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quinta-feira, 8 de abril de 2010

PERGUNTO-ME

Pergunto-me o que eu teria feito, tivesse eu estado no meio daquela multidão; teria falado algo por ele, em voz clara e alta?

Teria andado ao lado dele, descendo aquela suja estrada de pedra? Teria tentado firma-lo, quando tropeçou com sua carga?

Teria deixado-o apoiar-se em mim? Eu teria suportado seu peso? Poderia ter ajudado de algum jeito, facilitado seu grande penar?

Poderia ter dito palavras adequadas, confortado seu isolamento, compartilhado sua tristeza?

Pergunto-me se tivesse estado lá, teria acariciado seu rosto coberto de lágrimas, beijaria suas mãos ensangüentadas, e lavaria seus pés manchados de sangue?

Teria massageado seus ombros doloridos, teria passado loção em suas costas, tratado de suas feridas abertas e fornecido a água que lhe faltou?

Sei que eu não seria suficientemente bom para voluntariamente tomar o seu lugar, mas eu poderia ter lhe ajudado a suportar aquela cruz e secado o suor de seu querido rosto?

Teria passado meus braços ao redor de sua mãe e a abraçado contra meu peito? Poderia tê-la protegido da visão da atormentada morte de seu filho precioso?

Poderia ter ajudado a preparar seu corpo, e lavado-o com perfume? Pergunto-me se eu tivesse estado lá, teria esperado em seu túmulo?

Sem nenhuma dúvida naquela manhã de páscoa, eu teria gritado, "ELE ERGUEU-SE!" e sei que eu teria agradecido à meu Deus, pelo júbilo daquela ocasião.

A única coisa que eu poderia ter feito, suponho, se tivesse estado lá, seria declarar meu amor por Ele.

Mas... será que não estive?

sábado, 26 de dezembro de 2009

UMA VONTADE ESPECIAL

Herman e eu fechamos nossa loja e nos arrastamos para casa. Eram 11 horas da noite, véspera do Natal. Estávamos extremamente cansados. Tínhamos vendido todos os nossos brinquedos, exceto um, já embrulhado por um dos vendedores, que fora reservado mas a pessoa não retornou.

Na manhã de Natal, logo cedo, nosso filho de doze anos, Tom, abriu seus presentes e se divertia. Mas havia algo de estranho naquele Natal. Eu sentia uma persistente vontade, um desejo que parecia estar me mandando voltar à loja. Olhando para a calçada escorregadia lá fora, eu disse para mim mesma:
- Isso é loucura. Nada há a fazer lá.

Tentei despachar aquela vontade, mas ela não me deixava em paz. Aliás, ficava mais forte. Finalmente, eu não pude mais esperar e me vesti. Do lado de fora o vento era cortante e congelava meu rosto. Tateando, escorregando e deslizando, cheguei à loja.

Em frente, estavam dois meninos, um de aproximadamente nove anos e o outro de seis.
- Viu, eu não disse que ela viria? O mais velho disse jubiloso. O rosto do mais jovem estava molhado com lágrimas, mas quando ele me viu seu choro parou.

- O que vocês dois fazem aqui fora? Perguntei, me apresando à colocá-los para dentro da loja. Vocês deveriam estar em casa num dia como este!
- Estávamos esperando por você, respondeu o mais velho. Meu irmão não ganhou nada no Natal. Nós queríamos comprar um par de patins. É isso o que ele queria ganhar. Temos três dólares, disse puxando as notas de seu bolso.

Olhei o dinheiro. Olhei seus rostos cheios de expectativas. E então olhei ao redor da loja.
- Sinto muito, eu disse, mas não tem mais nenhum brinquedo! Então minha vista parou sobre aquele embrulho solitário na prateleira atrás do balcão.

- Espere um minuto, falei aos meninos.

Fui até o balcão, peguei o embrulho, abri e, milagre dos milagres, era um par de patins! Jimmy, o menino mais novo, correu para eles.
- Senhor, deixe que seja de seu tamanho. Pensei.

E milagre sobre milagre, eram do tamanho exato. O menino mais velho me entregou o dinheiro.
- Não, eu lhe falei, quero lhes dar estes patins e quero que usem seu dinheiro para comprar luvas.

