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domingo, 5 de dezembro de 2010

SOBRE O NATAL

De bambinelas e de cobertas coloridas,
se enfeitam as janelas;
e as casas enchem-se de luzes, parecidas com elas.

Na cozinha vai um grande rodopio,
de volta das refeições;
escutam as crianças histórias, cheias de emoções.

Todos saem para comprarem os presentes;
as lojas estão cheias;
e as prendas ficam dependuradas, dentro das meias.

O bom velhinho virá de trenó, com seu
gorro vermelho;
trará brinquedos aos molhos e até um espelho.

E de manhã há uma grande alegria e uma enorme
emoção;
que palpitando vai e vem dentro de cada coração.

É que todos querem ver o que lhes calhou em sorte,
no meio de tanto papel;
e a criança segura na mão, ora o brinquedo ora o cordel.

E no chão da casa, ergue-se uma distinta cidade,
com peões e passadeiras;
sirenes de brincar, desenrolando mangueiras.

Todos estão felizes, menos um menino, que espreita
pela vidraça;
vendo lá fora um mendigo enregelando na praça.

Lembremo-nos, que o Natal é para todos, não só para
alguns quantos;
quem dera um sorriso. se os mendigos não fossem tantos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

AMIGOS INSEPARÁVEIS

Numa amizade desde que se lembram
traz estas duas crianças em forte abraço
para contemplarem o nascer do sol
que explode em cores e fragrâncias vindo
detrás da linha do horizonte, lá mais em baixo.

Estão extasiadas por tanta beleza e marcam
a sua amizade com um doce aperto, que as
faz mais fortes e unidas, com histórias para
contar aos seus amigos, quando a manhã
largar asas e voar por si mesmo, deixando-os

maravilhados com todas estas cores e olores
que se despregam do etéreo e lhes entra
pelos olhos limpos adentro, num abraço
que diz bem de sua cumplicidade desde
tenra idade em que por amigos se chamaram.

Que bonito quadro que nos faz extasiar, duas
pequenas sementes nunca se separando
no caminho que escolheram para si,
e, pousando o braço no ombro, um do
outro, a emoção torna-se mais real e precisa.

Amigos inseparáveis de mãos dadas regressam
pelo mesmo caminho de sempre, voltando
para casa, num último abraço, pelo dia de hoje,
em que viram e sentiram mais uma manhã
a nascer bem de frente de seus olhitos inocentes.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS CHUVAS

Inverno de meus sonhos
tempo cinza anunciando
chuva que vem detrás do rio
em seu caudal movimentado
onde se agigantam ondas
e meus olhos rasos de água
esperam a fartura das chuvas
cobrindo todo o espaço vazio
que no etéreo se funde.

Primeiro são as nuvens em
suas formas geométricas
que se perfilam até serem unas
e ao longe o trovão zurze
com ventos de dobrar folhas
nas árvores altaneiras e tudo
é um redemoinho até
que as águas caem cheias de
esperança na terra ressequida.

O cheiro a molhado que se
levanta da terra encharcada
é um bálsamo para as minhas
depressões da época
e posso ver como cada planta
e animal se prepara para receber
a bênção dos céus
com caracóis com suas casas às
costas investindo toda a sua pujança.

Passo horas à janela vendo os rios
e afluentes que estes desenham
nos vidros circularem livremente
enquanto eu visto de fora pareço
chorar as mil águas que caem
abundantemente nos jardins onde
descansa a flor desígnio de meu
amor formulado num dia de sol
e agora reafirmado com as chuvas.

Ah, inverno, mas como, tu aqui,
onde o sol tem primazia? Bem-dita
a hora de tua chegada para colorir
meus dias de gris e ver o outro lado
do sol, que agora descansa até à
próxima primavera, escondendo
seus raios para lá da linha do horizonte
onde eu descanso meu ser cansado
em secreto imaginário.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

NOVO AMANHECER

Amanheço para a vida com um sorriso.
Na palma da mão trago os amigos,
jovens, crianças, que trazem lado a lado
consigo, em manhãs de primavera,
o esplendor do sol, que alto brilha e o
espanto da descoberta a cada instante.

