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domingo, 31 de janeiro de 2010

Renascer

Pisotearam o canteiro
que adornavam o caminho
Não tiveram pena das flores
Não pensaram na beleza das cores
Não se importaram com a singeleza
dos lânguidos gestos quando acariciadas
pelo vento

Pisotearam o jardim
que adornava a jornada
Acreditaram sobreviver à dependência
já existente
Pensaram sobreviver sem a doce embriagues
Provocada pela mistura dos aromas já conhecidos

Prossigo plantando flores...

Necessito das cores
Nelas busco a essência da vida
Preciso das borboletas que a visitam
Não vivo sem a delicadeza do beija-flor
Ao sugar o néctar da certeza da sobrevivência...
A necessidade desesperada de uma sobrevida!!!

Pisotearam todas as flores
Espinhos feriram de morte o incauto coração
Revolveram a terra
Na tentativa de atingir raízes
Mas em vão...

A própria terra remexida deu alento
Confirmou a esperança
Deu a garantia que novos verdes surgiriam

Pisotearam as flores
Mas o pranto molhou a terra
Fez germinar novas sementes
Fez nascer novos brotos

Expôs ao sol as novas folhas que pediam ajuda
E o calor se fez presente
Trouxe consigo nova energia
Secou o triste pranto que retornou
como chuva calma, miúda e fria

Um manto de alegria!

Pisotearam as flores
Esqueceram a vida
Esqueceram a esperança
Esqueceram a força que do sol emana
Pisotearam as flores...
Mas não conseguiram matar a semente!!!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Canção da paz

A paz é como música que nasce,
difícil de atingir a perfeição.
Às vezes, todos clamam que é fácil,
os mesmos que outras vezes dizem não.

Varre-se a nota sem ter serventia,
e morre a paz na falta de harmonia...

O som que é mais difícil solfejar,
são notas de amor e de perdão,
como se a vida fosse simplesmente,
o derramar das lavas de um vulcão.

Sempre sedentas, vão seguindo em frente,
lambendo, ansiosas, pelo chão,
de forma alucinada, impertinente,
toda esperança de compreensão.

E por milênios, tenta-se encontrar,
a nota dessa explêndida canção!
Que antes de algum gênio proclamar,
mistura-se ao ruído de um canhão.

E o mundo chora, cabisbaixo e mudo.
E chora a poesia, a inspiração...
A paz, mais uma vez, lamenta em vão.
Não mais a harpa, as almas tocam surdo.

Até um dia, quando Deus quiser...
Ou se cansar de ver tanta cegueira,
e tanto desamor e bandalheira,
nas lutas que se travam por poder.

domingo, 26 de abril de 2009

Carta

Meu amor...

Ao acordar hoje e me deparar com esta bela manhã de outono, lembrei-me de você...
Pareceu-me que ainda ontem havíamos nos falado, e no entanto, tantos anos se passaram, que nem sei se ainda se lembra de mim. O tempo é tão apressado, as palavras foram se amontoando, e eu nunca tive coragem de enviá-las. Ficaram velhas e cansadas, e eu olhando para elas...
Eu não deveria ter demorado tanto para me decidir, mas só hoje eu consegui. E vejo, pesarosa, que sobrou muito pouco, de tudo que eu tinha para lhe dizer... Algumas linhas tortas, palavras puídas e esperanças mortas ou agonizantes... muitas...


Foram tantas horas e dias e anos, que serviram de abrigo para o meu pensamento, sempre cheio de saudades do que me disse certa vez, e que não respondi, com medo de parecer ridícula...
Oh! Céus! Que bobagem a minha!
Aprendemos tarde demais que ser ridículo faz parte da melhor parte da vida. Ser ridículo é a coisa mais sensacional que pode nos acontecer, quando amamos alguém...
E hoje... tanto tempo depois, eu envergaria com prazer a vestimenta de palhaço, seria o bobo-da-corte sem temer, apenas para lhe dizer: - "Amo você!".
Não sei se ainda há tempo... receio que é tarde demais... quase sempre é tarde demais...
Dia chega em que assenta-se a poeira do amor, e onde houve estardalhaço no coração, muitas vezes fica só o silêncio, o dorido vazio... E recusa-se a nos abrir a porta, aquela esperança que um dia foi sonho, e que hoje o sonho não comporta.
E eu que não sei, que nada sei... vou tentar pela primeira e última vez, perguntar-lhe:
- Ainda me ama?
Se a resposta for não, reserve-me a ilusão...

De quem jamais o esqueceu...
Eu.

domingo, 19 de abril de 2009

Manhã de alma lavada!