Os meninos pareciam não acreditar, a princípio. Então os seus olhos tornaram-se brilhantes e sorrisos estamparam em seus rostos. O que vi nos olhos de Jimmy era uma bênção. Era pura alegria.

Saímos juntos da loja e, enquanto eu trancava a porta, me virei para o mais velho e perguntei,
- O que o fez pensar que eu viria?

Definitivamente eu não estava preparada para sua resposta. Seu olhar foi fixo e ele me respondeu suavemente:

- Eu pedi que Jesus enviasse você.

O calafrio na minha espinha não era de frio. Deus tinha planejado tudo isto.

Depois de acenar em despedida, voltei para casa para o Natal mais brilhante de minha vida.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CHINELOS DOURADOS

Faltavam apenas cinco dias para o Natal.
O espírito da ocasião ainda não tinha me atingido, mesmo que os carros lotassem o estacionamento do shopping.

Dentro da loja, era pior.
Os últimos compradores lotavam os corredores.
- Por que vim hoje? Perguntei a mim mesmo.

Meus pés estavam tão inchados quanto minha cabeça.

Minha lista continha nomes de diversas pessoas que diziam não querer nada mas eu sabia que
ficariam magoados se eu não os comprasse qualquer coisa.

Comprar para alguém que tem tudo e com os preços das coisas como estão, fica muito difícil.

Apressadamente, eu enchi meu carrinho de compras com os últimos artigos e fui para a longa fila do caixa.

Na minha frente, duas pequenas crianças - um menino de aproximadamente 10 anos e uma menina mais nova, provavelmente de 5 anos.

O menino vestia roupas muito desgastadas.

Os tênis me pareceram grandes demais e as calças de brim muito curtas.

A roupa da menina assemelhava-se a de seu irmão.

Carregava um bonito e brilhante par de chinelos com fivelas douradas.


Enquanto a música de Natal soava pela loja, a menina sussurrava desligada mas feliz.

Quando nos aproximamos finalmente do caixa, a menina colocou, com cuidado, os chinelos na esteira. Tratava-os como se fossem um tesouro.
O caixa anunciou a conta.
- São $6,09. Disse.

O menino colocou suas moedas enquanto procurava mais em seus bolsos. Veio finalmente com $3,12.
- Acho que vamos ter que devolver. - disse.
Nós voltaremos outra hora, talvez amanhã.

Com esse aviso, um suave choro brotou da pequena menina.
- Mas Jesus teria amado esses chinelos. Ela resmungou.

- Bem, nós vamos para casa e trabalharemos um pouco mais.
Não chore.
Nós voltaremos. Disse o menino.

Rapidamente, eu entreguei $3,00 ao caixa.

Estas crianças tinham esperado na fila por muito tempo. E, além de tudo, era Natal.

De repente um par de braços veio em torno de mim e uma pequena voz disse,
- Agradeço, senhor.

- O que você quis dizer quando falou que Jesus teria gostado dos chinelos? Eu perguntei.

O pequeno menino me respondeu,
- Nossa mãe está muito doente e vai pro céu.
Papai disse que ela pode ir antes mesmo do Natal, estar com Jesus.

E a menina completou,
- Meu professor disse que as ruas no céu são de ouro, brilhantes como estes chinelos. Mamãe não ficará bonita andando naquelas ruas com esses chinelos?

Meus olhos inundaram-se de lágrimas e eu respondi,
- Sim, tenho certeza que ficará.

Silenciosamente agradeci a Deus por usar estas crianças para lembrar-me do verdadeiro espírito de Natal.
[]
O importante no Natal não é a quantidade de dinheiro que se gasta, nem a quantidade de presentes que se compra, nem a tentativa de impressionar amigos e parentes.

O Natal é o amor em seu coração, é compartilhar com os outros como Jesus compartilhou com cada um de nós.
O Natal é o nascimento de Jesus que Deus nos enviou para mostrar o quanto nos ama realmente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gotas de oleo

Num quarto modesto, o doente grave pedia silêncio.
Mas a velha porta rangia nas dobradiças
cada vez que alguém a abria ou fechava.
O momento solicitava quietude,
mas não era oportuno para a reparação adequada.
Com a passagem do médico, a porta rangia,
nas idas e vindas do enfermeiro,
no trânsito dos familiares e amigos,
eis a porta a chiar, estridente.

