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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SEM AMOR A VIDA FINDA

As ilusões se vão...Vão de repente...
E de repente surge a realidade,
Que faz-me compreender que não é tarde,
Para ter fé e prosseguir em frente.

Mais realista agora e consciente,
De que do ontem só restou saudade,
Não vou me consumir na ingenuidade
De querer reviver o inexistente.

Nem vou chorar a mocidade ida,
Pois outro é agora o ponto de partida,
Para eu sonhar e ser feliz ainda.

Porque sem sonho o ideal fenece,
Sem ideal o amor desaparece
E sem amor, por certo, a vida finda.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O TEMPO SE VAI

Já foi o tempo em que no tempo havia,
Bem maior tempo para tempo darmos,
À família, aos amigos e notarmos
Mais as belezas que nos traz o dia..

Mas hoje a vida impõe-nos correria
E esta faz, no tempo, naufragarmos,
Sem que nos deixe, em tempo, observarmos
Que o próprio tempo se nos distancia.

As energias vão-se e ao darmos conta,
De que a velhice rapida desponta
Com a noite que nos vem desestrelada:

Vamos bem tarde lamentar... porque
Tanto fizemos, mas notamos que,
Da vida mesmo não vivemos nada.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

OUVE, VEJA E REFLETE!

Olha quantas pessoas vivem em pranto,
Nesse espaço em que a vida se transcorre;
Quanta esperança , a cada instante , morre,
Frente a dor, a angústia e ao desencanto.

Ouve quantos gemidos causam espanto,
Quando a saúde, de um corpo, corre;
Quantas crianças, que ninguém socorre,
Tremem, nas noites frias, sem um manto.

Ouve, veja, reflete e vai sentindo,
Que se estás se movendo, vendo e ouvindo,
Há outros que não tem a tua sorte.

Então levanta os olhos e agradece,
E não penses que és tu que só padece,
Pois muitos, nesse instante, estão morrendo.

domingo, 22 de novembro de 2009

QUANDO EU ME FOR

Quando eu me for para o azul do Espaço,
Num cantinho qualquer desse Universo,
Quero de lá fazer somente um verso,
Mais bonito de todos, que aqui faço.

Mostrarei sem reservas, passo a passo,
Que lá junto da paz tudo é o inverso,
Deste mundo caótico e perverso,
Onde o ódio conduz-nos ao fracasso.

Não quero recordar lá, desenganos,
Que me causaram os seres desumanos,
Aos quais, um dia, as mãos eu estendi.

Nem quero me lembrar das amarguras,
Tão pouco ouvir falar nas desventuras,
Que por amar demais aqui sofri.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ANTES QUE A VIDA PASSE

Há tanta gente trôpega e caída,
Ao seu redor que já não mais persiste
Na luta, por sentir que não existe,
Mais condição para encontrar saída.

Conforte então a alma deprimida,
Console a quem padece e vive triste,
Ampare aquele que já não resiste,
As cruciantes provas desta vida.

Se faz o bem, esqueça o que tem feito,
Se não o faz, procure dar um jeito,
De o fazer antes que a vida passe.

E aí verá então que tudo muda:
O pranto seu em riso se transmuda
E no seu coração Jesus renasce.

OS DOIS VELHOS

A velha casa há tempo ignorada,
Quase tragada pelo matagal,
Era habitada por um velho pobre,
De alma nobre, pura e elevada,
Que por motivo algum fazia o mal
E, antes de morrer, por fim descobre:

Que a vida não é bela por riquezas,
Nem é gostosa por se ter conforto,
Nem é valiosa por qualquer poder,
Nem por título algum, nem por nobrezas,
Porque ninguém depois que estiver morto,
De nada gozará deste viver.

Pensava assim no leito abandonado,
Onde ninguém aparecia agora,
Para lhe dar um simples copo de água,
Mesmo depois de ter sempre ajudado,
Andantes que por lá passavam outrora,
Mas não tinha por isso qualquer mágoa,
Por ter o coração reconfortado.

Sem que soubesse, num hospital famoso,
Não tão longe dali, lá na cidade,
Um outro velho triste agonizava,
Mesmo que sendo rico e poderoso,
Mas que não tinha feito caridade,
E aos humildes todos, desprezava.

Esse rico senhor tendo assistência,
Dos mais famosos médicos sofria,
Tanto pela dor física quanto d'alma,
Pois forte lhe queimava a consciência,
Porque dos que judiou agora via,
Á sua frente a lhe tirarem a calma.

Interessante é que na mesma hora,
Ambos deixaram a Terra e num instante,
Chegaram aos seus lugares no Infinito.
Talvez entre o que é feio o rico chora,
E o pobre bom, alegre e triunfante,
Pode estar vendo tudo o que é bonito.

