Voltar À Vida
Nas vagas revoltas navego sem rumo
Pelos mares afora
Terei perdido o juízo?
Meu canto à loucura a quem devo cantar
Para ti senhor das águas
Para mim ou ao amor
Que deixei ficar no porto?
Senhor das águas por que me convidaste
Para singrar os mares sabendo que não comungo
Com os ventos de Agosto?
Perdi-me na escuridão da noite
Nas profundezas abissais
Na inconsciência dos meus sonhos
Oh deuses venham em meu socorro!
Desejo voltar à vida erguer a cabeça
Volver o olhar aos céus
Ver novamente a beleza das cores
Voltar a sentir o calor do sol
E a vida ao meu encontro!
Ver a lua acender a escuridão da noite
Convidar estrelas para orientar nossa nau
Até ancorarmos em algum porto seguro!
Fechar os olhos esquecer o medo
Viver a ilusão do mundo
Através da magia de meus sonhos!
Agora fazer o quê
Como voltar desta loucura consumada
Se tu senhor dos mares da vida não quer mais nada
Por que não tomei firme em minhas mãos
O leme a bússola e a carta de navegação
Para me orientar na imensidão de tanta água?
Por que confiei em ti senhor dos mares
Se hoje estás ultrapassado
E só pensas em teu repouso
Responda-me se estamos mesmo à deriva
Sem chance alguma de ancorar em qualquer porto?
Ah como eu desejaria me redimir do pecado de considerar-te
O grande deus dos mares
Se eu tivesse uma só chance à nova escolha
Não daria ouvido às tuas histórias ultrapassadas!
Esqueceria o bramir das vagas dos mares revoltos
Jamais esperaria a calmaria
Para levar-me de volta ao porto!
Ah amor querido choro doridas lágrimas
Com saudade do teu rosto
Se eu pudesse fazer do ódio que senti de mim
Ao te deixar no cais
Transformaria àquele ódio em sinfonia de amor
E só para ti eu cantaria a canção dos anjos!

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