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sábado, 27 de setembro de 2008

Tramas de um sonho

Engolfam-me as figuras desse sonho
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos

Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolta em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa

E pairo...

Livre, sobre o negro, eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem
curvando o corpo, desfigurada imagem!

Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!

sábado, 10 de novembro de 2007

Meu Desamparo

Esta sombra, que negra, tinge os meus olhos

Escurece tudo ao derredor, em tintas de noite

Pesa sobre minha face já em peia, no açoite

Chispa inclemente, qual o mar em abrolhos



O negro que me atormenta impiedoso, cruel

Clama por piedade ao clarão da cheia lua

Eu me vejo em desamparo, encolhida e nua

No rasgar de minhas vestes, atiradas ao léu



Encolho célere o corpo suado e desprotegido

Inda sabendo que o entorno é de total vazio

Tento lutar, em concha, por meus laços e brio

atingidos pela negritude do meu ser ferido



A noite me desampara, me aflige a tira escura

Nega-me a lu´a luz que, esplendorosa, cheia,

Guarda em círculos concêntricos, qual u´a teia,

Resguardando para si os brilhos, em usura ...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O embate

Bico afiado. Fino grito. Lá vai a gralha,

certeira, rumo ao ataque, que lhe valha

atingir negro alvo que se lhe enfrenta:

da moça, o olhar profundo, a ferramenta

que, com suas pontas de lumes, ameaça

poder de reino da ave, sobre a verde taça,

essa que a abriga, de folhas, no entrelace

do pomar adocicado. Folha cobre a bela face.

A videira protetora lança sombra sobre ela,

pinta-lhe o olho negro em negra aquarela.

Embate se estabelece: agouro versus mulher!

Pintassilgos, borboletas, o que lhes aprouver,

farão a escolha: o rei ou a rainha do pomar?

Verdes na torcida: a que se dispôs a plantar...



Que seja a Rainha!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Entrelaces da dança

Em suaves, úmidas ondas dançantes,

corpos unidos em um mágico ritual ,

deslizamos nossos passos pelo tablado.

Em sincronia, movimentos se alternam

unindo leveza, rubra magia do compasso,

atando-nos em nossas curvas e entrelaces.

Dançam também nossas almas, unidas

pelos acordes que jorram dos instrumentos,

e se espalham vigorosos, quentes, sobre nós!

É o convite ao amor...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

SALGADO LAGO

Translúcidos líquidos de meus olhos, em fio,
escoam meus pensamentos, sacros segredos
que tento resgatar, em vão, com meus dedos
em riste, lácteos, na ânsia do retorno tardio.

Salgado lago se avoluma, inclemente, morno,
diluindo minh´alma, sufocando a esperança
que mergulha fundo, qual draga que avança
rente ao chão, no remoer do meu transtorno.

Secam meus olhos nesse escorrer constante;
tornam-se frios, perdidas gotas quentes de sal.
Enegrecidos os objetos, nesse mundo abissal,
lascam minha face, em seu pulsar delirante.

Vazio olhar que se perde...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Estes olhos...

O escuro mundo que me rodeia
com seus laivos verdes pujantes
risca minh´alma, presa em peia;
eu, animal em urros, que dantes
cortavam tua carne em fissuras.
Impermeável agora nessa couraça
que te envolve (pretensa loucura!),
tu te acovardas na manta de trapaça.
A leitura de meus profundos olhos
tu a decifras nesse teu mundo cego?
Vês nos olhos-esmeralda os escolhos
que em pontas, em tua face esfrego?
Sou adaga que sangra e fer´a pele;
ofídio que, em íngremes caminhos
sinuosos, ating´alma, inda que a sele.

Protege-te, antes do ataque...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Pingos de lembranças

Salpicam flocos em minha face;
pingos aveludados, encharcados
de ti, que me cingem em enlace,
remetem ao meu abrigo: teu lado.

Impregnada estou de teus olores,
que se embrenharam em meu ser.
Prisioneira eu sou, seja onde fores,
do teu corpo! Recordar me faz arder.

Vazios meus momentos longe de ti,
recolhida à sombra de lembranças
amorosas, ternas, e que sinto, perdi
no vôo inevitável de tuas andanças...

Contudo, espero-te.

sábado, 21 de julho de 2007

GALHOS DE FOGO

Fulgente dourado que me aquecia
nega-me agora seus raios quentes.
Esfria o meu corpo nu, já n´apatia,
envolto em tecido: o roto eminente.

O cinza que tinge o céu sobre mim
diz-me, no seu linguajar sombrio:
"siga em frente, dos degraus, alfim,
estarás a salvo dos riscos que crio".

O vento que crisp´alma já vazia
lambe meus cabelos em desalinho,
empurr´os pés n´escada em avaria.
Com meus trôpegos passos caminho.

Galhos de fogo riscarão lá no alto
assimétricos desenhos enrascados,
e em garras me tomarão de assalto,
envolvendo meu ser, já alquebrado.