Diante dessa Lei irrevogável,
Que Deus deixou expressa claramente,
Que ninguém muda, eu meditando fico,
Que deve ter se dado o inevitável:
O rico transformou-se em indigente
E o pobre, de imediato, fez-se rico.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O SORRISO

O sorriso é uma chave interessante,

Que abre portas de difícil acesso,

Nos permitindo quase sempre o ingresso,

Até a um coração recalcitrante.



O seu poder é algo impressionante,

Pois o amor à vida, nele expresso,

Desfaz num ambiente, com sucesso,

Todo o pesado ar ali reinante.



O riso evita um "não", uma indiferença,

Uma agressão, um xingo ou desavença,

E até a ofensa que nos traz desgosto.



Ah... Se todos sorrissem... Que beleza!

Em olhar algum veríamos tristeza,

Mas só bondade e amor em cada rosto.

O POETA E A REALIDADE

O poeta não foge à realidade...
Sente o mundo qual é, amargo e triste,
E, vezes tantas, quase não resiste,
A usara, a frieza e a leviandade.

Vê a fome, a doença, a impiedade,
A podridão imensa que existe,
E condoído a soluçar assiste,
O avanço incontido da maldade.

Mas ele pensa: "Ainda há esperança?
"Será que um dia pode haver mudança"?
E confiante então responde: "Sim!"

Por isso evita comentar desgraça,
Canta belezas onde o feio grassa,
Para evitar da humanidade o fim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MINHA VIDA É ASSIM

Nas esquinas da vida dou trombadas,
Com tristeza, alegria, risos, prantos;
Com dores, com belezas, desencantos
E mesmo até com horas conturbadas.

Mas não paro jamais nas caminhadas,
Que faço pelos múltiplos recantos
Da existência, pois sei que me são tantos,
Também os bons momentos nas jornadas.

Meus passos são bem firmes... Não vacilo,
Vou confiante a caminhar tranquilo,
Mesmo que às vezes sinta-me perdido.

Quem não luta vitória alguma canta,
Quem desanima e cai, não se levanta...
E quem não se levanta está vencido.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cante Sempre

Cante - sem mais tardar - o encanto da poesia,
Que existe em cada canto, por mais simples seja;
Cante o soprar da brisa que, durante o dia,
Refresca o rosto seu, quando o suor goteja.

Cante até mesmo a dor, porque a dor ensina
A sua alma a ser mais destemida e forte;
Cante a fonte que corre pura e cristalina;
Cante o viver enfim, antes que chegue a morte.

Cante tudo o que possa, pois o canto é prece,
Que chega junto a Deus e novamente desce,
Em forma de alegria e paz ao coração.

Cante para esquecer os próprios sofrimentos;
Cante para livrar-se dos maus pensamentos;
Cante que após seu canto vai ouvir canção.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

IR E VIR, ESTA É A LEI

Somos viajores sim, aqui na Terra,
Com um visto de curta permanência,
Para ganharmos mais experiência,
Nas grandes lutas que esta vida encerra.

Viemos para cá de outra Esfera
E por certo aportamos com a bagagem,
Que para lá levamos, de outra viagem,
Que aqui mesmo fizemos, noutra Era.

E voltaremos sempre, até que um dia
Recebamos a Carta de Alforria,
Pelo último ceítil que pagarmos.

Mas enquanto houver dívidas teremos
Que regressar... Contudo não sabemos
O que será nós quando voltarmos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

QUEM É, NÃO DIZ QUE É

Não fales que perdoas se, no peito,
Trouxeres, do rancor, qualquer resquício...
Se, em tua mente, houver qualquer indício,
Do mal que, um dia, alguém tenha-te feito.

Não digas ter amor se não te importas,
Com os que padecem e te procuram ansiosos...
Se vives junto, apenas dos ditosos,
E os desesperançados não confortas.

Não digas, ser cristão, de boca cheia,
Se ainda falas mal da vida alheia,
Se cultivas, em ti, qualquer má fé.

Mostra o que és, apenas por teus atos;
Palavras são palavras, não são fatos;
Quem é, não diz que é... Apenas é.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Ainda Quero da Vida, Sim...

Inda, da vida, tanta coisa quero,
Pois enquanto vivermos há desejos,
Há sonhos, esperanças e tanto almejos,
E os meus projetos realizar, espero.

Quero escrever mais versos de ternura;
Quero fazer poemas de esperança;
E otimismo deixar, em minha andança,
Por este mundo cheio de amargura.

O dia em que eu quiser não querer nada,
Serei apenas sombra projetada,
Na tela deste muito o que fazer.

Vou me sentir um ser triste e perdido,
Que veio à Terra só por ter nascido,
E que já morto está, sem perceber.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Realidade é realidade

(Depois dessa vou ser apedrejado,
não mais lido, mas não sei fingir)

Ergo a taça do amor, num brinde à vida,
Na festa do prazer por estar vivendo;
Por ter vencido e ainda estar vencendo
O tempo, nessa etapa de partida.

