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terça-feira, 29 de março de 2011

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava
mulheres em todo o Mundo.
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos.
No Brasil, na Arábia ou na Índia.
Na antiguidade ou nas metrópoles de hoje.
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento de seu valor e de seu papel.
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada
por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha.
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha.
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres.
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem:
carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos.
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência.
Ou você nunca notou?
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade.
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites.
Quer prova disso?
Observe as mães e esposas de atletas e artistas.
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas?
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto?
Quem sempre acredita?
E os filhos deficientes?
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora.
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos,
é quem apóia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos.
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante.
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas.
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços.
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais.
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro.
E fica invisível.
Passa a fazer parte da paisagem.
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta.
Mas quem disse que ela se abate?
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder,
capaz de fazer nascer borboletas.
Capaz de fazer brilhar o sol.
* * *
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da Civilização e o mordomo dos patrimônios materiais,
na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher
o anjo da esperança, ternura e amor.
A missão feminina é espinhosa.
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ÀS VOLTAS COM ESPÍRITOS

Não é necessário que alguém acredite na existência de entidades espirituais, para que elas atuem das formas mais diversas na vida das pessoas.
Não se faz indispensável que alguém seja espiritualista, a fim de estar às voltas com as ações de espíritos desencarnados nos caminhos humanos.
É importante lembrar que a humanidade terrena é composta por todos os espíritos que o criador a ela destinou, em razão da lei de afinidades, e os colocou sob a coordenação de Jesus, O Cristo.
Daí, não será difícil compreender que num mundo com tantas potencialidades, com tantos recursos a serem explorados, como é a terra, a grande massa dos espíritos a ele vinculados se acha desencarnada.
Há mais espíritos no plano espiritual do que reencarnados. Isto explica porque o número dos mortais cresceu tanto, através dos séculos.
Vivendo essa realidade de um mundo considerado em dois níveis gerais, o nível dos que estão no corpo físico e o dos que se encontram fora dele, não é surpreendente a constatação de que ocorram influências recíprocas de um nível sobre o outro.
Imensa é a leva de desencarnados que procura contatar os encarnados, seja para ajudar, em qualquer coisa, seja para participar de qualquer tarefa, ou seja para perturbar, de qualquer forma.
Enorme é a massa de encarnados que deseja contatar os desencarnados, seja para pedir uma ajuda banal, seja para vingar-se de desafetos ou seja para rogar um socorro direto em casos complexos.
Há entidades espirituais que gostam somente de fazer o bem, de ajudar para o bem, de participar de qualquer esforço pelo bem.
No entanto, há outras inteiramente voltadas para o contrário, dando vazão as suas inclinações inferiores, ainda não devidamente transformadas.
Uma vez que você sabe disso, observe o tipo de sintonias, de contatos mentais que faz e que deseja fazer com os espíritos.
Analise os conteúdos dos seus pedidos dirigidos ao além e o teor das suas expectativas diante da vida, mantendo a certeza de que quaisquer que sejam suas buscas, alguma entidade espiritual a elas se associará.
As suas decisões quanto ao seu estilo de vida, as suas relações de afeto ou desafeto, ao rumo que dê as suas realizações na faixa da honestidade ou da desonestidade, funcionarão como tomadas ideais para a sua ligação com nobres mensageiros da luz ou com desafortunados agentes da sombra.
Busque a Jesus e una-se a Ele em tudo o que faça.

Viva com alegria interior, aprenda a enfrentar e superar problemas sem ódios, sem guardar mágoas de ninguém.
Solte-se.

Viva em clima de liberdade espiritual, por conservar o coração e a mente livres de vínculos com espíritos perturbadores.
Busque Jesus e tudo o que se refira ao bem, e esteja certo de usufruir a melhor assistência invisível, atraída por suas felizes predisposições morais.
Pense nisso!
Quando um familiar falece e volta ao mundo dos espíritos, não se torna melhor nem pior do que era quando no corpo físico.
Por essa razão, não o perturbe com pedidos que ele não pode ou não deve atender.
Confie sempre em Deus, Pai de todos nós, e a ele dirija a sua prece ou o seu pedido.
Mas lembre-se de levar em conta que o Pai conhece nossas necessidades e sempre nos dá o que precisamos, que nem sempre é o que queremos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Aquisição da consciência

