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quinta-feira, 11 de junho de 2009

ABDUZA-ME!

Abduza-me, criatura espacial
e transforma tua nave num corcel.
Vou galopar pelos campos siderais
porque eu quero estar perto do céu.

Faz-me criança no cosmos infinito:
quero brincar com as tranças do luar,
pôr de mãos dadas todos os planetas
e nas caudas dos cometas, passear.

Torna-me pura num mundo evoluído
onde jamais se sofra qualquer dano,
onde a tristeza jamais seja presente
e onde eu perca a condição de ser humano.

Traz-me depois, na beleza de um ocaso
onde eu possa só de versos me enfeitar
e que no vale fugaz que me reclama
eu reaprenda a conjugar o verbo amar!

quinta-feira, 5 de março de 2009

TÃO HUMANO

Este meu coração
tão aberto e tão simples,
que nem mesmo se ouve
e nem mesmo se sente,
de tão largo e tão mudo,
tornou-se descrente.
Quantas vezes o vi
a doar-se e calado,
afastar-se chorando
por não ser percebido.
Este meu coração,
tão aberto, tão simples,
tão humano e vencido!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

EQUILÍBRIO DO SER

O mundo precisa
de humanidade;
nós, do espelho-mundo,
para conhecermos
nosso próprio rosto,
limites e possibilidades.
Talvez, por isso,
sejamos diferentes
das coisas e dos animais
que estagnados
em seu estado bruto,
não têm projetos, não criam,
não desenvolvem processos.
Em nosso dia-a-dia
desafiamos o desconhecido,
queremos avançar... e para isso,
nos lançamos inteiros
em profundidades abissais
que causam espanto,
medo e angústia, dos quais
não podemos fugir porque
nos levam a descobrir,
criar, progredir...
O que nos engrandece,
se nada é belo,
se não existirem
os aplausos?
O que nos engrandece,
se nada ameaça,
se não houver o medo?
Aprendemos com
as quedas e os vôos,
atingimos o equilíbrio
quando perdemos
o medo das alturas
e dos horizontes infinitos;
quando abandonamos
o chão das fáceis certezas.
A recompensa dessa travessia
irremediavelmente chegará
mesmo quando cansados
e derrotados: vem da lição
extraída da própria
experiência adquirida,
o que já é uma grande vitória.
Romper com as fáceis certezas,
caminhar firme
diante dos desafios
e da frágil corda estendida
sobre o abismo
do nosso próprio ser
é o que nos leva à realidade,
coloca nossos pés no chão,
dá o perfeito equilíbrio.
O que nos engrandece,
se nada é belo,
se não existirem
os aplausos?
O que nos engrandece,
se nada ameaça,
se não houver o medo?

domingo, 6 de abril de 2008

Não me peças que te ame novamente

Não me peças que te ame novamente,
pois sei que chegará o amanhã,
e não terás amor para me dar.

Não me seduzas com teus doces beijos,
pois sei que na rotina da distância,
na lembrança, logo irás me sepultar.

Não me comovas com esse falso pranto,
não quero acreditar na tua lágrima,
e assim que saias, sei que ela secará.

Não me prometas mais os belos sonhos;
pois são somente sonhos, nada mais,
e o tempo sábio, logo os apagará.

Não me digas que o sol ainda existe;
não me importa o calor de suas chamas,
porque eu sei, só a noite ficará.

Não me faças mais loucas promessas,
nem me digas o que minha alma,
em desespero, quer ainda escutar.

sábado, 22 de março de 2008

PRECE

Segura-me em teus braços, meu Jesus,
Divino Pescador, porque eu neles,
serei o que Tu queres que eu seja,
fortalecendo a fé em Tuas redes.

São grandes meus pecados e são tantos,
que sinto o coração em desalinho,
lava-me as chagas e todas as misérias,
faz-me sentir de novo os Teus caminhos.

Renova-me na fé de cada dia,
transforma em alegria esta tristeza.
Não posso eu, mas sei que sim, Tu podes,
alavancar-me no poder de Tua grandeza.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

QUIS...

Quis ser de novo a bela primavera,
nos olhos e na boca a vida inteira,
para entalhar com a voz enamorada,
teu nome junto ao meu, numa madeira.

Quis ser o tempo para ser detido,
a fogueira e a paixão em minha face;
quis ser a cruz, o calvário e a sepultura,
do beijo que morreu sem consumar-se.

