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domingo, 23 de setembro de 2007

Morfema Preso

A solidão me corrói

E a noite cai

Está tudo repleto de advérbios

E adjetivos

No dicionário mudo


Não me detenho ao verbo

Prosto-me

Perante o coração

O sufixo imita a razão:

Mente

Dominadamente

Dominada a mente

Que não entende

Porque o coração sente

E as mãos: tremem


O coração ressente

Em sensação presente

Inspiro profundamente

Não há palavra que agüente

Não há lágrimas ardentes

Sem classificação

Que se apresente



Sem deleite

Fatidicamente

Volto ao final


Apenas um desejo

Que se unam adjetivo e advérbio

Sufixo e prefixo

Que nada...

Tudo fica rasgado

No véu das palavras

De-form-ado



Conformado

O morfema fica preso

Desalento

Meu final...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Batom de Dor

Hoje chorei meus medos
Gritei meus absurdos
Ofendi meus neurônios
Agitei meus hormônios

Chorei e morri
Morri e chorei
Grito mudo, lua surda
Tanta gente
Implodi as lágrimas
Sangrei

O choro escorreu por dentro
Detonou meu estômago
Queimou em bílis
Fiz um esforço
Pra não morrer
No meio do povo

Fugi com minha alma
Todos olhavam meu rosto
Mas não viam
Que o que ali estava
Era somente minha carcaça

Chorei da raiva
Chorei do medo
Que enfrentei plagiada
Réplica de mim mesma

Sorriso vermelho
Batom de cor
Horrível sorrir na dor
e engolir a maquiagem