Aquela circunstância trazia, ao enfermo e a todos
que lhe prestavam assistência e carinho,
verdadeira guerra de nervos.

Contudo, depois de várias horas de incômodo,
chegou um vizinho
e colocou algumas gotas de óleo lubrificante
na antiga engrenagem e a porta silenciou,
tranqüila e obediente.



Em muitas ocasiões há tumulto dentro de nossos lares,
no ambiente de trabalho, numa reunião qualquer.
São as dobradiças das relações
fazendo barulho inconveniente.
São problemas complexos, conflitos,
inquietações, abalos...

Entretanto, na maioria dos casos
nós podemos apresentar a cooperação definitiva
para a extinção das discórdias.

Basta que lembremos do recurso infalível de algumas
GOTAS DE COMPREENSÃO
e a situação muda.

-Algumas
GOTAS DE PERDÃO
acabam de imediato
com o chiado das discussões calorosas.

GOTAS DE PACIÊNCIA
no momento oportuno podem evitar grandes dissabores.

GOTAS DE CARINHO,
penetram as barreiras mais sólidas
e produzem efeitos duradouros e salutares.

Algumas
GOTAS DE SOLIDARIEDADE
e FRATERNIDADE
podem conter uma guerra de muitos anos.
- É com algumas
GOTAS DE AMOR
que as mães dedicadas abrem as portas mais emperradas
dos corações confiados à sua guarda.
- São as
GOTAS DE PURO AFETO
que penetram e dulcificam as almas ressecadas
de esposas e esposos,
ajudando na manutenção da convivência
duradoura.
- Nas relações de amizade, por vezes, algumas
GOTAS DE AFEIÇÃO
são suficientes para lubrificar as engrenagens
e evitar os ruídos estridentes da discórdia
e da intolerância.

Dessa forma, quando você perceber
que as dobradiças das relações
estão fazendo barulho inconveniente,
não espere que o vizinho venha solucionar o problema.

Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia
lançando mão do óleo lubrificante do amor,
útil em qualquer circunstância, e sem contra indicação.

Não é preciso grandes virtudes
para lograr êxito nessa empreitada.

Basta agir com sabedoria e bom senso.

Às vezes,
são necessárias apenas algumas
GOTAS DE SILÊNCIO
para conter o ruído desagradável
de uma discussão infeliz.

E se você é daqueles que pensa
que os pequenos gestos nada significam,
lembre-se de que as grandes montanhas
são constituídas de pequenos grãos de areia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AS JANELAS DOURADAS

O menino trabalhava duro o dia todo, no campo, no estábulo e no galpão, pois seus pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar um ajudante. Mas quando o sol se punha, seu pai deixava aquela hora só pra ele.

O menino subia para o alto de um morro e ficava olhando para o outro morro, alguns quilômetros
ao longe. Nesse morro distante, via uma casa com janelas de ouro brilhante e diamantes.

As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele piscava. Mas, pouco depois, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, ao que parecia, e então a casa ficava igual a qualquer casa comum de fazenda.

O menino achava que faziam isso por ser hora do jantar; então voltava para casa, jantava seu pão com leite e ia se deitar.

Um dia, o pai do menino chamou-o e disse:

- Você tem sido um bom menino e ganhou um feriado. Tire esse dia para você, mas lembre-se de que Deus o deu, e tente usar para aprender alguma coisa boa.

O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe.

Guardou um pedaço de pão no bolso e partiu para encontrar a casa de janelas douradas.

Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o estavam seguindo e fazendo companhia. A sombra também seguia ao seu lado, dançando e correndo
como ele desejasse: estava muito divertido.

O tempo foi passando e ele ficou com fome. Sentou-se à beira de um riacho
que corria atrás da cerca de amoeiro e comeu seu almoço, bebendo a água clara. Depois jogou os farelos para os passarinhos, como sua mãe ensinara, seguindo em frente.

Passando um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada dourado. Chegou mais perto e aí quase chorou, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada de ouro nelas.

Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando
o que ele queria.

