demos sorte....
Destes sorte meu verso infiel
pois caiste no colo da mãe ilusão.
Não viajaste sequer um instante
na luz que ilumina meus sonhos sem dor...
Não cresceste...
não interrompeste a verdade sã.
Não irrompeste a cortina da sina
que hoje me veste, e reflete o amanhã...
Destes sorte minha rima amarga,
pois sabes quão forte,
é meu olhar, que nunca se amarra.
Não fizeste encolher uma ruga
sequer em um ponto do meu cansado rosto.
Pois, poesia quando voa não é turva,
o dia quanto promete já vem pronto e posto,
e inspiração, não se pode comprar.
Eu fui infeliz na escolha
após escrever sobre melindres,
mas mesmo assim,
meio com raiva de mim,
consegui me fazer voar.
Demos sorte, eu, rima, verso e poesia,
pois que a fala macia,
invadiu nosso falar.
Mesmo fortes os dizeres vingaram
e até mesmo os que passaram,
pararam pra ler e olhar.
Demos sorte, porque nas curvas
dos sonhos quase plasmados,
encontramos bem-posta, a felicidade,
e ela montou uma poesia de amor.
Sem ranço e sem dor....

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