E vamos brincar um jogo eu por eles e eles por
mim. E em travessuras próprias destas idades
ainda tão tenras e surpresas, a cada novo
despertar, colorem os céus de imensos
papelinhos. E em cada mão de criança
uma adulta não esqueceu, de com elas brindar.

Crescendo em pura harmonia com o que lhes
rodeia, meus amigos, jovens, crianças, são sãs
e acreditam no Homem, apenas não entendem
certos comportamentos de alguns adultos, que por
serem maiores de idade pecam por não ganharem
asas e voarem, rumo ao sonho madrugador.

Ah, meus amigos, eternas crianças, com que se
passeiam de mãos dadas, nunca mudeis vossa
postura e vosso ser integro, se somos adultos,
então deixai que a criança que há em nós reja
nossos anseios e posturas, para que amanheçamos
para a vida com um sorriso, na palma da mão.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

SEI LÁ

Ainda que por vezes em meu trilho errante
sem saber qual o alcance de minhas palavras
e se estas surtem efeito ante os que escutar
se demove, escondidos e sem voz,
dos amigos o caminho a descobrir é motivo
de orgulho e de honra em cada palavra dita
depositando-me a mais pura das amizades.


Quem me dera estender-lhes uma corda de
músculos e dignificar uns e outros ser nervos
e coração que a qualquer momento desse alento
a suas vidas e assim se sentissem valorizados e
importantes perante uma sociedade que se
esqueceu de todo o valor dos sentimentos de onde
um simples estender de mão tinha significado maior.


Caminho errante entre tragédias, geadas e degraus
de escadas, onde dormem moribundas várias famílias
que fizeram da rua seu lar e do céu o seu tecto, que não
as cobre das intempéries, sendo que as de alma neste
processo jurídico-legal agridem muito mais, tal qual
animais enjaulados. E embora eu tenha amigos que se
preocupam comigo e me comovem, como a paz aqui?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DOS QUE CAMINHAM SEM OLHAR

Meus olhos cegos pela indiferença
dos que caminham sem olhar para os lados,
onde dorme o silêncio e a escuridão
da pobreza, com seus infantes quase nus,
sujos, numa esquina qualquer, de braço
esticado e mão pedinte, aos que passam
apressados, suplicando uma esmola,
um pouco de atenção, roubada desde bem
cedo pelo estigma dos senhores abastados.


Meus olhos tolhidos pelas lágrimas dessas
crianças desafortunadas, repartindo o pouco
que lhes resta com os mais novos, caídos em
prantos de dor, porque a fome é muita e o
cuidado não chega para satisfazer todos,
mais ?alimenta? minha repulsa para com as
pessoas, que não têm um golpe de asa,
revoltando-se contra tudo que é inumano,
pondo um sorriso nos lábios destes meninos.


E um imenso nó tolhe minha garganta por
completo, deixando-a seca e áspera e meu dorso
verga-se ante o peso no espanto de quem
nada faz.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

COISAS DE UM MUNDO PERDIDO

Ao som de harpas celestiais, comendo
ambrósia, e, de leite fresco, saciando
minha sede, no cimo de uma montanha
sagrada, com rios de mel, correndo
livremente, entre jardins suspensos,
onde vagueiam, sem pressa, miles
de animais, neste pedaço de rocha,
paradisíaca, juntas-te a mim,
sempre de sorriso, nos lábios cereja,
e, eu abro espaço, para que tu, minha
deusa, ocupes o teu lugar, só a ti destinado.


Chegas formosa, pés descalços, na erva
rasteira, soltando teus cabelos, à altura
da cintura, enfeitada, de lenço escarlate.