- Eu vi as janelas de ouro lá do nosso morro - disse ele - e vim para vê-las, mas agora elas são só de vidro!

A mulher balançou a cabeça e riu.
- Nós somos pobres fazendeiros - disse -, e não iríamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através!

Fez o menino sentar-se no largo degrau de pedra e lhe trouxe um copo de leite e um pedaço de bolo, dizendo que descansasse. Então chamou a filha, da idade do menino; acenou carinhosamente com a cabeça, para os dois e voltou aos seus afazeres.

A menininha estava descalça como ele e usava um vestido de algodão marrom, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Ela passeou com o menino pela fazenda e mostrou a ele seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele contou do seu próprio bezerro em casa, que era castanho-avermelhado com as quatro
patas brancas.

Depois, quando já haviam comido uma maçã juntos, e assim se tornado amigos, ele perguntou a ela sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele havia errado de casa.

- Você veio na direção completamente errada! - disse ela. - Venha comigo, vou mostrar a casa de janelas douradas e você vai conferir onde fica.

Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

- É isso mesmo, eu sei! - disse o menino.

No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro brilhante e diamantes, exatamente como ele havia visto. E quando olhou bem, o menino viu que era sua própria casa!

Logo, disse à menina que precisava ir. Deu a ela sua melhor pedrinha, a branca com listra vermelha, que levava há um ano no bolso. Ela lhe deu três castanhas-da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca
como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina o olhava na luz do poente.

O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou à casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as
quase tão brilhantes como as vira do outeiro.

Quando abriu a porta, sua mãe veio beijá-lo, e a irmãzinha correu para abraçá-lo pelo pescoço, sentado perto da lareira, seu pai levantou os olhos e sorriu.

- Teve um bom dia? - perguntou a mãe.

- Sim! - o menino havia passado um dia ótimo.

- E aprendeu alguma coisa? - perguntou o pai.

- Sim! - disse o menino. - Aprendi que nossa casa tem janelas de ouro e diamantes...

sábado, 12 de dezembro de 2009

MOMENTO PARA NÃO ESQUECER

Seu nome é Joe.
Tem o cabelo um tanto quanto selvagem, usa velhas camisas que até tem alguns furos, calças jeans e, na maioria das vezes, nenhum calçado.
Esta foi sua indumentária durante os seus quatro anos de faculdade.
É brilhante.
Um tipo meio estranho (aliás muito estranho), mas muito brilhante.
Acabou por se tornar um cristão durante o período de faculdade.

Situada em uma rua do campus, a igreja era freqüentada por pessoas muito bem vestidas e muito conservadoras.

Um dia Joe decidiu ir até lá.
Adentrou com aquele seu jeito: descalço, calças jeans, camiseta e seu cabelo selvagem.
A cerimônia já tinha começado e Joe andou pelos corredores à procura de algum lugar vago. A igreja estava completamente cheia e ele não conseguiu encontrar um assento.

Podia-se perceber que para algumas pessoas a situação era incômoda, mas ninguém disse nada.
Joe foi chegando cada vez mais perto do altar e quando percebeu que não havia nenhum assento vago, ele simplesmente sentou-se direto no tapete.
Embora fosse um comportamento perfeitamente aceitável em meio à uma faculdade, isto nunca tinha acontecido naquela igreja.

Agora as pessoas estavam visivelmente irritadas e a tensão podia ser sentida no ar.

O ministro percebeu que saindo dos fundos da igreja, um velho padre caminhava lentamente em direção à Joe.
O diácono está com seus quase oitenta anos, o cabelo chega a ser prateado, veste um elegante terno e traz um relógio de bolso.
Um homem devoto, muito elegante, muito digno, muito nobre.
Caminha com um bastão e enquanto anda em direção ao jovem, todos dizem a si mesmos
- Não se pode responsabilizá-lo pelo que irá fazer.
Não se deve esperar que um homem com esta idade e formação, vá compreender um jovem da faculdade sentado no chão da igreja...

Passa-se um bom tempo até o homem alcançar o jovem.
A igreja está em total silencio, à exceção do estalar do bastão.
Todos os olhos estão fixos nele.
Não se ouve nem uma respiração qualquer.
As pessoas estão pensando, o ministro não pode fazer a leitura até que o diácono faça o que tem que fazer.

