quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fazendo de Conta

Se o mundo fosse uma brincadeira de faz-de-conta, faríamos de conta
que tudo é sempre bonito.
E mesmo se o mundo não é um grande livro de contos de fadas, estamos
sempre querendo fazer de conta.
Fazemos de conta que somos felizes; que o amor não acabou, que ainda
existe desejo. Tentamos nos convencer que todas as decisões que
tomamos no passado foram acertadas.

Talvez por medo de termos que confessar que em algum lugar da nossa
vida, falhamos. É difícil ter que admitir que nos enganamos de
caminho. Mas o mais difícil é pensar que vamos decepcionar outros.
Apesar de tudo, o que os outros vão pensar pesa muito nas nossas vidas.
Assim vamos fazendo de conta que está tudo bem.

E chega um dia onde não encontramos mais saída. E a gente chora...
chora na encruzilhada onde se encontra, chora no labirinto da vida,
onde não queremos nem ir à frente e nem voltar atrás, mas sabemos que
teremos que achar o caminho de qualquer jeito. E lamentamos o não
saber o que fazer. Nos sentimos perdidos mesmo quando queremos fazer
de conta que não.

Pensamos que seria melhor fingir que não existe problema nenhum; ou
que podemos passar uma borracha e recomeçar tudo; ou então nos dizemos
que bom mesmo seria voltar à infância inocente, sem esses "problemas
de adultos" e até ir dormir mais cedo para que amanhã chegue logo.
Porque agora, às vezes desejamos que nunca chegue...

Mas somos adultos, mesmo se nosso eu criança se sente perdido. Somos
adultos e donos da nossa vida, das nossas vontades, embora intimamente
sintamos a necessidade de pedir que alguém decida por nós para nos
livrar do peso da responsabilidade da escolha.

É preciso enfrentar a realidade, mesmo que dôa; é preciso ter a
coragem de tomar uma decisão e fazer escolhas, mesmo se daqui a dez
anos vamos perceber que nos enganamos de caminho. Se enganar não é
pecado; pecado é se saber enganado e continuar no mesmo trilho. É uma
ofensa ao próprio eu.

Dê a você mesmo a oportunidade de ser feliz, sendo quem é, como é.
Saia do marasmo do dia-a-dia que mata e construa algo sólido onde se
apoiar. A vida não espera por nós e não é por fingir que o tempo não
passa que os relógios vão parar. Chorar é bom e pode aliviar as
tensões, mas nunca resolveu problema nenhum. Enxugue então suas
lágrimas para que tenha uma visão mais clara do que é sua vida.

Tire a máscara do faz-de-conta e viva de cara lavada, mesmo se no
momento não for o melhor que você tenha para apresentar ao mundo. Com
o tempo você vai aprender que tudo fica mais fácil e você se sentirá
aliviado. Não se pergunte o que vai fazer depois: aprenda com seus
erros e dê o melhor de si.

Dê a você mesmo uma chance de ser feliz, porque ninguém vai fazer isso
por você