Eu queria que essa chuva
caísse no coração de cada um
lavando as dores e cicatrizes
de quem as tem...

Queria que ela se transformasse em flores
de pétalas bem macias e aveludadas
para acariciar suas almas
e fazê-los lembrar-se de mim...

Não para sempre, que é muito
mas enquanto eu fosse uma brisa
ou o sorriso de uma criança feliz
algo inimitável assim...

Viver é maravilhoso, agora eu sei
mas foi você, que eu chamo de amigo
que me ensinou a sentir, a ver
a acreditar que eu posso ser feliz...

Apesar da chuva...
Apesar do mundo...
Apesar das guerras...
Apesar das dores, minhas e tuas...
Apesar da natureza, que chora...
É possível ser feliz...
Com Deus no coração!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Senhor

Fecunda o meu espírito

de serenidade, sabedoria e tolerância

para que eu possa conceder

aos amigos, a alegria

aos inimigos, o perdão

e aos dois, muito amor, sempre!

Assim seja.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Desencontros

Que bom seria se todos pudéssemos,
Simplesmente escolher a quem amar.
Se em nosso coração, todos tivéssemos,
Preservado, o direito de optar...

Se por amor, o que nos propuséssemos,
Fosse a alegria, a paz e o bem-estar,
E nenhum mal, em tempo algum, fizéssemos,
A quem quisesse, nossa alma abraçar.

Que bom seria! Mas nunca é assim.
A vida toda, amei, amei demais...
Gastei meus sonhos nos meus tristes ais!

E nem por isso, amei menos a mim.
Mas houve um dia... aquela dor tão forte!
Que não pude evitar de amar a morte...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ontem ainda...

Ontem ainda... eu era tão feliz!
Vivia, no meu sonho de aprendiz
tanta emoção desconhecida!

Ontem ainda... brinquei de namorar
deixei meu coração voar
solto na vida, como aquele menino
com estilingue a atirar sem tino
quebrando as vidraças do lugar...

Ontem ainda... parecia tão real
o que antes foi sempre tão banal
de repente me envolveu e eu quis
dizer ao mundo o quanto era feliz!
E eu quase consegui...

Mas uma nuvem negra veio vindo
o meu céu de brigadeiro foi cobrindo
enquanto eu lia aquela crueldade...
Como pode? Oh céus, quanta maldade!
Ah, como eu quis poder fugir de mim!

Ontem ainda... mais tarde... eu morri.
Mais um pouquinho, só mais um pouquinho.
Na dor cruel da incompreensão
do descaso e falta de atenção
que atribuíram a mim...

Cometi loucuras, mas não perdi meu tempo.
Porque nunca é perdido amar demais,
deixar o que passou lá para trás,
não ficar parado, ultrajado,
com dores que não existem mais...

Ontem ainda... eu fui muito feliz!
Hoje não sou. Mas amanhã virá
é um novo dia que há de chegar
e das migalhas que ele me deixou
um outro sonho eu vou poder sonhar!

Mas esquecer...
não é possível agora, afinal...
ontem ainda...
seu rico verso me fez tanto mal!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ficam revogadas todas as disposições em contrário

Emprestem-me os risos do mundo!
Preciso de todos e ainda é pouco.
Quero abortar meus medos, espalhar meus segredos,
que a vida começa agora e não tem hora,
para acabar!
Quero um sonho menino, de olhos negros
para vestir de azul e levar a passear!
E nesse sonho, em tempo algum, deixarei de acreditar.
Ah! Eu quero me deitar no meu colchão de armar,
com meu sonho de amar!

E se for difícil, faço dele o meu vício,
tragando avidamente até me sufocar!
Mas quero amar... amar... sem medo de provar.
Morrer de amor, se precisar,
mas nunca mais me abandonar!

E se me condenarem,
pedirei perdão...
Que revoguem a pena!
Porque é isso que merece o meu coração.

Se a morte, atrevida como é, vier me buscar,
que espere um pouco...
Direi que estou ocupada, não posso ir.

Preciso mergulhar nesse amor,
como quem se atira nas maiores ondas,
e desliza sobre elas, surfando...
Com o sol nos abraçando,
cada vez mais, amando... amando... amando...

E ouça-me, Vida Minha:
- Vida! Vida... Não seja inoportuna!
Dispenso seus conceitos e decretos.
Não me venha com essa de que é tarde demais.

O tempo só existe nas manchetes dos jornais,
onde hoje, morre mais que ontem,
e menos que há dez anos atrás...