E então vêem aquele homem idoso deixar cair seu bastão no chão.
Com grande dificuldade se abaixa e senta-se ao lado de Joe e lhe diz
- Assim você não estará sozinho.

Estão todos ainda sufocados pela emoção, quando o ministro recupera o controle e diz,
- O que estou a ponto de lhes dizer, vocês jamais se lembrarão.
O que vocês acabaram de assistir, jamais se esquecerão.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O VENCEDOR

Eu estava observando algumas pequenas crianças jogando futebol. Aquelas crianças tinham apenas cinco ou seis anos de idade, mas estavam jogando um jogo real, um jogo sério. Dois times, completos, com técnicos, uniformes e pais. Eu não conhecia nenhum deles, assim eu podia desfrutar o jogo sem a ansiedade da vitória ou derrota. Eu os chamarei apenas de time Um e time Dois.

Ninguém marcou no primeiro tempo. As crianças estavam hilárias. Eram desajeitados e empolgados como só as crianças podem ser. Eles caíam em cima das próprias pernas, tropeçavam na bola, chutavam a bola e a erravam, mas eles não pareciam se importar. Estavam se divertindo!

No segundo tempo, o jogo ficou dramático. Eu acho que a vitória é importante mesmo quando se tem cinco anos. O time Dois faz o primeiro gol.

O goleiro do time Um deu tudo de si, atirava seu corpo em frente as bolas que vinham, tentando defender valentemente. O time Dois, cercou o goleiro e bola pra lá, bola pra cá: fez o segundo gol. Isto enfureceu o pequeno goleiro. Ele gritava com seus colegas e se empenhava com toda a força que podia. O time Dois faz o terceiro gol.

Eu logo descobri quem era o pai do goleiro. Ele tinha boa aparência, simpático. Eu podia apostar que tinha vindo direto do escritório, gravata e tudo. Ele gritava encorajando o filho.

Depois do terceiro gol o pequeno goleiro mudou. Ele viu que não podia parar o adversário. O fracasso estava estampado em seu rosto. Seu pai mudou também. Ele tinha incentivado seu filho, gritando conselhos e palavras de encorajamento. Mas então mudou; ele ficou ansioso. Tentou dizer que estava tudo bem mas ele sofria com a dor que seu filho sentia.

Depois do quarto gol, eu sabia o que ia acontecer. Eu já tinha visto isto antes. O pequeno está necessitado de ajuda, e não havia ajuda. Ele pegou a bola na rede e entregou ao juiz, e então ele chorou. Ele apenas ficou lá, parado enquanto lágrimas enormes rolavam bochechas abaixo. Ele caiu de joelhos, e então eu vi seu pai invadir o campo. Sua esposa ainda tentou segurá-lo,
- Jim, não. Você o deixará ainda mais embaraçado.

Mas o pai do menino ignora que o jogo está em andamento. Terno, gravata, sapato e tudo, ele corre até seu menino. E ele o abraçou e beijou e chorou com ele!

Ele carregou o menino e quando chegaram à lateral do campo eu escutei ele dizer,
- Filho, estou muito orgulhoso de você. Você foi grande. Eu quero que todos saibam que você é meu filho.

- Papai, - o menino soluçou - eu não consegui parar eles. Eu tentei, Papai, Eu tentei e tentei e eles fizeram o gol em mim.

- Filho, não importa quantos gols eles fizeram em você. Você é meu filho e eu estou orgulhoso de você. Eu gostaria que você voltasse lá e terminasse o jogo. Eu sei que você quer sair, mas você não pode. E filho, você vai levar gol outra vez, mas isto não importa. Continue, vá.

Isto fez diferença. Quando se está completamente só, e está levando gols, e não pode parar o adversário, é importante saber que isto não importa para aqueles que amam você. O pequeno moleque correu de volta ao campo. O time Dois fez mais dois gols, mas tudo bem.