A fuga se faz premente...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Esta sombra

Meu corpo intercepta a amarelada luz do sol,
derrama pelo esgarçado chão, lambido de pó,
minha sombra distorcida, encolhida, deformada.
As formas não se alinham ao meu porte esguio;
refletem talvez a alma cinza, fria e disforme.
Da janela aberta chegam-me vermelhos odores,
adocicados e atrevidos, das rosas espalhadas
pelos retangulares canteiros, cercados de ripas.
Fito a sombra e me perco nela! Dos meus pés
descalços ela se desprende e não me reconheço.
Por vezes sinto seus esgares, zombarias de mim.
Espero aflita as doze badaladas do relógio,
quando então serei eu mesma, o que conheço,
longe desta sombra que quer me revelar inteira!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

CALA-Te,

Fecha e tranca teus lábios! É premente!
Amarra-os em firmeza, pois tu mentes.
Tal tua desenvoltura, que feres, tonteias,
arrasas minh´alma; trama de tuas teias.


Impede a ti que profiras tais blasfêmias
geradas incautas, por tua vida boêmia;
as que escorrem negras por tua boca,
nos vãos íngremes dessa abertura oca.


Seca já estou pela negação constante
do teu roçar, vínculo aconchegante...
Tu te afastas e proferes, no retorno,
falsos termos, em ânsia de suborno.


Afasto-me em meu dorido silêncio...

Parceiros*


Num intrincado emaranhado de fios de calor,
único e singular, tu me envolves com teus
lances de volúpia, fazendo de mim um casulo,
somente aberto aos teus loucos atos de paixão.
Tento a contenção, mas a resposta, inevitável,
chega em ebulição, na sua fase de ardência.
Em voluntária prisioneira eu me torno, mas
faço de ti o escravo das envolventes emoções
que nos entrelaçam nos divinos momentos...
Somos parceiros na loucura e embriaguez
dos nossos atos sentidos e consentidos.
Sou aquela que te buscou em grande porfia,
na negativa da insustentável e amarga solidão.
E tu és aquele que, nos passos, em longas estradas,
perdido no tempo, a mim procurava sem nem saber.
Na eternidade juntos, até que o amor termine...

domingo, 29 de abril de 2007

Minhas hastes

Odor exuberante dessas flores
penetra vagaroso em meu peito,
o peito que por ti bate de jeito
assim acelerado, em clamores!

E pétalas, as brancas, retorcidas,
acolhem em seu ninho filamentos,
os que, em seu dourado tingimento,
me levam às lembranças reprimidas.

O ouro que um dia colocaste
no dedo em alvura desta mão
de nada me valeu; eis o contraste!

As tuas atitudes, sem razão
deixaram retorcidas minhas hastes
as que me suportavam neste chão.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Tramas de um sonho

Engolfam-me as figuras desse sonho
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos

Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolto em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa

Quebra! E pairo...

Livre, sobre o negro eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem,
curvado o corpo, desfigurada imagem!

Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!

E brilho agora...

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Lâminas

Os olhares que te lanço, cortantes,
são lâminas que ferem teu orgulho
penetram em tu´alma em instantes
gritam a mágoa em que mergulho

Roda o tempo ao redor em chispas
tu não te moves, sequer um dedo
carrego o rancor na mão em crispa
e o sufoco, da força, no arremedo

Meu semblante triste se revela duro
os contornos da minha face, falsos,
secam minhas lágrimas e, em muro,
fecham a boca aos urros do percalço

Vento da tristeza revolve-me cabelos
tinge o corpo de rudes tons escuros
amarga minha boca de assim vê-los
eu me rebelo no cansaço,me torturo


Tu te acovardas.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Em meu regaço

Acolho-te em languidez no meu regaço
esperando sinais de amor, seja um traço
enlaço teu corpo com trêmulas mãos
passeio os finos dedos em teus vãos
recolho as muitas cismas e a timidez
no esforço do teu roçar em minha tez
eis o porquê de minha ânsia em tocar-te
sintas o amor que te envolvo, destarte
rego tu´alma com fluidos prementes
que clamam por ti! Grito mudo, urgente.

e dormes...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Tramas de um sonho

Engolfam-me as figuras desse sonho
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos

Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolto em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa

Quebra! E pairo...

Livre, sobre o negro eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem,
curvado o corpo, desfigurada imagem!

Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!

E brilho agora...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Pingos e Flores

Pingos que caem sobre meus olhos
Visão do belo que das flores emana
Remetem-me ao mar e seus escolhos
Na luzidia imagem, querência insana

A sublime beleza de cores amenas
No desdobrar de limites calculados
Sulca minha face, momentos apenas,
Nas tramas elaboradas de bordados

O perfume se espalha em concessão
Inebriando os sentidos, em calma,
Brotando em mim, rasgado coração,
O belo, no borbulhar de minh´alma

Flores se repetem em suave harmonia
Na pintura de quadros em meus dias.

domingo, 1 de abril de 2007

Meu Desamparo

Esta sombra, que negra, tinge os meus olhos
Escurece tudo ao derredor, em tintas de noite
Pesa sobre minha face já em peia, no açoite
Chispa inclemente, qual o mar em abrolhos

O negro que me atormenta impiedoso, cruel
Clama por piedade ao clarão da cheia lua
Eu me vejo em desamparo, encolhida e nua
No rasgar de minhas vestes, atiradas ao léu

Encolho célere o corpo suado e desprotegido
Inda sabendo que o entorno é de total vazio
Tento lutar, em concha, por meus laços e brio
atingidos pela negritude do meu ser exaurido

Noite me desampara, me aflige a tira escura
Nega-me a lua, luz que, esplendorosa, cheia,
Guarda em círculos concêntricos, qual u´a teia,
Resguardando para si os brilhos, em usura ...

E permaneço na negritude...