Allan Kardec, o grande responsável pela codificação do Espiritismo, perguntou aos Sábios do espaço onde estão escritas as leis de Deus.
E eles responderam: na consciência.
Dessa forma, todos os seres humanos trazem consigo, esculpidas na própria consciência, as leis divinas.
Todavia, embora estejam escritas, nem todos conseguem ler e interpretar essas leis e praticá-las. Para isso é necessário o desenvolvimento do senso moral.
Essa conquista é fruto do esforço pessoal, do estudo, da meditação, dos pensamentos nobres.
O despertar da consciência é efeito natural do processo evolutivo, e essa conquista permitirá ao ser avaliar fatores profundos como o bem e o mal, o certo e o errado, o dever e a irresponsabilidade, a honra e a desonra, o nobre e o vulgar, o lícito e o irregular, a liberdade e a libertinagem.
Essa consciência não é de natureza intelectual, atividade dos mecanismos cerebrais. É força que os impulsiona, porque nascida nas experiências evolutivas, a exteriorizar-se em forma de ações.
Encontramo-la em pessoas incultas intelectualmente, e ausente em outras, portadoras de conhecimentos acadêmicos.
Especialistas em problemas respiratórios, por exemplo, que conhecem os danos provocados pelo tabagismo, pelo alcoolismo e por outras drogas, e que, apesar disso, usam, eles próprios, qualquer um desses flagelos, demonstram que ainda não desenvolveram a consciência plena.
Os seus dados culturais são frágeis de tal forma, que não dispõem de valor para manter uma conduta saudável.
Por outro lado, há indivíduos que não têm conhecimento intelectual mas possuem lucidez para agir diante dos desafios da existência, elegendo um comportamento não agressivo e digno, mesmo que a custa de sacrifícios.
A consciência pode ser treinada mediante o exercício dos valores morais elevados, que objetivam o bem do próximo e, por conseqüência, o próprio bem.
Caso deseje iluminar sua consciência, eis algumas breves regras que vão ajudar você a alcançar esse propósito:
Administre os seus conflitos. O conflito psicológico é inerente à natureza humana e todos o sofrem.
Evite eleger homens-modelo para seguir. Eles também são falíveis e, às vezes, se comprometem, o que, de maneira alguma deve constituir desestímulo.
Permita-se maior dose de confiança nos seus valores, esforçando-se para melhorar sempre e sem desânimo. Se errar, repita a ação, se acertar, siga adiante.
Não fuja ao enfrentamento de problemas usando desculpas falsas, comprometedoras, que o surpreenderão mais tarde com dependências infelizes.
Reaja à depressão, trabalhando sem auto-piedade nem acomodação preguiçosa.
Tenha em mente que os seus não são os piores problemas. Eles pesam o volume que você lhes dá.
Liberte-se da queixa pessimista e medite mais nas fórmulas para perseverar e produzir.
Nunca ceda espaço à hora vazia, que se preenche de tédio, mal-estar ou perturbação.
Lembre-se que você é humano e o processo de conscientização é lento. Você adquirirá segurança e lucidez através da ação contínua e firme.
Pense nisso!
A existência terrena é toda uma oportunidade para enriquecimento contínuo.
Cada instante é ensejo de nova ação propiciadora de crescimento, de conhecimento, de conquista.
Saber utilizá-la é desafio para a criatura que aspira por novas realizações.


Pense nisso, mas pense agora!

sábado, 27 de novembro de 2010

Vítimas de nós mesmos

Quantas pessoas do nosso convívio conseguem nos tirar do sério?

Quantas pessoas que conhecemos, conseguem nos fazer perder a paciência?
Frequentemente usamos dessas expressões para justificar nossa descompostura ou desequilíbrio, ao culpar fulano ou beltrano.
Agora nos resta perguntar por que alguém consegue fazer-nos perder a paciência, ou por que alguém é capaz de provocar uma mudança em nossa atitude.
E esses nossos descontroles cotidianos acontecem em qualquer ambiente.

Algumas vezes na família, outras tantas no trabalho. Ou, ainda, nas corriqueiras relações sociais.
E sempre estamos a justificar que a culpa é de alguém. Sempre estamos prontos a explicar que se não fosse essa ou aquela pessoa agir desta ou daquela forma, nada disso aconteceria.
Colocamos a culpa do descontrole em alguém, em algo e, ao nos tornarmos vítimas da situação, nada nos resta a fazer, pois afinal, o problema está nos outros e não em nós.
Mas, será que somos apenas reféns das situações, e realmente nada podemos fazer a não ser reagir a elas?
Lembremo-nos da última contenda, da última discussão na qual nos envolvemos.