E, penteias-te demoradamente, com
um certo prazer, que, alindando, vai,
teu belo rosto ancestral mas sempre jovem.


Gozando tudo, a que temos direito,
nesta pequena redoma, para onde nos
lançaram, descanso não há, pois que, a todo
o instante, centenas de crianças, vêm-se
prostrar, a nossos pés, pedindo, a seu
gosto, que lhes contemos histórias, atrás
de histórias, sobretudo aquelas, em que
é retratado, o fim do Mundo e do Homem.


Para não mentirmos, às crianças,
levámo-las, descendo pelo arco-íris, até ao
que um dia, se chamou, de Planeta Terra,
para que, com seus próprios olhos, pudessem
ver, toda a destruição, que ali reinou e imperou,
século após século, até ao assassinato, de tudo,
o que um dia respirou e teve descendência,
consagração final, do que conhecíamos por vida.


Impressionadas, com a devastação, de toda a
vida humana e animal, plantas petrificadas, no
chão ressequido e árvores, mais os sulcos, por
onde um dia, correram rios e mares, a falta de
oxigénio e os prédios, em absoluta degradação,
fê-las querer regressar, e, ganhando asas,
no dorso, voltamos todos, à Terra dos justos.

sábado, 6 de dezembro de 2008

SOBREVIVENTE

Por entre as brumas mais densas,
ziguezagueando pela floresta,
trazendo atrás de si o frio, que tudo
desmembra e nos deixa alucinados,
alheia me pareces, às agruras do
tempo inóspito, e entrando na água,
de um rio ali perto, banhaste em
êxtase, tendo o silêncio a teu lado.



Fascinado com tal visão e um tanto
perplexo, pergunto-te se não há frio,
que te perturbe, vendo-te acolher as
águas gélidas, como algo de natural,
tendo à tua volta, neve e nevoeiro,
que até os pobres dos animaizinhos,
se recusam a enfrentar, preferindo
a segurança e o quente de suas tocas.



Relembras-me que és filha da natureza,
e que todas essas coisas banais, que aos
homens fazem recuar, são para ti parte
integrante de tua vida, tua casa sem fim,
por onde percorres os teus passos,
enaltecendo a beleza, que te viu nascer,
entregando-te à água, terra, ar e fogo,
na mais das sublimes e verdadeira entrega.



Como tudo o que é natural, assim és tu,
sem mostrar qualquer tipo de pudor,
que te arranque cerce a raiz da liberdade,
que é tudo aquilo porque tu prezas e lutas,
de há muito a esta parte, quando a vida,
a certa altura, resolveu ser cruel contigo,
deixando-te numa luta a sós, até te levar,
longe da vista, a clarividência da natureza.



Haverias de voltar, solene, à mãe de tudo,
ultrapassadas as contingências e agoiros
mil, que te tentaram derrubar sem pejo
algum sem dó nem piedade, fruto da malsã,
de gente má, que, não conseguindo, tua
heresia, lhes ficou o espanto, por recordação,
quando agora, reconquistada a tua vida,
passam por ti e reparam que, enfim, cantas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

QUANDO ACORDAMOS PARA A MANHÃ

Acordo para a manhã, com um sorriso no rosto.
Diria, de firme convicção, que esse sorriso é mais
teu do que meu. Tamanho sorriso, que deixaste
eternizado em mim, em tudo que faça ou pense,
pois que tudo é sempre dirigido a ti, enquanto lá
fora, as flores te saúdam, ao te debruçares na
janela, vendo os pássaros depenicar, pequenas
migalhas, que vamos deixando, assim, aqui e ali.

Raia alto o sol, aquecendo-nos corpo e alma.
E, nossos corações, tal qual, cavalos loucos,
percorrem sôfregos, as margens de nosso peito,
numa busca insistente, de verdejantes planícies.
E entre sândalos, malmequeres e belas papoilas,
resolvemos parar por um instante, desfrutando
de beleza impar, sossegando eis nosso almejar,
que não deixamos, por um instante sequer.