E no jogo da vida, eu tento arduamente. Eu atiro meu corpo em todas as direções. Eu me esforço com todo o peso de meu ser. E quando levo os gols e as lágrimas vêm e eu me ajoelho desanimado, meu Pai Divino corre campo adentro, na frente da multidão inteira, a multidão que zomba e ri, e Ele me pega no colo, me abraça e diz
- Eu estou muito orgulhoso de você! Você esteve grande lá. Eu quero que todos saibam que você é Meu filho. E como Eu controlo o resultado do jogo, Eu lhe declaro o vencedor!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ESPINHOS

Era véspera do Dia de Ação de Graças.

Mas Sandra sentia-se muito infeliz quando entrou na floricultura.

Seu filho estaria nascendo se não o tivesse perdido em um acidente de automóvel... Lamentava muito sua perda. Não bastasse isso, ainda havia a possibilidade de seu marido ser transferido. E, para completar, sua irmã cancelara a visita que lhe faria no feriado.

Ação de Graças? Agradecer o que? - perguntou-se.

Uma amiga ainda tivera a coragem de dizer que o sofrimento era uma dádiva de Deus, que fazia amadurecer e fortalecer...

Seus pensamentos foram interrompidos pela balconista, dizendo:

- Quer um arranjo tradicional ou gostaria de inovar com o que eu chamo de Especial? Está procurando algo que realmente demonstre gratidão no Dia de Ação de Graças?

Sandra explicou que nada tinha para agradecer e a outra replicou, enfática:

- Pois tenho o arranjo perfeito para você.

Neste momento entrou uma cliente que viera pegar sua encomenda: um arranjo de folhagens e longos e espinhosos caules de rosa. Tudo muito bem arranjado, mas não havia nenhuma flor.

Sandra ficou pensando por que alguém pagaria por talos de rosa, sem flor.

- Este é o "Especial". Chamo-o de Buquê de Espinhos de Ação de Graças - explicou a balconista.

- Mas o que a levou a criar o buquê de espinhos? - perguntou Sandra.

- Aprendi a ser grata pelos espinhos... Sempre agradeci à Deus pelas boas coisas em minha vida e nunca Lhe perguntei por que essas boas coisas aconteciam.

Mas quando vieram coisas ruins, eu chorei e gritei: "POR QUE? POR QUE EU ?!".

Demorei para aprender que tempos difíceis são importantes para a nossa fé e nosso fortalecimento. Diante das dificuldades nos aproximamos de Deus e valorizamos a vida e seus bons momentos.

Sandra lembrou do que sua amiga tinha lhe dito, e ponderou:

- Perdi meu bebê e eu estou zangada com Deus...

Neste momento entrou um homem na loja, que também viera buscar um arranjo de talos espinhosos.

- Isto é para sua esposa? - perguntou Sandra, incrédula. Mas por que ela quer um buquê que se pareça com isso?

- Eu e minha esposa quase nos divorciamos, mas com a graça de Deus, nós enfrentamos problema após problema e salvamos nosso casamento. O arranjo Especial nos lembra os tempos "espinhosos". Etiquetamos cada talo com um dos problemas enfrentados e damos graças pelo que ele nos ensinou. Eu lhe recomendo o arranjo Especial!

- Não sei se posso ser grata pelos espinhos em minha vida. É tudo tão recente...

A balconista respondeu, carinhosamente:

- A minha experiência me mostrou que os espinhos tornam as rosas mais preciosas. Apreciamos mais o cuidado providencial de Deus durante os problemas do que em qualquer outro tempo.

Lágrimas rolaram pela face de Sandra.

- Levarei uma dúzia destes caules longos e cheios de espinhos, por favor. Quanto lhe devo?

- Nada. Nada além da promessa de que permitirá que Deus cure seu coração. O primeiro arranjo é sempre por minha conta.

A balconista sorriu e passou um cartão a Sandra.

- Colocarei este cartão em seu arranjo, mas talvez você queira lê-lo primeiro.

E Sandra leu:

"Meu Deus, eu nunca agradeci por meus espinhos. Eu agradeci mil vezes por minhas rosas, mas nunca por meus espinhos. Ensine-me o valor de meus espinhos. Mostre-me que, através de minhas lágrimas, as cores do Seu arco-íris são muito mais brilhantes."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

As rãs

Um fazendeiro veio até a cidade e perguntou ao proprietário de um restaurante se ele queria ganhar um milhão de rãs.