Nada poderíamos ter feito para evitá-la?

Nada estava ao nosso alcance para que a situação fosse minimizada?
Recordemo-nos do nosso último desentendimento familiar.

Será que a maneira como agimos e nos comportamos realmente era a única possível?
Ao fazermos essa breve análise, claro fica que poderíamos ter tido outras atitudes.
Poderíamos nos calar em algum momento, ao invés de soltar a palavra ácida e corrosiva.

Poderíamos buscar o entendimento ao invés da provocação. Poderíamos suavizar o tom de voz ao invés dos arroubos no falar.
Porém, se optamos por agir de outras maneiras, não foi culpa de ninguém, nem de situação nenhuma. Foi apenas uma opção pessoal.
Poderíamos ter pensado antes de falar, refletido antes de agir, mas preferimos a reação à ação.

Enquanto a reação é irrefletida e calca-se nos instintos, a ação é atitude pensada e amadurecida na reflexão.
Desta forma, ao dizer que perdemos a paciência, ao constatar que saímos do sério, somos responsáveis por essas atitudes.

E, apenas vítimas de nós mesmos.
Jamais poderemos justificar que alguém nos faz perder a paciência.

Ao contrário, somos nós que não temos a paciência suficiente para a situação que se apresenta.
Ou ainda, de maneira nenhuma poderemos acreditar que algo ou alguém nos faz sair do sério, nos faz perder a compostura.
A atitude tomada é sempre uma opção de cada um que, perante tal ou qual situação, não consegue ou não quer comportar-se de maneira mais digna ou melhor.
Assim, não mais nos permitamos ser vítima de nossas próprias atitudes ou reações.
Reflitamos antes do agir, pensemos mais detidamente antes de falar e, acima de tudo, compreendamos que todas as nossas relações sociais, por mais difíceis que nos pareçam, são lições abençoadas no aprendizado do amor ao próximo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Poema para Deus

Um dia, a alma desperta e se encanta com a manhã que se

espreguiça no horizonte.

Sente-se como que a pairar acima e além da

escala humana.

Então, se recorda ser filha de um Pai amoroso e bom.

Recorda de um Criador que a tudo para todos provê.

E plena de gratidão, extravasa em versos sua alma:

Deus, Inteligência das inteligências, Causa das causas,

Lei das leis, Princípio dos princípios, Razão das razões,

Consciência das consciências.

Bem tinha razão Isaac Newton ao descobrir-se, toda vez

que pronunciava Vosso nome.

Deus, Pai bondoso, eu Vos encontro na natureza,

Vossa filha e nossa mãe.

Eu Vos reconheço, Senhor, na poesia da criação, no vento

que dedilha harmonias na cabeleira das árvores.

Nas cores que se apresentam tão diversificadas em

matizes e gradações.

Nas águas que rolam, silentes, em córregos minúsculos,

nas cachoeiras que se lançam, ruidosas, de alturas

consideráveis, no verdor da grama que atapeta

o jardim e as praças.

Reconheço-Vos, Pai, na flor dos jardins e pomares,

na relva dos vales, no matiz dos campos, na

brisa dos prados.

Senhor, eu Vos encontro no perfume das campinas,

no murmúrio das fontes, no rumorejo das menores

ramificações das copas das árvores.

Também Vos descubro na música dos bosques, na placidez

dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos

oceanos, na majestade do firmamento.

Eu Vos vejo, Senhor, na criança que sorri, brinca,

pula e distribui alegrias, provocando risos.

Eu Vos reconheço, Pai, no ancião que anda

lento, que tropeça.

Mas, sobretudo, na inteligência que ele revela, resultado

de suas experiências bem vividas.

Eu Vos descubro no mendigo que implora, na mão

que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui,

no Apóstolo que evangeliza.

Deus!

Reconheço-Vos no amor da esposa, no afeto do

filho, na estima da irmã, na misericórdia indulgente.

E Vos encontro, Senhor, na fé do que a tem, na esperança

dos povos, na caridade dos bons, na inteireza

dos íntegros.

Reconheço-Vos, Senhor, na inspiração do poeta, na

eloquência do orador, na criatividade do artista.

Também Vos encontro na sabedoria do filósofo, na

intelectualidade do estudioso, nos fogos do gênio!

E estais ainda nas auroras polares, no argênteo da

lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no

fulgor das constelações.