Sem mais nada no chão e o cheiro a terra, bem
a nosso lado, misturando-se com mil fragrâncias,
que se vão soltando da erva e das flores, próprias
do lugar, onde nos encontramos, pois resolvemos
deitar-nos, e, de cada nuvem, fazer do imaginário,
uma realidade, só a nós visível. E por cada desenho,
que construíamos, uma risada se sobrepunha a nós,
e nos amamos mais e mais, por nos completarmos.

Ah, minha senhora, e nem precisamos, de sair de
casa, para gozarmos de tudo isto, que tudo está
dentro de nós, amparado e impulsionado, pelo nosso
grande amor, que sobe píncaros, vai natureza adentro,
mergulhando no mar de teus olhos, nada subtraindo,
que a sinceridade e a verdade é connosco.
E a manhã, ainda se faz sentir, embora nos sintamos
cansados, pela viagem encetada, ao som de um beijo.

domingo, 16 de novembro de 2008

SOBREVIVENTE

Por entre as brumas mais densas,
ziguezagueando pela floresta,
trazendo atrás de si o frio, que tudo
desmembra e nos deixa alucinados,
alheia me pareces, às agruras do
tempo inóspito, e entrando na água,
de um rio ali perto, banhaste em
êxtase, tendo o silêncio a teu lado.



Fascinado com tal visão e um tanto
perplexo, pergunto-te se não há frio,
que te perturbe, vendo-te acolher as
águas gélidas, como algo de natural,
tendo à tua volta, neve e nevoeiro,
que até os pobres dos animaizinhos,
se recusam a enfrentar, preferindo
a segurança e o quente de suas tocas.



Relembras-me que és filha da natureza,
e que todas essas coisas banais, que aos
homens fazem recuar, são para ti parte
integrante de tua vida, tua casa sem fim,
por onde percorres os teus passos,
enaltecendo a beleza, que te viu nascer,
entregando-te à água, terra, ar e fogo,
na mais das sublimes e verdadeira entrega.



Como tudo o que é natural, assim és tu,
sem mostrar qualquer tipo de pudor,
que te arranque cerce a raiz da liberdade,
que é tudo aquilo porque tu prezas e lutas,
de há muito a esta parte, quando a vida,
a certa altura, resolveu ser cruel contigo,
deixando-te numa luta a sós, até te levar,
longe da vista, a clarividência da natureza.



Haverias de voltar, solene, à mãe de tudo,
ultrapassadas as contingências e agoiros
mil, que te tentaram derrubar sem pejo
algum sem dó nem piedade, fruto da malsã,
de gente má, que, não conseguindo, tua
heresia, lhes ficou o espanto, por recordação,
quando agora, reconquistada a tua vida,
passam por ti e reparam que, enfim, cantas.

sábado, 15 de novembro de 2008

CULMINAR DE UM GRANDE AMOR

Vestindo carmesim, lenço na cabeça,
nas mãos um belo ramo de flores variadas,
cabelo apanhado atrás, bem mais
confortável, ao calor que insiste, explorando
toda a sua grandeza; róseo rosto, que
empalidece, todos os jardins, por onde passas,
assim te vi, embevecido, descendo as escadas,
de tua humilde casa.


Tua graça de mulher, fez com que meu coração
batesse mais rápido, e, vendo-te, descendo as
escadas, numa perfeita sintonia, fiquei meio sem
jeito, para abrir minha boca e deixar-te meu
galanteio, frémito e suspiro, retratando fielmente
a beleza, de teu bonito ser.


E enquanto desces as escadas, formosura de
todas as formosuras, de passo certo e sem
hesitações, guardas-me nos olhos e um sorriso
aflora naturalmente, em teus lábios, num real
cumprimento à minha pessoa, dizendo-me como
me encontro bonito, de fato azul e lenço branco
no bolso, em contraponto, com a alva brancura,
de teu vestido de noiva.