Eu acabei de nascer... me deixe em paz!
Pare de querer saber, de tanto perguntar...

Depois?

Depois não sei.

Agora:
- Ficam revogadas todas as disposições em contrário.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Amanhã

Que eu sei, não vai demorar

quero acordar antes do sol e ir embora.

Palmilhar estradas, caminhos

Rasgar o vento com minha ansiedade

e ser feliz, muito feliz.



Amanhã

Que eu sei, é mais que uma promessa

vou reaver a liberdade

e ser outra vez, dona de mim.

Vou enfrentar o sol e a chuva

num doce caminhar sem fim.



Amanhã

Que eu sei, vou conseguir

Eu quero ir de encontro ao mundo

o mundo que esconderam de mim

e que me procurou incansável

para mostrar que eu posso ser feliz!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Se eu te encontrar

Se eu te encontrar algum dia
o céu vai ficar mais azul
as ondas do mar certamente
sorrirão para mim alegremente.

Uma gaivota vai planar suave
na praia do meu pensamento
enquanto o sol deita no mar
espreguiçando-se ao vento.

Se eu te encontrar algum dia
quero te olhar nos olhos
tocar teu rosto, teus cabelos
certificar-me que não me enganei.

Porque mesmo sem te conhecer
eu sei que é fácil saber
minha alma vai negar teimosa
quem contigo parecer.

Se eu te encontrar algum dia
o coração vai se libertar
correr pela vida contente
deixando a masmorra pra trás.

Uma esperança finalmente
vai passear dentro de mim
pisando suave meus sonhos
ajudando-me a ser feliz.

Muito...muito feliz!

domingo, 6 de julho de 2008

Mãos

Mãos... que eu nunca apertei
mãos que eu não conheci
que teceu versos sem fim
e a quase todos eu li...

Mãos que nunca me acenaram
que não se distanciaram
pois não estiveram em mim.
Mãos que admiro demais...

Mãos que da minha cobiça
fazem o alvo certeiro
mãos que desequilibram
o meu eu mais verdadeiro...

Mãos que eu vejo, que até sinto
que a simples visão me causa
a insensatez do absinto.
Acho que me apaixonei...

Por tuas mãos... que não beijei!
Como não beijei teus olhos
teu rosto, o teu sorriso...
Oh, céus, o que eu preciso?!

Para morrer sossegada
nas ondas do mar levada
ficando numa saudade
de um dia, depois mais nada...

Preciso de mais um pouco
só um pouquinho, talvez...
dessa mágica lembrança
de tão grande insensatez...

que eu vivi algum dia...
e jamais eu negarei!

sábado, 5 de julho de 2008

Dúvida

O meu teimoso olhar insiste em ver,
O que o passado insano me roubou,
Tanta alegria! Tão doce prazer!
De tudo, quase nada me restou...

Eu sei que é impossível de saber,
Se foi mesmo verdade o que falou,
(Que mais feliz não tinha como ser!)
Então, por que (Oh! Céus!) me abandonou?

Pergunta que vai sempre me rondar...
E por mais que eu deseje, não vou ter,
Ninguém no mundo para responder...

A dúvida eu terei que degustar,
Tal qual o vinho do melhor tonel,
Que no final é amargo como fel!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Esperança Teimosa

Está longa essa minha caminhada...
Às vezes, ao passar, abraço o vento,
Na tentativa vã, quase tormento,
Que açoita minha fé num grande nada.

Eu lembro com saudade redobrada,
Grande força do amor no pensamento,
Que hoje é destroçado e me contento,
Em crer que alguém me espera ao fim da estrada.

Eu sei que chegarei e nada mais sei...
Porém quero encontrar o seu sorriso,
E o seu carinho... Ah, como preciso!

Poder tocar naquele olhar que amei,
E me banhar sem nunca entristecer,
Nessa esperança que não quer morrer!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Meu Livro

Você é meu livro mais querido!
Às vezes é uma bíblia,
onde eu busco algum sentido,
para o que não entendo, não aceito...

Outras vezes nem tanto...
Torna-se um livro de poesias, obras-primas,
tão impregnado de belos cenários
que absorvo rápido, todas as métricas e rimas...

E vou virando as páginas, lentamente,
como quem toca seu rosto, faz carinho,
com delicadeza, sem ser impertinente
na ponta dos dedos, de mansinho...

Mas de repente, eu quero ver lá na frente!
Procuro indócil, nas páginas próximas
algo que aquiete, o corpo e a mente.
Há tantas lindas poesias em você!...