Quis ser o sangue que corre pelas veias,
para estancar a dor, torná-la amena;
quis ser a boca que cala e recrimina;
ser a palavra e o consolo para as penas.

No rasgado clamor de uma tormenta,
quis ser a paz para deter o gesto rude,
e nos meus passos do caminho poeirento,
mostrei o rosto do amor... mas eu não pude!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

ESPIRAIS

Como se afasta o navio, como se afasta!...
e decrescendo vai... e enfim, se perde.
Somente deixa fumaça em espirais,
ao deslizar por entre as ondas verdes.

Os que se amam já se despediram:
por longo tempo seus olhos se olharam
e enquanto as maõs trêmulas se uniam,
em silêncio, suas almas se beijavam.

No momento decisivo da partida,
não houve promessa nem algum agravo,
pois nos grandes instantes desta vida,
falam melhor os olhos que os lábios.

No porto, triste, ela ficou olhando
confusas formas daquelas espirais.
Ele não a via mas seguia acenando
um lenço branco... e ela não via mais.

Com o pensamento longe e aturdida,
tal qual acento de profunda queixa,
ela clamou baixinho entristecida:
eu sei que desta vez ele me deixa!

Assim se vai também a nossa vida,
assim se vão as horas de ventura,
deixando apenas na fugaz passagem,
recordações como espiral escura.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

FELIZ ANO NOVO, MÃE-TERRA!

Compensação suprema do Criador Eterno,
à humanidade que sonda os teus mistérios...
que inconseqüente, não pára e reflete
sobre o destino de um futuro incerto.



Que lacera o teu corpo com feridas,
saturando de dor tuas entranhas.
Desassossego daqueles que protestam
ante a dúvida e a incerteza do amanhã.



Ó minha Terra-mãe, o Universo inteiro
se rende ao teu alento exarcebado
com esse amor tão grande e verdadeiro
que até esquece os golpes do passado.



Que não durmas no total esquecimento
daqueles que se nutrem e se nutriram
do que foste, do que deste e ainda dás,
do teu seio, do teu sangue e do teu ventre.



A ti desejo nesses Novos Anos,
que os homens afinal, sejam conscientes,
encontrem a paz que tanto necessitam
e ouçam teus gritos dolorosos e insistentes!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

EQUILÍBRIO DO SER

O mundo precisa de humanidade;
nós, do espelho-mundo,
para conhecermos nosso próprio rosto,
limites e possibilidades.
Somos diferentes das coisas e dos animais
estagnados em seu estado bruto,
que não têm projetos, não criam,
não desenvolvem processos.
Em nosso dia-a-dia desafiamos
o desconhecido, queremos avançar...
e para isso, nos lançamos inteiros
em profundidades abissais que causam espanto,
medo e angústia, dos quais não podemos fugir
porque nos levam a descobrir, criar, progredir...
Aprendemos com as quedas e os vôos,
atingimos o equilíbrio quando perdemos
o medo das alturas e dos horizontes infinitos;
quando abandonamos o chão das fáceis certezas.
A recompensa dessa travessia irremediavelmente
chegará mesmo quando cansados e derrotados:
vem da lição extraída da própria experiência
adquirida, o que já é uma grande vitória.
Romper com as fáceis certezas,
caminhar firme diante dos desafios
e da frágil corda estendida sobre
o abismo do nosso próprio ser
é o que nos leva à realidade,
coloca nossos pés no chão,
dá o perfeito equilíbrio.
O que nos engrandece,
se não existirem
os aplausos?
O que nos engrandece,
se nada ameaça,
se não houver
novos desafios?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

MEU REFÚGIO

Ó meu silêncio, e meu refúgio amigo,
a ti dirijo a minha voz oculta,
que tu recolhes no teu gesto sábio
e me orientas quando vem a dúvida.

Filho prudente do temor calado,
tal qual meu jeito de pouco falar.
A ti buscando sigo pela estrada,
neste meu jeito calmo de sonhar.

A ti, ó grande mestre dos prudentes,
entrego os falares de minh'alma,
todo o bem ou mal comunicável,
que faz de mim, humana e vulnerável.

Vem sempre estar comigo, meu amigo,
neste lugar onde te pões quieto,
onde te fechas comigo em tua redoma
a me atender solícito e discreto.