Apanhando-te, no último dos degraus, dou-te
meu braço, acordando para o mundo e retendo
em mim, as mil e uma fragrâncias, que cobrem
teu real ser, e, assim, caminhamos, por entre as
gentes, que não dispensaram, momento único.


Já dentro do carro de luxo, que, aguardando por
nós, se manteve a uma sombra, todo ele cheio
de efeitos, agrado de amigos e familiares, enfim,
partimos, descendo a estrada, em direcção à
cidade grande, onde nos esperava, simbólicas
palavras, culminar de um grande amor, que já
não conseguíamos controlar, e, as lágrimas, não
se contiveram, enquanto o carro, com custo,
tentava chegar a seu destino.

TÃO LONGE E TÃO PERTO DE TI

Embora pouco convidativo, espreitar pela
janela aberta, de meu quarto, devido ao frio,
não há nada que me impeça de fazê-lo, ante
a estrema beleza, que meus olhos, parecem
não se acostumar, perscrutando a natureza.

No rosto uma brisa fresca, faz-me mexer,
de cá para lá, tentando manter a fria face
quente, e, assim, poder finalmente, urdir
com meus olhos, a paisagem, que se
debruça, sobre meu ser, exigindo minha
presença, ainda a madrugada, traz consigo
resquícios, de mais uma noite passada.

Ressequidos jardins, cheios de róscido e de
flores caídas pelo chão, anseiam um pouco
de sol, que já se vislumbra, num vermelho
forte, sobressaindo da linha do horizonte,
que descansa, noite dentro, detrás do rio.

E quando, finalmente, o sol explana e doura,
tomando força, por entre o azul do céu e o
verde do rio, algumas plantas mais resistentes,
levantam-se de sua letargia e colorem os
pequenos cantos, dos campos cultivados, na
ida primavera, deixando-nos um pouco de sua
graça, onde se lhe juntam louva-a-deus e as
joaninhas, caçando em sua subtil leveza.

E logo penso em ti, em como poderias estar aqui,
vendo o que eu vejo, em perfeita sintonia, com
tudo o que me rodeia. E pinto quadros, que mais
tarde te dou a mostrar, pois só assim, teu nome,
numa mímica de lábios, em silêncio, por mim
será soletrado, rosa, de todas as rosas, meu sol.

Olhando, seguidamente, as águas do rio, mais
em baixo, viro meu rosto, por cima de meu ombro,
e tento, inutilmente, ver um pouco, de um Oceano,
que, impavidamente, tudo separa, o que para nós
tem de mais bonito. E, perguntando, à vil distância,
que faz, quem longe está e ama, respondeu-me:

apaixonado, amigo, repara, que não há Oceano,
que se interponha entre um amor, só o dito amor.

DO SONHO À REALIDADE É UM PASSO

Correr atrás de um sonho, é simplesmente
chegar à realidade, que esse sonho nos promete.

Emirjo desta verdade e nado, a mar aberto,
pois sei que alcançarei terra, e nada será como antes.

Pisarei solo firme, e, meus olhos, alcançarão ainda
mais longe, com destino marcado, em cada amanhecer.

Tudo que é vero, mora comigo, o tempo apenas tem
seu tempo, para me encaminhar ao fruto desejado.

Roda o mundo sem parar, roda, gira, qual bola colorida,
entre as minhas mãos, tal qual o mundo, acompanhando-me.

Porque desistir de sonhar, nunca, pois em cada horizonte,
espera-me a felicidade, aquela que tornei realidade.

E a realidade, nascida de um sonho, diz-nos de nós,
como algo inevitável de existir, permanecendo eternidade.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ÉS TUDO PARA MIM

Não interessa o tamanho do poema,
tão pouco se meus versos enchem a
folha, quando é de saudade que falo,
a saudade de não te ter a meu lado,
dizendo-me palavras de puro ânimo.