Mas nenhuma veste minha alma...
Então você se transforma em romance!
Em grandes guerras, que me tiram a calma,
longas noites de batalhas, sangrentas demais...

Tento voltar atrás... e vejo-o acomodado,
à espera do próximo desejo a ser realizado!
Então eu me envolvo com você num abraço,
tão grande que não tem tamanho,
e dorme comigo e com os meus sonhos felizes...

entre as mãos e o peito, ressonando baixinho,
inspirando-me ternura, doçura, carinho...
E só então eu vejo... o que nunca tive a vida inteira:
- Você, que é meu livro de cabeceira!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Eu mereço ter paz

Vivemos nossos sonhos paralelos à vida

e eu ousei sonhar, alto e grande

quis ser tua mulher, tua menina, tua amante

sem medo ou ponderação, de coração!



Mas esqueci de lhe avisar, dizer

pensei que sentirias, que sabias

achei que a mesma estrela que eu via

brilhava também pra ti, noite e dia...



Levaste-me ao céu, com teu carinho

fizeste-me crer no impossível, te amei

como ninguém jamais te amou

e no entanto... de repente tudo acabou...



Nosso barco naufragou, se refugiou

num pôr do sol qualquer, indiferente

como quem não diz o que pensa

como quem pensa que mente, e mente!



Agora é tarde pra rever tudo de nós

não és mais meu, nem eu poderei ser tua

apagaste as labaredas com tuas lágrimas

frias e calculistas, lágrimas nuas.



O teu orgulho te impediu de me contar

tudo que eu precisava saber, entender

agora vai, vai amargar tua insensatez

eu te quero cada dia mais, porém...



eu mereço ter paz!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Romaria

O horizonte parecia abraçar a estrada
como se quisesse escrever aquela história
ver de perto, quem sabe plantar-lhe glórias
que um dia faltariam, e tanto!


Era noite de sábado, a lua abonando a viagem.
Tanta inquietação no sorriso do moço...
um sorriso desses que escancaram na vida
que parecem torná-la mais sentida, mais vida!


Era uma romaria à Aparecida!
Que mudou o curso natural de um rio
plantou flores à margem, depois a estiagem...
foi tudo tão lindo! Tinha que ter acontecido!


Naquela noite especial, que ninguém dormiu
o amor se abrigou num cantinho, à espera...
o sonho nos braços da moça, que se sentia velha
foi impregnado pelo amor, dele e dela!


E a romaria foi descendo a serra
de Guaratinguetá, parecia que havia uma festa lá!
Uma festa de sentimentos, novos rebentos
todos fortes, inesperados, renascendo...


Entre os raios do sol, no alto do morro
um casal de caipiras, aos pés do cruzeiro...
(uma bancária e um boiadeiro)
prometeram se amar para sempre...


Mas para sempre é sempre muito tempo!
O amor existiu, resistiu, foi eterno enquanto durou!
Muito tempo passou, muita estrada, caminhos
e dia chegou, em que os dois se viram sozinhos...


Sem estrada pra ir, sem caminho a seguir...
Na lembrança, uma romaria que os unira
mas que o destino não concordou, atalhou
e não foram felizes para sempre...


Um deles partiu mais cedo... era muito cedo!
Cultivou seu próprio degredo, em ciúmes,
na eterna busca da felicidade, que os seres
não acreditam na sua facilidade...


E a história acabou...
Mas de vez em quando, o sol ao nascer
vê uma mulher descendo a serra de Guaratinguetá
porque ela pensa que a felicidade ficou lá...

domingo, 6 de janeiro de 2008

O grande segredo

Eu nunca quis... eu nunca precisei...
Mas hoje, como eu gostaria de ter mais poder!
Queria deter o mistério dos mandalas,
desvendar o segredo da Flor de Ouro,
encontrar o mapa, achar o tesouro...

Com os quatro elementos da natureza,
eu seria vitoriosa, com certeza!
Fogo... água... terra... ar...
Em qual deles estará oculta a magia,
que a minha dor, eliminaria?!

Oh céus, é tão pouco o que eu preciso!
Apenas ver brilhar de novo, um sorriso...
Salamandra... socorre-me!
Ensina-me o caminho, retira os espinhos,
os pássaros não vivem sem ninhos!

E quando se entristecem, calados permanecem.
Voando de asas quebradas, um dia perecem...
Que será de mim? Simplesmente... o fim?
Sem esse canto, jogarei meu manto,
deporei as armas... morrerei... sem pranto!