Deus! Reconheço-Vos na formação das nebulosas, na

origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das

humanidades, na maravilha, no esplendor,

no sublime do Infinito!

Por fim, entendo, com Jesus, quando ora:

Pai nosso, que estais nos céus...

Ou com os anjos quando cantam:

Glória a Deus nas alturas...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

LIVRE DECISÃO

Todos somos construtores dos nossos destinos.

A cada minuto da vida, fazemos opções importantes e decisivas para a nossa economia moral.

Sempre temos diante de nós duas ou mais opções que deveremos eleger, de conformidade com a nossa livre vontade.

Se estamos no trnsito, por exemplo, e alguém nos corta a frente, temos que decidir rapidamente entre duas opções: xingar ou ficar quieto.

Se nos aproximamos de um cruzamento, cujo sinal está fechado para nós, podemos optar entre parar o veículo ou avançar com o sinal vermelho.

Na convivência diária, quando alguém nos fala mal de outro alguém, podemos optar entre sermos o ponto final da maledicência, ou levar a fofoca adiante.

Se uma pessoa nos pede uma informação qualquer, podemos dar ou não a informação. Ou ainda, dar a informação correta ou incorreta, conforme nossa livre vontade.

Se abraçamos alguém, podemos optar entre um abraço frio, desprovido de sentimento ou um abraço pleno de afeto verdadeiro.

Se ofertamos uma flor, poderemos escolher entre uma flor sem perfume e outra perfumada.

Nas conversações diárias, temos sempre a possibilidade de falar com otimismo ou usar as palavras para espalhar o pessimismo e a insegurança.

Diante da dificuldade que se apresenta, podemos assinar, de pronto, um atestado de derrota ou acreditar que seremos capazes de vencer o obstáculo.

Como podemos perceber, em todas as situações nós é que decidimos, de livre vontade, entre as opções possíveis, cabendo-nos depois, o resultado da própria decisão.

Se no trânsito optamos pelo xingamento, teremos consequências diversas das que teríamos se nos calássemos.

O motorista que fechou o nosso veículo pode não nos ter visto, ou ter errado no cálculo, e, nesse caso, assumirá o equívoco e não revidará.

Mas se estiver procurando encrenca, como se costuma dizer, responderá com violência e o desfecho poderá ser totalmente desagradável.

Se escolhemos avançar com o sinal vermelho poderemos nos chocar com outro veículo e colher as consequências correspondentes.

Se diante da possibilidade de disseminar a fofoca e a intriga, optamos por nos calar, certamente evitaremos muitos dissabores. E isso depende exclusivamente da nossa livre decisão.

Vale a pena que meditemos em torno dessas questões que nos dizem respeito. A situação poderá se agravar ou se resolver, sempre de conformidade com as nossas tomadas de decisão.

* * *

Os minutos se apresentam para todos nós como bendita oportunidade de crescimento para Deus.

Dessa forma, cabe-nos optar entre ser um sorriso que ampara ou um soluço que desanima;

um raio de luz ou uma nuvem de preocupações;

um ramo de flores ou um galho de espinhos;

um amigo que compreende e perdoa ou um inquisidor que condena e destrói;

um auxiliar devotado ou um espectador inoperante;

um bálsamo que restaura ou um cáustico que envenena;

uma chave de solução nos obstáculos ou um elemento que os agrava;

um esteio da paz ou um veículo da discórdia;

uma bênção ou um problema.

Enfim, estaremos constantemente tomando decisões importantes, sempre de acordo com a nossa livre vontade.

Pensemos nisso!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MORTE INEXISTENTE

Afirmam que a morte não existe. Que não se trata senão de uma passagem de um estágio para outro.

Será que para um coração de mãe que vê seu filho demandar a aduana do túmulo, tais afirmativas valem como consolo?

Para um pai que acompanha, em lágrimas, o esquife que abriga o corpo do filho morto, isto será suficiente?

Como aplacar a saudade sem limites e a dor superlativa? Haverá algo que possa amenizar o sofrimento da ausência?

Aconteceu na vida de uma mãe que viu partir a sua pequena de sete anos.

Tudo transcorreu como muito rápido. À tarde, ela brincava no parque, travessa e afoita como sempre.

Ao entardecer, voltou ao lar mais cedo do que o habitual, queixando-se de dores de cabeça. Parecia um pouco febril.

Tudo foi levado à conta de um resfriado leve. A medicação suave se fez no próprio lar. A criança se recolheu ao leito.