Terás aqui tuas vontades satisfeitos
para que fiques sempre aqui comigo,
nas sombras em que formas teu conceito,
Ó meu SILÊNCIO, e meu fiel AMIGO!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

SE EU FOSSE POETISA

Se eu fosse poetisa, sempre escreveria,
versos pra ti ao findar de cada dia,
e os versos, seriam todos eles,
carregados de amor e nostalgia.

Da chuva clara, fresca e miudinha
que a flor desfeita sempre ressuscita,
eu pegaria os cristais mais raros
pra iluminar o amor de minha vida.

E os teus cabelos, caindo em rebeldia,
sobre os teus olhos verdes, cor do mar,
seriam pretexto só para ter minhas mãos,
te protegendo do vento, e te tocar.

Ah, se eu pudesse, quantas coisas belas,
eu usaria para descrever-te,
contando ao mundo que és para mim,
manancial de amor e de deleite.

Se eu fosse poetisa, sempre escreveria,
versos pra ti ao findar de cada dia...

domingo, 11 de novembro de 2007

ENTRE O REAL E O ABSURDO

Com a carga incerta da vida,
arrastei os pés sobre a terra
cruzando o outro lado da linha.
Fui do Oriente ao Ocidente,
dos países das neves eternas
aos lugares mais quentes,
onde moram todos os feitiços.
Tive a terra aos meus pés
mudando muitas vezes de cor,
enquanto inquieta se agitava.
Hoje, como antes, ainda sigo,
para chegar até aquela luz
levada pela força das borrascas.
Percorro com olhar de águia,
toda a força do bem e do mal
que se aninha entre o real e o absurdo.
Sob os raios da lua vejo destelhar-se
por trás da estrada e do vale à esquerda,
o pico exuberante e ilusório da vida,
e à direita, o despenhadeiro da morte.
Pendo as asas pelos meus caminhos,
tomo entre as mãos todos os detalhes
e murmuro uma prece emocionada.
Em sua memória salto no vazio
iniciando mais um vôo pelo espaço
e subo novamente como um anjo
sem saber em que preciso momento,
chegarei finalmente até você.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

TANTOS FANTASMAS

Tantos fantasmas se converteram
na medula das coisas deste mundo
e sobre eles me derramei
como a chuva da aurora.

Deixei-me possuir por duendes
mensageiros da senhora solidão,
com medo do homem, do homem,
cada dia mais insensível.

É ela que entra em minhas manhãs
e se filtra mansa, silenciosa,
ocupando os espaços vazios,
reforçando as fibras do meu caminho.

Perco-me cansada e me submeto
filha de mim mesma e amor predileto
desta sábia senhora que me veste
com túnicas de cinzas e corais.

E cinge sua larga e escura cinta
em minha cabeça, em meu coração,
intensamente, inteiramente,
como a chuva que amanhece...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DEIXA QUE EU DESCUBRA

Vem para meus braços,
deixemos os recatos,
e deixe que eu descubra
os rios do teu mapa.


Peça-me que viole
as leis que te moldaram
e que não reste em mim,
um poro sem batalha.


Permita que eu descerre
os véus dos teus mistérios,
e todo esse erotismo
que emana de tua carne.


Diga-me o que sentes,
não temas se me matas
que eu só entendo, amor,
teu corpo como arma.

sábado, 15 de setembro de 2007

SOBRE A FELICIDADE

Felicidade é despertar a cada aurora,
ter a certeza de que ainda estamos vivos,
olhar a vida que escreveu a nossa história
e louvarmos ao Criador agradecidos.

É não sabermos o porquê de a todo instante,
sorrir à toa e por qualquer motivo.
Estarmos fortes mesmo que não tanto
e crer um mundo moldado ao nosso estilo.

Sentir o coração regozijado
por tudo que lhe é próprio e decidido.
Ter sentimentos puros, delicados,
ao sentir que eles são correspondidos.

Mas é difícil, não é fácil consegui-la!
Quando pensamos que a possuímos,
já se escapou de nós esbaforida,
deixando um oco insano e dolorido.

É que ela não tem dono permanente,
e escolhe com seus dedos seletivos,
a quem fazer feliz... e logo vai,
buscar a outros para seduzi-los.

