NO TEMPLO DA CARNE
O corpo físico é sempre o equipamento de ação que o espírito — romeiro do progresso — é capaz de receber com proveito, consoante as necessidades e méritos que lhe caracterizam a experiência.
Qual acontece, na esfera humanas, em que se atribuirá a cada criatura o instrumento que possa manejar para o bem comum, cada espírito, em se materializando na Terra, usa o veículo carnal que lhe seja adequado à luta imprescindível.
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Entre os homens não se confiará o leme da usina elétrica ao adolescente irresponsável, nem se colocará o explosivo, destinado a cinzelar as formas da natureza nas mãos da criança, incapaz de apreender-lhe o perigo.
Ninguém se lembrará de entregar o tesouro da coletividade ao delinqüente que a penitenciária recolhe, nem se dará o tribunal à cabeça do analfabeto.
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Assim é que na reencarnação, cada alma detém os recursos que mereceu.
É por isso que, embora identificados na espécie, não existem dois corpos humanos perfeitamente iguais.
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A justiça funciona para cada ser, na pauta dos prêmios que conquista ou dívidas que amontoa.
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Conserva em sua vestimenta de carne, acima de tudo, o uniforme de trabalho que o Senhor te concede à vida para que te refaças do passado obscuro na direção de luminoso porvir.
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Ainda mesmo agravado de achaques ou deformado por dolorosas mutilações, incompleto ou enfermiço, aleijado ou desagradável à vista, teu corpo é bênção de Deus em teu próprio favor, buril com que te cabe aprender e servir, sofrer e lutar, dignamente, aprimorando a própria alma que, um dia, se quiseres viver no padrão de Jesus, comparecerá, liberado em pleno Céu, na condição de obra prima.









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