domingo, 13 de dezembro de 2009

IMACULADA CONCEIÇÃO

Nada mais belo do que encontrar no início desta caminhada para
o Natal esta festa de Nossa Senhora; e, precisamente, comemorando a
sua Imaculada Conceição: esse mar de santidade com que Deus a
envolveu, para fazê-Ia digna de ser a Mãe do Deus-Homem, o Divino
Salvador.
Ela se apresenta, assim, como a aurora puríssima, anunciando a chegada
do Sol divino que o Natal vai fazer resplandecer aos olhos do nosso
coração.

Ela é a serena Estrela da Manhã, anunciando o dia do cristianismo. E
somos convidados a saudá-Ia com as carinhosas palavras da liturgia:
"Tota pulchra es, Maria"- Maria, tu és toda bela, e em ti não existe a
mancha do pecado original.
O mavioso escritor italiano Monsenhor Olgiati conta que houve
no seu tempo um eclipse total do sol que atingiu o Norte da Itália.
Mas, quem olhasse da planície de Milão na direção dos Alpes, veria o
cimo do monte Rosa resplandecendo à luz do sol.

Candidíssimo! Sobretudo pelo contraste, livre como ele ficara do cone
de sombra que envolvia toda a região. O próprio escritor fez a
espontânea comparação. Esse monte iluminado pela luz do sol no meio da
escuridão do eclipse é bem uma figura de Maria, resplandecente de
graça no meio da sombra total do pecado original que envolveu toda a
humanidade.


Todo ser humano, desde o primeiro momento de sua concepção no
seio materno, traz a marca do pecado. É a triste herança do pecado do
primeiro homem - o pecado original. Desse pecado nasce também a
inclinação para o mal - a "concupiscência" - força negativa que mora
dentro de nós e que nos obriga a uma cuidadosa vigilância e a um
freqüente recurso à oração, para não cairmos no pecado. Pela sua
conceição imaculada, Maria foi isenta do pecado original e da
concupiscência. Teve aquilo que a teologia chama de dom da
"integridade". E a toda pura.


O dogma da Imaculada Conceição não foi proclamado logo nos
primeiros séculos. Homens sábios e santos, como São João Crisóstomo
por exemplo, admitiam alguma imperfeição moral em Maria. Porém, como
que por um divino instinto, já vários escritores, como Santo Agostinho
e Santo Efrém, excluíam Maria de qualquer compromisso com o pecado. Em
todo o primeiro milênio não aparecem testemunhos explícitos a favor do
dogma da Imaculada como o professamos. No século XIII, século glorioso
da Teologia, houve grandes teólogos, como São Bernardo e Santo Tomás
de Aquino, que não admitiam que Maria tivesse sido isenta do pecado.
Senão- segundo o pensamento deles - Ela não teria sido objeto da
redenção trazida por Cristo. E as opiniões se dividiam. Foi quando
apareceu o grande teólogo franciscano João Duns Scoto, que abriu um
novo caminho para a teologia mariana neste campo. Ele mostrou como a
redenção de Cristo pode ser aplicada de dois modos: nos homens em
geral, ela é a redenção "Iiberativa", isto é, que liberta o homem do
pecado por ele contraído; em Maria, ela foi a redenção "preservativa",
isto é, que impediu que Maria contraísse o pecado. Foi aquilo que
Santa Teresinha disse numa mimosa comparação: Deus agiu com Maria como
um pai, que não apenas levanta a filha que tropeçou numa pedra do
caminho e caiu, mas correu na frente e retirou a pedra para que ela
não caísse.
E a persuasão de que Maria foi isenta do pecado original foi
crescendo na Igreja entre os pastores e os fiéis, a ponto de que o
Concílio Tridentino - século XVI- ao promulgar o decreto sobre o
pecado original, declarou solenemente que não pretendia incluir nessa
declaração de pecado a Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. Porém foi
só em 1854, depois de ouvir os Bispos de toda a Igreja, que o Papa Pio
IX, pela bula "Ineffabilis Deus", promulgou como dogma que a Igreja
inteira deve professar, essa sublime verdade que a Bem-aventurada
Virgem Maria, desde o primeiro instante de sua conceição, pelos
méritos de Cristo Redentor, foi preservada imune do pecado original.
E é isso que o povo cristão celebra com filial alegria,
cantando os louvores da Mãe Santíssima. Ela é a toda pura. Ela é a
toda bela. Ela é a bendita entre todas as mulheres. Ela é a glória de
nosso povo.

Leituras para a Festa da Imaculada:
1a) Gn 3,9-15.20
2a) Ef 1,3-6.11-12
3a) Lc 1 ,26-38