segunda-feira, 5 de novembro de 2007

CIDADE DOS ANJOS

Portas fechadas, ruas desertas,
nenhuma conversa, janela entreaberta,

silêncio inquietante em quarto minguante

e o telefone se toca, desculpe, é engano!



Cidade vazia, distante e perversa,

sobrou seu perfume e um livro estranho.



Cidade dos anjos, caídos, sem sonhos,

de asas quebradas não podem voar.



Sobrou um poema de versos profanos

e na madrugada vazia de planos

um bolero arrastado, um tango e um blues,

avisam que o dia ainda custa a chegar.



E mais uma dose de pura aguardente...

A sede que eu tenho já faz tantos anos,

cicatrizes que trago, a maioria latentes,

algumas ardidas ainda sangram se toco,

outras antigas exibidas nos olhos,

vez por outra ainda choro

se me ponho a falar.