A febre e a dor aumentaram de intensidade nas horas que se seguiram.

No dia seguinte, resolveu-se levar a criança ao médico. Internamento às pressas, exames, diagnóstico terrível.

Em poucas horas o quadro agravou-se.

Depois, foi a longa espera do lado de fora do centro de terapia intensiva, para as visitas com hora certa e rápidas.

Finalmente, a morte. O corpo gélido. A dor da separação. Os lábios que sorriam, cantavam, emudeceram. As mãos que faziam carícias enrijeceram. O corpo que realizava acrobacias nas árvores, no parque de diversões tornou-se imóvel.

Os dias que se seguiram foram de silêncio.

O tilintar do telefone, a conversa das pessoas, incomodavam.

Se sua filha morrera, tudo deveria vestir-se de luto, como seu coração de mãe.

O jardim em primavera de cores parecia ofendê-la porque seus olhos somente viam a escuridão, desde que o raio de sol de sua vida fora arrebatado.

Certa noite, sonhou. Viu sua pequena filha vestida de azul, cor que lhe caía tão bem e realçava sua pele, seus cabelos, seu sorriso.

A pequena sorria, estendendo os braços: "mãe, por que tanta amargura e revolta?"

A voz era doce e terna, falando-lhe enquanto a acariciava com suas mãozinhas mimosas.

- Findou meu tempo na terra, mãezinha.

Foi tão bom. Mas era somente o tempo que me faltava para completar. Deus permitiu-me a volta ao mundo espiritual, desde que cumpri o que estava estabelecido.

- Por que chora, mãezinha, a liberdade de sua filha? Não vê como estou bem e feliz? Estou com você e desejo vê-la sorrir novamente.

- Permita-se o retorno à alegria.

Dedique-se a crianças sem lar, doe meus brinquedos, faça outros pequenos felizes em meu nome. E Deus, que tudo vê, nos abençoará a ambas."

Quando despertou, na manhã seguinte, a jovem mãe trazia a nítida lembrança das carícias e dos afagos da filha.

Ergueu-se, abriu a janela, aspirou o ar perfumado da manhã de luz, observou as tintas da madrugada que se despedia, sorriu e decidiu-se por voltar a viver com alegria e esperança.

Você sabia?

Você sabia que a morte pode ser comparada a uma breve despedida?

Os que nos deixam na terra, verdadeiramente não nos abandonam, já que para os verdadeiros amores jamais se apaga a chama do afeto.

Dessa forma, não existem adeuses, mas sim um "até breve", pois logo mais tornaremos a nos ver, a nos reencontrar, no mundo dos espíritos ou no mundo corporal.

Nossos amores, se não estão conosco, ao nosso lado, permanecem em algum lugar, porque jamais se perde a ponte entre o céu e o coração.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Na barca do coração

Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...
Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis -, levarem-te a dizer: - Que dia!
Lembra-te...
Caía a tarde e a multidão ainda estava reunida na praia.
Desde que o sol surgira, Jesus atendera as incontáveis súplicas daqueles que O buscavam. Mãos e lágrimas roçavam-Lhe o rosto e a túnica - antes tão limpa e alva - e agora, toda manchada de lamentos.
Finalmente, chegara às margens do lago, vencendo a dor e as tristezas dos sofredores. Aqueles que O viram deixando atrás de Si um rastro confortador de estrelas, perguntavam-se: - Quem será este Homem, a Quem as dores obedecem?
O céu acendia as cores da noite quando a barca de Pedro recolheu a preciosa carga.
Jamais Jesus mostrara na face sinais tão evidentes de cansaço.
Acomodado sobre uma almofada de couro, Sua majestosa cabeça pendeu sobre o peito, como um girassol real despedindo-se ao poente.
Seus lábios deixaram escapar um longo suspiro antes de adormecer.
Seus amigos pescadores não ousaram perturbar-Lhe o merecido sono, manejando remos com cuidado, auxiliados pelos sussurros de doce brisa.
O lago de Genesaré assemelhava-se a gigantesco espelho de prata ao luar, tranqüilo e sereno como o Mestre adormecido.
Faltava pouco para completar a travessia, quando tudo transformou-se.
O tempo irou-se, sem aviso. Adensadas, as nuvens de gaze leve tornaram-se tenebrosa tempestade, e o lago esqueceu a calmaria, encrespando-se, açoitado pelo vento.
Para a barca, vencer a tormenta era como lutar contra vigoroso e invencível Titã. Pedro usou toda a sua força e sabedoria nos remos, gritando ordens que se perdiam entre as gargalhadas dos trovões e dos relâmpagos.
Os discípulos assustados correram a acordar Jesus que ainda dormia.
Mestre! - exclamaram em coro desesperado - Perecemos! Jesus, assim desperto, levantou-Se prontamente, equilibrando o corpo cansado muito ereto, apesar da barca que por pouco não naufragava.
Sua majestosa silhueta parecia estar envolta em misteriosa luz, quando ergueu os braços, ordenando à tempestade:
Calai-vos! E voltando-se para os amigos: - Acalmai-vos! Homens, onde está a vossa fé?
Os ventos emudeceram e o lago baixou suas ondas, aplacado por misterioso imperativo.
Os discípulos olhavam-se, num misto de surpresa e alívio.
Envergonhados, voltaram-se para os remos. No compasso ritmado avançava a barca, ao compasso do coração daqueles homens que se perguntavam: Quem será este Homem, a Quem os ventos obedecem?
* * *
Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças, e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...
Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis - levarem-te a dizer: - Que dia!
Lembra-te... Acorda a mensagem do Cristo adormecida em ti e... Acalma-te!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Deus dos homens

