quem lhes rasque novos horizontes.

Se tem o dom de ouvir, ouça.

Há pessoas precisando falar

para reogarnizar os pensamentos e sentimentos.

Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os.

Há pessoas que desabrocham

por conta de alguém que lhes reconheça um dom.

Se tem discernimento o bastante

para fazer uma observação construtiva, faça-a.

Há pessoas persistindo no mesmo erro

por falta de alguém que as alerte

com carinho e firmeza.

Se não tem vocação para engajar-se

em movimentos filantrópicos de grande alcance,

tenha em mente que o maior bem a ser semeado

começa dentro do seu lar.

Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade,

aquele prato que ninguém sabe fazer igual.

Oferte a sua diplomacia, a sua liderança

ou a sua capacidade de atuar em segundo plano

para o bem comum.

Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.

A sua ternura natural no trato com crianças,

idosos ou animais.

A sua capacidade de manter o sangue frio

nas horas de crise,

quando todos em sua volta desabam.

A sua santa paciência de permanecer num hospital

ao lado de um enfermo terminal

ou de varar a noite num velório,

naquela hora crítica em que todos vão embora.

Há um jeito que é só seu e todo seu,

mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada.

Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore,

cantar junto com o seu canarinho,

alisar o pelo de seu bichinho de estimação,

aquele que você salvou da enxurrada.

Mesmo que seja uma prece sincera

feita no silêncio do seu quarto.

Na contabilidade divina pouco importa

se o seu dom de semear o bem

alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.

Você está fazendo a sua parte,

de um jeito que é só seu.

É só isto que realmente importa.