sábado, 16 de fevereiro de 2008

servo do amor...

Necessário que eu caminhe com a dor?
Por que?
Quem ousará absonar,
meus motivos de amor?

Eu, m'alma, meu corpo,
meu pensamento cabal...
Um todo que flameja,
que inflama, pois que ama.
Sou caminhante,
que tenta ser translúcido,
sem final...

Nada me fará deixar de ser lirico.
O que seria de mim,
sem a essência liriforme,
que abarca os meus sentidos,
e direciona os meus pensamentos?
Seria por certo,
um imenso deserto, disforme.
Uma pretensa figura,
que ao pó se sucumbiria,
e na realidade morreria,
descrevendo na areia,
traços de divino fulgor.

Eu, ser transmudado,calejado,
traspassado pelos trasgos,
que quando em vez,
saltam defronte meu olhar,
trazendo efeitos de gnomos,
num constante zigue-zaguear.
Eu, uma fantasia real,
que sempre que sente,
próximo ao mal,
cuida de trasvoltear.

Por que seria um mensageiro,
de dores e ais?
Por que me contentaria,
em ser um a mais?
Na realidade sou pássaro cantante,
que forceja percursos,
colibri que espalha a paz,
que em mim tento espelhar.
Um sugador de recursos.
Um aberto e absorto,
seguidor do amar.

Um sonhador.
Um bardo cantador.
Um desbravador.
Sei lá,
tudo o que sou...

Apenas deixo manifesto,
que sou um réu confesso.
Um eterno transgressor,
que jamais obedece a dor.

Sigo com um pensamento,
agregado em minha alma,
de ser sempre servo do amor.