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domingo, 21 de março de 2010

É PRECISO FESTEJAR

Somente em Lucas, o evangelho da misericórdia, encontramos a parábola
do pai bondoso e seus dois filhos. Foi contada por Jesus para
responder aos doutores da lei e fariseus, que se consideravam justos e
o criticavam por conviver com pecadores.
O pai da parábola representa o próprio Deus, cujo amor é
incondicional. Mas vale a pena nos colocar-mos no lugar de cada um dos
filhos, porque em cada um de nós há um pouco do irmão mais novo e
outro tanto do irmão mais velho.
O mais novo é aventureiro e gasta tudo numa vida sem princípios nem
responsabilidades. Acaba reduzido a nada e então inicia um processo de
conversão, ao tomar consciência de estar moralmente reduzido a menos
que os porcos. Daí vem a descoberta, ou a recordação, de que o Pai
sempre foi bondoso e sempre o será. O filho mais novo faz-nos lembrar
nossos erros e a conversão a que somos chamados a cada dia.
O filho mais velho, ao invés, é o "justo" da história. O justo que
obedece ao Pai esperando receber recompensa. Mas sua atitude mostra
que é preciso ir além da simples obediência. A justiça do Pai chega à
misericórdia, ao perdão, pois supõe a responsabilidade junto com o
amor misericordioso. E no amor fraterno não há lugar para a inveja,
tal como a do filho mais velho. Colocar-se no lugar deste é reconhecer
em nós a atitude de nos considerarmos justos e vermos somente erros
nos outros.
A parábola é convite a olhar os que erram com o olhar misericordioso
do Pai. Porque ninguém é justo o suficiente e ama o suficiente. E é
interessante notar que a história contada por Jesus fica aberta, como
que sem fim. O filho mais velho vai entrar para a festa do retorno do
irmão? Nós é que daremos um final, demonstrando ao Pai quão fraternos
somos: se nos alegramos e entramos para a festa com os irmãos que
pecaram e voltaram ou se preferimos assumir a atitude "bem comportada"
de quem simplesmente obedece, mas está fechado ao amor misericordioso
do Pai..

quarta-feira, 10 de março de 2010

ORAÇÃO QUE TRANSFIGURA

O Evangelho de Lucas - em vá¬rias passagens - apresenta Je¬sus
rezando, para mostrar que a mis¬são do Filho é uma resposta à vonta¬de
do Pai alimentada com a oração.
Enquanto os discípulos dormem pesado, Jesus reza e se mostra
trans¬figurado. Mas eles acordam a tem¬po de vê-lo com outro rosto e
com roupas que reluziam de tão brancas. Era uma antecipação do que
seria o Senhor Jesus ressuscitado, depois que ele fizesse sua passagem
pela morte de cruz. E é exatamente so¬bre esta passagem, o êxodo, que
Jesus conversa com Moisés e Elias, representantes da lei e dos profetas.
Rezar é conversar com Deus, apresentar-lhe humildemente nossa vida e
dar a Deus tempo e espaço para que ele nos fale. A oração que Jesus
nos ensina é a oração que transfigura. Não porque nos tira do mundo,
mas porque, em meio aos problemas da vida, nos permite en¬contrar em
Deus algo de sua própria glória. Transfigura porque, ao mes¬mo tempo
que nos projeta para uma realidade nova, nos encoraja a se¬guir a
mesma missão de Jesus e a continuar acreditando no poder das relações
fraternas.
Não tem sentido, portanto, a pro¬posta de Pedro de armar três ten¬das
e ficar na comodidade. Jesus ainda tinha uma missão a cumprir, e os
discípulos também. Rezar é como "recarregar as baterias", para voltar
fortalecidos ao compromisso do dia a dia. E como necessitamos dessa
força, encontrada na oração ...
Temos um Deus que mostra sua glória no Filho ressuscitado. Ou mostra
sua glória na vida humana vivida com dignidade, ética, respeito e
justiça. O mestre, transfigurado em oração, continua a alimentar-nos e
encorajar nossa missão. Continua a recordar-nos o valor fundamental da
oração. Uma vida orante que leva à ação depende somente de nós. Mesmo
que por vezes durmamos, acordemos a tempo de experimentar a glória de
Deus em nossa própria vida.