Mas o poder existe... eu sei que sim!
Não foi outro, senão Deus, a ensinar pra mim.
Está no mar... no ar... está num doce olhar!
Ele que planta em nossa alma, sementes coloridas,
e faz florir no coração, as brancas margaridas!

Mais uma vez, vou confiar, acreditar!
Se eu convencer o fogo, a água, a terra e o ar,
terei nas mãos, o sempre tão almejado poder!
O grande segredo, que do poder é tutor,
são três letrinhas que dizem tanto... chama-se: AMOR

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A Saudade

A saudade é uma paisagem
que perdeu toda a folhagem,
de cor rude, contrastante
com o verde tão bonito
do que chamamos antigo.
Lembra sempre o retirante.

Está no rosto sereno
daquele moço moreno
que passa tão displicente
remoendo a sua história
que já foi cheia de glória...
Nem parece ver a gente.

Mas bem pode estar também
na ausência do olhar de alguém
que um dia foi tão formosa
nas festas sempre encantava
e sequer imaginava
quanto a vida é dolorosa!

Eu vejo ainda a saudade
desenhada pela idade
formando um sulco profundo
numa ruga impertinente
que tanto envelhece a gente
e entristece o nosso mundo.

Mas é vasta essa paisagem!
E tão diversa a sua imagem!
Numa foto amarelada
que alguém retira do bolso
seja na janta ou no almoço,
para lembrar da sua amada.

História que se amarrotou
que ninguém jamais desejou
mas viu triste, a despedida
como folhas do outono
que lembram tanto abandono
que povoam tanto a vida!

Minha saudade é rebelde!
Não se iguala, nem se mede.
Rodeia tanto os meus dias...
Tenta reaver sorrisos
que partiram sem avisos
torna as noites tão mais frias!

De todas, a mais dorida
não tem suporte na vida!
Porque esta minha saudade
é de alguém que eu nunca vi
não passei perto ou senti,
mas povoa-me a vontade.

São amantes, a noite e o dia:
isso é fato, não fantasia.
Mas as tristes madrugadas...
é onde a saudade mora,
nem que mande, vai embora,
são mulheres mal amadas.

Nelas, que a minh'alma sofre.
Eu grito e ninguém socorre
ninguém me ouve, é tão grave!
Parece até que estou morta
que posso passar na porta
sem precisar de uma chave.

Dizem que isto é solidão...
mas nega o meu coração.
Não é mais do que a saudade,
de alguém que abala meu peito
mas que talvez não foi feito
para tal finalidade.

Por isso a chamo de "rebelde",
antes que alguém me interprete.
E defendo o meu conceito:
- Solidão qualquer um sente
e qualquer um a preenche.
Mas na saudade, é o defeito...

Ela tem endereço certo,
não importa se longe ou perto.
Substituir não convém,
porque então vai doer muito
como ser alvo de um murro
sem ao menos saber de quem...

Assim é a minha saudade!...
Doída, mas sem maldade,
sorriso que minh'alma ruiu,
e que não sabe precisar
se para sempre vai ficar
pois não chegou nem partiu...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Em algum lugar do passado

Em algum lugar do passado
repousa um amor perdido, abandonado
que nunca foi vivido
realmente...


Um amor que nasceu sublime
de centelhas das estrelas
correu livre pelas manhãs, nos prados
a pastorear ovelhas...


Dormiu à sombra das árvores
colheu flores ao pé da montanha
banhou-se no grande lago
mergulhou em tantas cascatas...


Em algum lugar do passado
ficou perdido, serenamente
o meu desejo de amar eternamente
alguém que passou por mim...


Não era o paraíso
mas era tão semelhante...
não pudemos perceber
a malévola serpente...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O DIA ESTÁ ACORDANDO... BOM DIA!!!

O dia está acordando
um pouco depois de mim
eu olho para ele
e me pergunto ansiosa
como será?
Terei alegria maior
que aquela de ontem
voando juntinho de alguém
para bem longe?
Não é possível repetir.

Só os dias se repetem
um após o outro
você vai selecionando
os que quer lembrar
ou esquecer.

Um montinho pra cá
um montinho pra lá
depois é só deletar.
Ah! se fosse fácil assim
mas existe vida!

Então pra que desesperar?
Cada manhã de sol ou chuva
é um presente que Deus nos dá,
vamos acolhê-la com amor
e torná-la mais bela.
Só nós podemos, só nós
mas é divino esse poder
que eu e você temos
de tudo melhorar
de um novo dia moldar.

Pegue a sua argila,vamos lá
não fique parado pensando
vá fazendo, lentamente
retocando, acreditando
vai ver que belo dia terá!