Quanto custa encontrá-la e aqui retê-la!...
e muito mais, perdê-la a qualquer hora,
no momento em que de nada suspeitamos,
ela se escapa e de repente, vai-se embora.

sábado, 8 de setembro de 2007

INCERTEZA

Guardo-te aqui nas asas do meu vôo,
na incerteza marcada dos meus sonhos
e em cada despertar de um novo dia.

Desfruto-te de longe quando passas,
num belo iluminar entre as penumbras,
que deixam a saudade no teu rastro.

Rebelo-me com a vida que é injusta,
te amando no silêncio de minha arte
e nas canções que ouço às escondidas.

O que seria das noites sem estradas,
e de mim se não eu pudesse ter-te,
nos versos que te escrevo, vida minha?

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

INSIGNIFICÂNCIA

Quando eu souber encontrar-me nos sorrisos,
nas gotas de cristal que caem da chuva,
nas duras pedras encobertas por neblina,
no sol, nos pássaros e também na brisa;

Quando tudo aos meus olhos for inerte,
já sem forma, sem cor e bem distante,
e eu penetrar qual anjo nos mistérios,
que em silêncio caminha entre as sombras;

Quando eu olhar para dentro de mim mesma
e aos caminhos do cosmo tão diversos,
serei então, como um potente microscópio
que enxerga longe em invisíveis universos.

Perceberei assim, minha insignificância,
dando lugar ao amor sobre-humano
e abraçarei a todos como irmãos:
às arvores, aos mendigos e às feras.

Livrar-me-ei do egoísmo e da vaidade
e humilde beijarei a cada espinho,
retirando piedosa minhas sandálias
pra não ferir as pedras do caminho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

MÃOS DE UM PAI

Recordas quando tua mão tão pequenina,
se fazia forte, junto à minha firme,
sustentando os teus primeiros passos?

Alçavas teus olhinhos cristalinos,
pedindo sem palavras; ainda nem falavas...
o auxílio aos teus começos inseguros?

E eu, orgulhoso, feliz, longe do mundo,
punha o dedo forte: um somente,
suficiente para cuidar dos teus inícios.

Agora a ti, já seguro e também pai,
chega outra mão roliça, pequenina,
buscando a tua, como antes foste à minha.

E nesse momento incomparável,
voltarão novamente essas lembranças
que nem lembravas ter guardado um dia.

Assim é, meu filho tão querido,
este círculo sem fim de nossas vidas,
que nos permite esse destino de ser pai.

E quando chegue o tempo, filho meu,
toma minha mão que já te necessita,
nos passos lentos e inseguros de ancião.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

INSIGNIFICÂNCIA

Quando eu souber encontrar-me nos sorrisos,

nas gotas de cristal que caem da chuva,

nas duras pedras encobertas por neblina,

no sol, nos pássaros e também na brisa;

Quando tudo aos meus olhos for inerte,

já sem forma, sem cor e bem distante,

e eu penetre qual anjo nos mistérios

que em silêncio caminha entre as sombras;

Quando eu olhar para dentro de mim mesma

e aos caminhos do cosmo tão diversos,
serei então, como um potente microscópio

que enxerga longe em invisíveis universos.

Perceberei assim, minha insignificância,
dando lugar ao amor sobrehumano

e abraçarei a todos como irmãos:
às arvores, aos mendigos e às feras.

Livrar-me-ei do egoísmo e da vaidade
e humilde beijarei a cada espinho,

retirando piedosa minhas sandálias

pra não ferir as pedras do caminho.

domingo, 5 de agosto de 2007

INSIGNIFICÂNCIA

Quando eu souber encontrar-me nos sorrisos,
nas gotas de cristal que caem da chuva,
nas duras pedras encobertas por neblina,
no sol, nos pássaros e também na brisa;
Quando tudo aos meus olhos for inerte,
já sem forma, sem cor e bem distante,
e eu penetre qual anjo nos mistérios que
em silêncio caminha entre as sombras;
Quando eu olhar para dentro de mim mesma
e aos caminhos do cosmo tão diversos,
serei então, como um potente microscópio
que enxerga longe em invisíveis universos.
Perceberei assim, minha insignificância,
dando lugar ao amor sobrehumano
e abraçarei a todos como irmãos:
às arvores, aos mendigos e às feras.
Livrar-me-ei do egoísmo e da vaidade
e humilde beijarei a cada espinho,
retirando piedosa minhas sandálias
pra não ferir as pedras do caminho.