Não sei estar sem ti, amor, que, logo,
tudo me parece estranho e sem ter
sentido algum. Meu contentamento
só se faz sentir, quando tu chegas, e,
me dizes: eis-me aqui, para te amar!

E qual cavalo louco, correndo em meu
peito, mostrando sua alegria, num
frenesim de sentidos, que eu colhi, ao
longo dos tempos, em que contigo estou,
sinto-me descer à criança, que há em mim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DO SONHO À REALIDADE

Tivemos tantos sonhos, junto à praia,
levanta-mos tendas, e, os beijos, não
foram poucos, enquanto promessas
se juntavam, aos medronhos e urzes.

Falávamos de revoluções e guerrilhas
e, a liberdade, surgiu um dia, na rua;
cabelos soltos cantamos, flor na mão,
e, levamos nossa canção, prás dunas.

Ao longe, no horizonte, plangia velha
guitarra e bandolins; cobertos os pés
ao frio da noite de novo recordações
deixaram-nos ébrios d’alegria, ganho.

Eis, os beijos e os abraços, não foram
poucos, e, voltamos, a erguer tendas
agora mais cientes de nossa utilidade
juramos aí nunca mais ser ultrajados.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

ESSE MÊS DE JUNHO DE 2007

Na doce inocência, de nosso encontro
nas palavras faladas, ao som do coração
desde logo longo caminho descortinamos
e seria sempre nosso, por nossa assunção.

Jamais hei-de esquecer teu imenso carinho
numa tarde, que podia ser igual às demais
onde o teu ser sereno, despertou encanto
a cada verso dito, que eu ouvira sequer jamais.

Tudo em mim era novidade, e, sem te ver ainda
nem conhecendo teu rosto, eras pra mim sonhado
ensejo, que não mais deslustrei nem de proteger
deixei, pois, que me sentia assim, apaixonado.

Recordar é fazer do passado, mais do que o presente
tem de útil! Mas também é verdade, que a vida,
é feita de recordações, que guardamos, no cantinho
do peito, e, a lembrança, será por nós revivida

sábado, 27 de setembro de 2008

QUANDO FORMOS VELHINHOS

Um dia, quando já formos velhinhos,
co a ternura da vida, por companhia,
hei-de levar-te, no frescor da manhã,
as rosas mais bonitas, para te ofertar.

Teu primeiro gesto, depois do agrado,
será um leve rubor em todo teu rosto
com as palavras a fugirem-te sem ter
querer, e, longo beijo, então selamos.

Com toda a cortesia pedes-me pra vir
para dentro de casa, e, bem juntinhos,
um doce aroma toma conta do recinto,
co cheiro a bolinhos acabados de fazer.

Com a perícia de uma cozinheira, abres
o forno, e, minha vista, perde-se entre
as guloseimas, aguçando meus sentidos,
enquanto preparo as xícaras, com o café.

Bambinelas coloridas, abertas as janelas,
em silêncio tomamos o pequeno almoço,
podendo ver ao longe, animais pastando,
no fundo tudo o que desejamos para nós.

SOMOS O QUE SOMOS EM CADA GESTO

Somos o que somos, em cada gesto
praticado, revelador de nossa identidade
mais íntegra, à medida, que, a entrega,
se faz, sem dúvidas nem renúncias.

Não devemos ficar à espera, que, do
outro lado, sejamos correspondidos,
de igual forma, o importante é o que
deixamos, como o melhor de nós mesmos.

Essa é a maneira de caminharmos, de
cabeça bem erguida, pois que andamos
de mãos dadas, com a flexibilidade, de
nosso ser, sem vaidade nem egocentrismo.

A todos o respeito é devido, mesmo, que,
pelo caminho, escolhos surjam, a nossos pés,
com pessoas mais renitentes, a deixarem-se
soltar e a seus intrínsecos sentimentos.

