OS DOIS VELHOS
A velha casa há tempo ignorada,
Quase tragada pelo matagal,
Era habitada por um velho pobre,
De alma nobre, pura e elevada,
Que por motivo algum fazia o mal
E, antes de morrer, por fim descobre:
Que a vida não é bela por riquezas,
Nem é gostosa por se ter conforto,
Nem é valiosa por qualquer poder,
Nem por título algum, nem por nobrezas,
Porque ninguém depois que estiver morto,
De nada gozará deste viver.
Pensava assim no leito abandonado,
Onde ninguém aparecia agora,
Para lhe dar um simples copo de água,
Mesmo depois de ter sempre ajudado,
Andantes que por lá passavam outrora,
Mas não tinha por isso qualquer mágoa,
Por ter o coração reconfortado.
Sem que soubesse, num hospital famoso,
Não tão longe dali, lá na cidade,
Um outro velho triste agonizava,
Mesmo que sendo rico e poderoso,
Mas que não tinha feito caridade,
E aos humildes todos, desprezava.
Esse rico senhor tendo assistência,
Dos mais famosos médicos sofria,
Tanto pela dor física quanto d'alma,
Pois forte lhe queimava a consciência,
Porque dos que judiou agora via,
Á sua frente a lhe tirarem a calma.
Interessante é que na mesma hora,
Ambos deixaram a Terra e num instante,
Chegaram aos seus lugares no Infinito.
Talvez entre o que é feio o rico chora,
E o pobre bom, alegre e triunfante,
Pode estar vendo tudo o que é bonito.
Diante dessa Lei irrevogável,
Que Deus deixou expressa claramente,
Que ninguém muda, eu meditando fico,
Que deve ter se dado o inevitável:
O rico transformou-se em indigente
E o pobre, de imediato, fez-se rico.









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