sábado, 8 de novembro de 2008

Se acostumando

A gente se acostuma com tudo.
O ser humano é altamente adaptável.
Se acostuma a luxos e a lixos.
Acostumamos com perfumes e com outros cheiros.
Depois de um tempo , se incorporam e nem os sentimos.

Acostumamos em ficar com pessoas que não nos fazem
bem e até com as que nos fazem mal.
Achamos tudo normal . Porque nos acostumamos.
Nos adaptamos em clima quente e
depois de um tempo, suamos menos.
E aos climas gélidos, e depois ,
também não sentiremos tanto frio.

Nos acostumamos em ser sós e
não entender como solidão.
Acostumamos a pensar pouco, viver o que dá, a observar menos,
a ouvir com dificuldade,a olhar com desdém, a sermos superficiais .
E quando questionados sobre isso
não entendemos o teor da pergunta,
porque o contexto é esse e estamos acostumados.

A gente se acostuma a se ver com uma certa indiferença,
como sendo um grão de poeira sem rumo, sendo levado
por vento que não se escolheu ,
a entender que 'Deus assim quis'.
Ou com excessivo valor, como sendo um semi-deus ,
a exercer desmedida tirania ou vaidade poderosa.

Acostumamos com as saudades dos entes que se foram,
dos que se ausentaram por decisão ;
com os caminhos errados escolhidos pelos entes queridos ,
sofridos... acostumamos em aceitação.
Também com as dores e todos os outros tipos de perdas.
Acostumamamos com frases feitas.
A repetir a mesma oração.
A lutar e não receber restituição.
Fácil é se acostumar com o bem bom .

Acreditamos que fomos colocados na vida das pessoas por desígnios celestes
e resignados fazemos nossos passos e , muito ou pouco , nos esforçamos.
Ocasionalmente nos perguntamos o por quê
de caírmos exatamente
nesta cidade e neste país , neste contexto ...
mas respostas não vêm ou não nos fortalecem.

Então nos apegamos a algumas coisas ;
às vezes , nos apegamos a 'tábuas de salvação' ...
dentro de um mar imenso , mas as largamos pois apodrecem .
Acostumamos a nadar mais, a nos repetir por condicionamento ,
a sonhar com uma ilha - a da fanatasia -
ou com outra tábua que nos traga
alguma segurança ou satisfação.

E no meio disto tudo, estamos sempre a nos adaptar ,
a nadar, remar, caminhar ,poucas vezes tentamos voar.
Não vou dizer que há saída para tudo - nada sei.
Somente que somos seres altamente adaptáveis e ,
indo ou vindo, nos movimentando ou não, esforçando-nos
ou desistindo , a vida segue ...
Boa , apenas satisfatória ou má ,
com todos os nuances em formas variadas.
Ora belas, risonhas, felizes ,excitantes ...
ora bizarras, loucas, vadias, traiçoeiras, enganadoras .
Tudo muito estranho. O viver é assim.
É só se acostumar.