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terça-feira, 16 de outubro de 2007

PROFESSOR!

Você me ensinou
a satisfação meio obsessiva
de caçar-palavras
insólitas no meio
dos dicionários de
Nossa Língua Portuguesa,
não confio em definições
contudo, todavia
entretanto

...Me ensinou
a deixar de lado
as palavras
pouco conhecidas
nos textos Estrangeiros...
e não tomar
conteúdos desconhecidos
ao pé da letra...

Nesta fase eterna
na condição de
APRENDIZ.
(Sem Você...
PROFESSOR!
como descobriria na pele
o significado
da célebre Frase:
“o que não tem sentido
nunca terá”).

UM BOM PROFESSOR
(vale por muitos...).
é um Nome que toca na essência
Música que rompe décadas

terça-feira, 2 de outubro de 2007

DERRIÉRE

Queria um poema bunda

com classe

Sim gostaria que a palavra

não fosse vista

como um simples objeto



Bunda é bunda

Poderia ter nascido pêra

No entanto é bunda



Por que tamanha admiração?

Para que tanta exaltação?

Sem avacalhação

Existem tranças nos cabelos

Pescoço, ombros... curvas

Pêlos na púbis,

Coxas torneadas, joelhos...



Por que não escrever sobre o traseiro*?



Quero um poema com bunda

Bem assentado

Redondíssimo invulgar

Um poema e suas adiposidades

Com ou sem celulite

Sem arficialismo

(Com um quê de mistério)



Acho estranho gente que se auto-elogia

É um grande atestado

Da mentalidade característica: bunda-mole

Porque do que é bonito, ninguém foge

o reconhecimento nasce automático

por ser diferente

o escultural todo mundo quer ver!

Apollo Belvedere deve ter uma bela bunda

(Escondida... es_cultural)

Nem todos vêem

o que tem detrás dos acessórios e da capa



Por outro lado quem tem prazer em olhar nos olhos

Não precisa apreciar tanto uma bunda

Não precisa procurar nenhum olho da bunda

Por que...? Por que tantos olham para as bundas?

O que as bundas têm de mágico???



O considerável “belo”

Precisa sempre ter a bunda... no meio?

Não é a bunda que está no meio do caminho

O que está no meio é sempre o próprio umbigo.

(Cada qual se balança como pode!)

domingo, 30 de setembro de 2007

Cowboy

Não disse uma só palavra...

Quase contra vontade tomou a iniciativa

Abriu a porta com as mãos trêmulas

Degustou um gole de vinho tinto

Nervoso inseguro

Beijou a testa a nuca

Viajou e se arrebentou nas nuvens



No seio dos sonhos

Disse tudo o que queria com as mãos

No papel

Tocou no corpo errado

A imagem explodiu junto a tinta

Entrou e saiu dos rabiscos

A música soava na noite lá fora

No balançar dos braços do pinheiro

Que sempre recende e recenderá o incenso

No quintal numa casa no campo

Cowboy

Não é assim que se apaga uma estrela

Viajou e se arrebentou nas nuvens?

Um clone nunca será - Original -

Nunca tente encontrar em outrem o que passou.

Degustou um gole de vinho tinto

Seco



Uma Estrela não se apaga

No céu!

sábado, 22 de setembro de 2007

ALMA DESORIENTADA

Queria ser como uma geisha

Belo corpo só no vazio

De mau-humor a segurar o leque...?

SETE PRAZERES

Cultuo a soberba grata

ao aplaudir a arrogância

a impulsionar – Desafios -



Cultuo a vaidade sensata

a falta traz a amargura e as misérias

Preciso? É cultivar o amor-próprio.



Cultuo a gula saudável

ao devorar as letras de cabo a rabo...

(como descartaria linhas selvagens?)



Cultuo inveja feliz... sem ela?

- Como exercitaria a Admiração?

Sou santa-vaga e profana



Cultuo a luxúria construtiva

haverá sempre o Tesão pela vida

na visão das teias e das colméias



Cultuo avareza sadia

ao estar aberta às mudanças

acumulo riquezas de espírito



Cultuo a preguiça sana

ao observar a hora exata

no pendurar as chuteiras... o relaxar



Na (cons)ciência do bem e do mal

Debaixo da árvore

Há Paz.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Tende... Piedade de mim!

O que se pode encontrar na concha?

A pérola.

O que se pode encontrar nos olhos?

Solitárias estrelas.

O que se pode encontrar no beco...

...além da obscuridade?



O que se pode encontrar na bomba?

A ausência de misericórdia

O que se pode encontrar nas Histórias?

Atmosferas...

O que se pode encontrar no desejo?

A saudade.



O que se pode encontrar em um fio de arame?

O ferro, o latão ou cobre

O que se pode encontrar na capoeira?

Os embalos dos berimbaus

O que se pode encontrar na janela?

A bela-cigarra e as feras.



O que se pode encontrar na palma da mão?

A vontade de segurar o vento

O que se pode encontrar no desfecho?

A conclusão fatal.

O que se pode encontrar num soneto?

P o e s i a.



POETA tende Paciência

Para com todos aqueles que não sabem rimar tão bem:

Tende... Piedade de mim!

domingo, 16 de setembro de 2007

DOCES ILUSÕES

Por detrás dos espelhos

o que se tem à perscrutar?

se tudo esvai num vaivém...



Dançam desejos secretos

na exata distribuição das letras

nos mais aromatizadas buquês



Na visão de dois mundos

indiscreto é o atravessar

quando as palavras chovem



Conscienciosamente nos poemas

doces ilusões passeiam

nos saguões das personagens...

sábado, 15 de setembro de 2007

ONTEM

Relutava em aceitar as dificuldades na própria casa

no presente se revirava no mundo da Lua com dona Insônia

mentalmente noite e dia perseguia fantasmas ruins

insistia em estar de “cara boa”, por isto “enchia a cara”

vivia e revivia pesadelos, velhas fantasias e medos

generalizando o Desgoverno paralisado, gritava

tudo não passava de uma guerra íntima: O Passado, Morreu.