Lastimo sim a juventude ida,
Quem diz que não a lastima está querendo,
Enganar-se a si mesmo, e vai sofrendo
Com essa tola afirmação fingida.

Mas aceito sem dor minha velhice,
E jamais cairia na tolice,
De afirmar ser ainda, o que não sou.

E existe homem, por aí ,que inventa,
Que é bom de pega após os seus sessenta,
Porque não aceita o que já terminou.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O QUE SE FOI... SE FOI!

É bom lembrar a juventude ida,
Mesmo sabendo que ela já está morta,
Pois ela foi quem nos abriu a porta,
De nova etapa para ser vivida...

Mas sofrer? Não!!! Por sombras projetadas,
Na tela de uma mente saudosista,
Que busca apenas dor e se contrista,
Por não fazer voltar coisas passadas.

Buscar o que não existe, é utopismo...
Viver o agora é puro realismo;
É sentir o sabor da realidade...

Pois cada novo dia é uma esperança;
Cada dia que vai deixa lembrança;
Cada lembrança traz uma saudade.

sábado, 19 de janeiro de 2008

EU CREIO SIM...

Eu creio num "amanhã" menos sofrido,
Que este "hoje" mergulhado em dores,
Trazidas pelas guerras e seus horrores
E pelo o exclusivismo desmedido.

Eu creio num "amanhã" de esperança,
De bondade, de paz, de amor fraterno,
Que, de vez, exterminem com esse inferno,
Que nos deram os erros, por herança.

Eu creio: " hão de surgir abstenções,
Das ganâncias de posse, entre as Nações,
E da frieza vil que se espalhou"

Mas só virá esse "amanhã" radiante,
Com o ressurgir do amor ao semelhante,
Que, há tempo, o egoísmo sufocou.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

VOCÊ QUER SER FELIZ?

A existência é tristeza quando o pranto,
De turvar nosso olhar nunca desiste,
À tanta coisa bela que ainda existe,
Nos esperando em quase todo canto.

Pode ser riso a vida ou ser gemido;
Pode ser esperança ou desengano;
Pode ser má se, em nosso cotidiano,
O coração, na dor, ficar retido.

Sinta a bênção que traz-lhe um novo dia!
Respire livre ao refrescar-se ao vento;
Cante canção de amor; faça poesia.

O tempo não tem volta, só tem ida...
Não o gaste, sequer num só lamento,
Para não ir morrendo enquanto há vida.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

NÃO ME DIGAS: " TE AMO".

Não me digas: " Te amo loucamente!"
Porque a palavra é apenas ressonância,
Que se perde, com o tempo, na distância,
E cai no esquecimento facilmente.

Prefiro um abraço sem nem um ruído;
Um beijo sem sussurros de promessa;
O teu olhar que quase sempre expressa,
O desejo que trazes escondido.

Não fales que me adora e que me almejas,
Entregas-te em meus braços simplesmente,
E me demonstres quanto me desejas.

Se me disseres qualquer coisa agravas
O nosso idílio... E tenhas sempre em mente,
Que um suspirar diz mais que mil palavras.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

EXEMPLO DE UMA CRIANÇA

A poça d'água refletiu meu rosto,
Naquela tarde, após a chuva ida,
E eu, naquela imagem refletida,
Quedei-me pasmo ao ver tanto desgosto.

"Por que ?"- Pensei - " Morreu o meu sorriso,
Por que deixei eu de entoar canções,
Por que sumiram as minhas ilusões,
Se hoje tenho mais do que preciso?"

E assim a meditar, fui caminhando,
E, de repente, numa casa olhando,
Um menino avistei, rindo a correr.

E compreendi, então, porque sofria:
É que a criança que em mim vivia,
Eu expulsara sem nem perceber.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

MORREREI SEM ENCONTRAR?

Quem dera eu encontrasse alguém,
Que sonhasse o mesmo sonho meu,
Cantasse, como eu, a mesma canção de vida,
Em ritmo de paz;
Ouvisse, como ouço,
Solfejos de sonho, no sussurrar da brisa!
Ah! Se alguém viesse comigo,
Sentir o primeiro beijo do sol,
Numa manhã virgem de tristeza
E pródiga de paz!
Mas quem virá ficar com um poeta,
Que sonha sem precisar dormir?
Que deseja alcançar apenas uma inspiração?
Que, em delírio, vê o mundo como um paraíso?
Que deseja amar e ser amado,
Mais do que o amor exige?
Ninguém virá perto de um poeta
Que ainda namora a lua
E sonha com as estrelas;
Que sente no amor,
Algo mais que a passageira satisfação
De seus desejos...
Que ainda ama à moda antiga,
Quando um simples beijo
Representava a felicidade,
De receber e de transmitir,
A paixão contida no silêncio da alma.