Contudo não devemos exigir a nossa maneira
de ser nem de pensar, pois, a cada um, só
o tempo dirá, a estrada a seguir, para sua
felicidade, dos seus e da dos que o rodeiam.

E aqui não há credo nem cor, tão pouco a
barreira da linguagem, apenas e só uma
grande irmandade, compenetrada no que
à sociedade pode deixar, para seu crescimento.

E vejam como as crianças correm felizes,
sentindo-se protegidas, pelos mais velhos,
soltando todas as suas energias positivas,
alegria de quem olha e se sente responsável.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

QUANDO TE CONHECI

Quando te conheci, meus olhos cegaram
completamente. Apenas teu rosto lindo,
alimentava minha paixão, grata de querer,
que logo fiz, por descobrir, teu ser gente.

Minha vista assim encoberta, um receio de
perda, deixou que se instalasse, mas tuas
doces palavras acalmaram-me, e, surpreso,
meus olhos abriram-se, para a realidade.

Pura evidência se nos deparou e falamos
de tudo um pouco, desse amor recíproco,
que nutríamos um pelo outro - sem mais,
e nos envolvemos, mal nascera o instante.

Como em qualquer primeira abordagem,
certa timidez nos acompanhou mas a
sinceridade, que desde logo regeu o amor
declarado, rapidamente unos nos elegeu.

E tudo foi tão belo, quando ambos ao outro
dissemos que sim e que doravante seriamos
de nós mesmos, enfrentando tudo, para o
bem e para o mal, dia a dia, de nossos dias.

Hoje já não respiramos isoladamente, e, nada
é feito ao acaso, pois reina um grande esmero,
que acima de tudo é um respeito mútuo, que,
jogámos à terra, fundeamos raiz, de mãos dadas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

AINDA FALANDO DO PASSADO

Em toda a minha vida, vivi rodeado
de gente falsa, incluindo supostas
namoradas, apenas de olho na droga,
que eu possuía e tinham tal como algo
adquirido, julgando que trocar sexo por
droga, a isso tudo se resumisse e eu
estivesse disposto a tal facto.

Mal sabiam elas, de meu forte carácter,
e, muitas das vezes, precisei de ser
rígido na palavra, para afastar esta gente,
de minha vida, que, diga-se, de nada valia,
mas respeito à minha pessoa exigia, pois
que não me vendia, como a um qualquer
prostituto, só porque tinha poder nas mãos.

Nunca aceitei, como moeda de troca, nada
que tivesse sido roubado, embora até
entendesse as suas e a minha miséria. Mas
para mim era ponto assente: dinheiro numa
das mãos, droga na outra. Muito sorriso
forçado, máscaras e outras ignominias, eram
o meu pão de cada dia, ansiando minha dose.

Mas as contas, que tinha de prestar aos
superiores, foram deixando seus resquícios,
de anos e anos, mantendo-me controlado,
mas só por fora, que dentro doía e consumia,
meu corpo enfraquecido, onde sol e noite,
já não distinguia, no fluxo e refluxo de gente,
apenas com o mesmo intuito e fútil conversa.

Então resolvi fugir, levando-lhes a droga toda,
já que o trabalho era todo meu. E, quando a
súplica se instalou, senti-me ofendido e
manietado: caminhei em direcção ao Norte.
Longe estava eu de imaginar, que, tão longe,
me viessem a descobrir. Tudo perdoaram, assim
voltasse a trabalhar pra eles: não mais! Disse…

Agora estava por minha conta, acabara-se as
facilidades. E o que antes rejeitava, pois foi
caminho, por onde tive de enveredar. O mais
é triste e infame, para que eu aqui relate, mas
de nada esqueço e com isso vivo até hoje.
Nunca bati em ninguém, seria o mesmo que
fazê-lo a minha mãe, mas muito mal cometi.