extremamente dócil...
Extremamente dócil...
talvez uma estrêla escondida em algum canto do céu.
Quem sabe um doce querer que busca reabastecer-se de mel...
Mas extremamente dócil...
um animal feroz, que quando percebe a aproximação do algoz,
encolhe-se, contrai-se, trai-se, chora...
Mas extremamente dócil...
embora atravesse com altivez os percalços que pela vida aflora,
muitas vezes perdido no agora, senta-se, faz-se contrito e ora,
pois que crê, pois que tem fé, pois que conhece o que nele se arvora...
Extremamente dócil...
mãos pesadas e rudes, mas deliciosamente suaves
quando imersas em carícias,
quando sabedoras de que o sentimento as leva como aves,
a adejar por outros corpos, a buscar outras premissas...
Extremamente dócil...
pois percebe o clarejar do dia,
quando mais embreada se faz a noite.
Pois que se encanta com o canto, a melodia,
e se emociona quando se vê imerso em poesia.
Extremamente dócil...
pois que ama, embora muitas falas o difamem...
pois que tem chama ardente,
mesmo que muita gente tente
inserir-lhe do tempo, o algor.
Extremamente dócil,
pois inda se inebria, se delicia,
com qualquer gesto de amor...

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