O proprietário do restaurante ficou assustado e perguntou ao homem onde ele poderia conseguir tantas rãs!

O fazendeiro respondeu,
- Há uma lagoa perto de minha casa que está cheia de rãs - milhões delas. Todas coaxando por toda a noite e estão a ponto de me deixar louco!

Então o proprietário do restaurante e o fazendeiro fizeram um acordo: o fazendeiro entregaria as rãs no restaurante, quinhentas de cada vez pelas semanas seguintes.

Na primeira semana, o fazendeiro retornou ao restaurante parecendo particularmente encabulado, com duas pequenas e mirradas rãs. O proprietário do restaurante perguntou,
- Onde estão todas as rãs?

O fazendeiro respondeu,
- Eu me enganei. Haviam somente estas duas rãs na lagoa. Mas elas faziam muito barulho!!!

Da próxima vez que você ouvir alguém criticando ou gozando alguém, lembre-se que provavelmente é apenas um par de ruidosas rãs.

Lembre-se também que os problemas parecem sempre muito maiores no escuro.

Você tem se deitado à noite, preocupado com coisas que parecem oprimir como um milhão de rãs coaxando?

As coisas serão muito mais bonitas quando a manhã chegar, e se você olhar mais de perto, você se espantará com a tempestade feita em um copo d'água.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

AJUDANDO A CHORAR

A menina chegou em casa atrasada para o jantar.

Sua mãe tentava acalmar o nervoso pai enquanto pedia explicações sobre o que havia acontecido.

A menina respondeu que tinha parado para ajudar Janie, sua amiga, porque ela tinha levado um tombo e sua bicicleta tinha se quebrado.

- "E desde quando você sabe consertar bicicletas?" Perguntou a mãe.

- "Eu não sei consertar bicicletas!" Disse a menina.

"Eu só parei para ajuda-la a chorar".


Não muitos de nós sabemos consertar bicicletas.

E quando nossos amigos caíram e quebraram, não as suas bicicletas mas suas vidas, poucas vezes tivemos capacidade para conserta-la.

Não podemos simplesmente consertar a vida de outra pessoa, embora isso seja o que nós gostaríamos de fazer.

Mas como a menina, nós podemos parar para lhes ajudar a chorar.


Se isso é o melhor que nós podemos fazer...



E isso é muito!

domingo, 10 de agosto de 2008

E chamou-o de Pai!

Deus pegou a força de uma montanha e a majestade de uma árvore.

O calor de um sol de verão e a calma de um tranqüilo mar.

A alma generosa da natureza e o braço confortante da noite.

A sabedoria da idade e a força do vôo da águia.

A alegria de uma manhã primaveril e a fé de uma "semente da mostarda".

A paciência da eternidade e a união de uma família.

Então, Deus combinou todas estas qualidades,
e quando não havia nada mais a adicionar,
ele soube que mais uma de suas grandes obras estava completa e então,
a chamou de...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

LAVANDO A CONSCIÊNCIA

O ano era 1727. Em uma pequena cidade no interior da Inglaterra.

Chovia muito naquele dia. Na livraria, a única da cidade, um senhor em avançada idade, entre crises de tosse, pois sofria de asma, colocava livros em algumas caixas e ajeitava outros nas estantes, preparando a loja para ser aberta. No balcão um jovem com 18 anos, rosto redondo, lia compenetrado. Tão compenetrado estava que, ao menos assim parecia, sequer notava as seguidas crises de tosse do velho senhor.
- Sammuel, - disse o senhor - hoje é dia de feira. Você poderia ir em meu lugar. Pelo menos uma vez.

O jovem Sammuel, parecia realmente tão absorto em sua leitura que não mostrou nenhuma reação. Então, o velho senhor continuou, entre muita tosse, o seu trabalho de ajeitar os livros. Alguns nas caixas, outros nas estantes.

- Sammuel, - o senhor voltou a falar - a chuva está muito forte. Com toda a certeza será prejudicial à minha saúde. Pelo menos hoje você poderia levar os livros à feira.

E Sammuel, continuou sua leitura.

