Realidade é realidade
(Depois dessa vou ser apedrejado,
não mais lido, mas não sei fingir)
Ergo a taça do amor, num brinde à vida,
Na festa do prazer por estar vivendo;
Por ter vencido e ainda estar vencendo
O tempo, nessa etapa de partida.
Lastimo sim a juventude ida,
Quem diz que não a lastima está querendo,
Enganar-se a si mesmo, e vai sofrendo
Com essa tola afirmação fingida.
Mas aceito sem dor minha velhice,
E jamais cairia na tolice,
De afirmar ser ainda, o que não sou.
E existe homem, por aí ,que inventa,
Que é bom de pega após os seus sessenta,
Porque não aceita o que já terminou.

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