Mais uma vez o velho, já colocando a caixa de livros à porta, pediu ao jovem,
- Sammuel, está na hora do cocho. Por favor, vá à feira em meu lugar.

E mais uma vez não obteve resposta. Apanhou a pesada caixa e partiu.

*********
O ano era 1777. Em uma pequena cidade no interior da Inglaterra.

Chovia muito naquele dia. Próximo à feira, estaciona uma elegante carruagem e dela desembarca um senhor. Elegante, rosto redondo, sem se proteger caminha até uma abandonada barraca, e ali permanece. Passam-se horas. As pessoas que circulam estranham aquele excêntrico senhor, imóvel junto à uma abandonada barraca, sem nenhuma proteção, debaixo daquela insistente chuva.

Ao final da manhã, o homem recoloca o chapéu na cabeça e caminha, à lentos passos, de volta à carruagem.

Ao chegar à hospedaria, a senhora que o recebe lhe indaga,
- Dr. Sammuel, que idéia foi essa? Segundo eu soube o senhor ficou todo este tempo na feira, debaixo desta chuva...

- Minha senhora, há exatos cinqüenta anos, meu pai morreu, vitimado por uma crise de asma. Eu, displicente e preguiçoso, nada fiz que pudesse ter lhe ajudado. Espero que com esta humilhação pública eu consiga lavar minha consciência, livrando-a deste enorme e pesado fardo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Gotas de oleo

Num quarto modesto, o doente grave pedia silêncio.
Mas a velha porta rangia nas dobradiças
cada vez que alguém a abria ou fechava.
O momento solicitava quietude,
mas não era oportuno para a reparação adequada.
Com a passagem do médico, a porta rangia,
nas idas e vindas do enfermeiro,
no trânsito dos familiares e amigos,
eis a porta a chiar, estridente.

Aquela circunstância trazia, ao enfermo e a todos
que lhe prestavam assistência e carinho,
verdadeira guerra de nervos.

Contudo, depois de várias horas de incômodo,
chegou um vizinho
e colocou algumas gotas de óleo lubrificante
na antiga engrenagem e a porta silenciou,
tranqüila e obediente.



Em muitas ocasiões há tumulto dentro de nossos lares,
no ambiente de trabalho, numa reunião qualquer.
São as dobradiças das relações
fazendo barulho inconveniente.
São problemas complexos, conflitos,
inquietações, abalos...

Entretanto, na maioria dos casos
nós podemos apresentar a cooperação definitiva
para a extinção das discórdias.

Basta que lembremos do recurso infalível de algumas
GOTAS DE COMPREENSÃO
e a situação muda.

-Algumas
GOTAS DE PERDÃO
acabam de imediato
com o chiado das discussões calorosas.

GOTAS DE PACIÊNCIA
no momento oportuno podem evitar grandes dissabores.

GOTAS DE CARINHO,
penetram as barreiras mais sólidas
e produzem efeitos duradouros e salutares.

Algumas
GOTAS DE SOLIDARIEDADE
e FRATERNIDADE
podem conter uma guerra de muitos anos.
- É com algumas
GOTAS DE AMOR
que as mães dedicadas abrem as portas mais emperradas
dos corações confiados à sua guarda.
- São as
GOTAS DE PURO AFETO
que penetram e dulcificam as almas ressecadas
de esposas e esposos,
ajudando na manutenção da convivência
duradoura.
- Nas relações de amizade, por vezes, algumas
GOTAS DE AFEIÇÃO
são suficientes para lubrificar as engrenagens
e evitar os ruídos estridentes da discórdia
e da intolerância.

Dessa forma, quando você perceber
que as dobradiças das relações
estão fazendo barulho inconveniente,
não espere que o vizinho venha solucionar o problema.

Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia
lançando mão do óleo lubrificante do amor,
útil em qualquer circunstância, e sem contra indicação.

Não é preciso grandes virtudes
para lograr êxito nessa empreitada.

Basta agir com sabedoria e bom senso.

Às vezes,
são necessárias apenas algumas
GOTAS DE SILÊNCIO
para conter o ruído desagradável
de uma discussão infeliz.

E se você é daqueles que pensa
que os pequenos gestos nada significam,
lembre-se de que as grandes montanhas
são constituídas de pequenos grãos de areia.