O que significa Deus para você?
A idéia que os povos fazem da divindade varia de acordo com o seu desenvolvimento intelectual.
Nos primeiros tempos da humanidade terrestre, os homens acreditavam em tantos Deuses quantos eram os fenômenos da natureza.
Havia o Deus dos trovões, das guerras, dos mares, do amor e assim por diante.
Naquele estágio evolutivo, havia também a necessidade de materializar Deus, para que pudesse ser apreciado pelos sentidos humanos.
Por essa razão surgiu a idéia de um Deus humanizado, um Deus semelhante ao homem.
E por ser um Deus fisicamente idêntico aos homens, deveria também ser portador de todos os vícios e paixões humanas.
Daí a idéia de um Deus ciumento, parcial na sua justiça, raivoso, tendencioso e interesseiro, como boa parte dos homens.
Foi por causa desse conceito de Deus que surgiram as idéias de barganha com a divindade, das trocas de favores, do mercado com as coisas sagradas.
Todavia, quanto mais o homem conhece sobre o universo e suas leis, mais próximo chega do conhecimento dos atributos de Deus.
Percebe, por razões óbvias, que Deus não pode ser material, porque se fosse estaria sujeito às leis da matéria, e por isso deduz que Deus é um ser imaterial.
E porque as leis naturais não mudam nunca, conclui que aquele que as criou deve ser também imutável.
Percebe que Deus deve ser onipresente e onisciente, pois tudo sabe e a tudo preside.
Deduz, ainda, que a divindade só pode ser a suprema justiça, pois o sol brilha para ricos e pobres, a morte chega tanto para os justos como para os injustos, não escolhe idade nem nacionalidade.
Conclui que Deus é a essência do amor, pois suas leis são extremamente misericordiosas, já que estabelece como meta final para todos os seus filhos a felicidade suprema, e dá a cada um o livre-arbítrio e todas as oportunidades de aprendizado que se fizerem necessárias, através das várias existências.
Talvez tenha sido por essa razão que Voltaire, escritor francês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, quando alguém lhe perguntou se ele acreditava em Deus, respondeu:
"Eu não acredito no deus que os homens fizeram, mas gosto do Deus que fez os homens".
E esse Deus que fez os homens depositou em cada coração uma centelha do fogo sagrado que se chama amor.
E esse Deus, que é a inteligência suprema do universo, tem um plano de felicidade para cada um dos seus filhos.
E como Pai amoroso e bom, não faz as tarefas que competem aos seus filhos, mas lhes dá os recursos para que alcem o vôo definitivo da liberdade:
a razão e o sentimento.
Eis as duas asas de que necessitamos para conquistar a felicidade ideal, que tanto almejamos.
Você sabia?
Você sabia que viver religiosamente não quer dizer professar esta ou aquela religião?
Para viver religiosamente basta viver de acordo com as leis divinas em todas as áreas de relação: perante si mesmo, perante a família, perante a sociedade.
Quando Jesus recomenda o amor a Deus e o amor ao próximo como a si mesmo, dá a chave do progresso individual e também do coletivo, para todos aqueles que desejam encontrar a felicidade perene.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Esopo e a língua

Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? Perguntou o amo surpreso.

Tens certeza do que está falando?

Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.
- A língua é, realmente, a maior das virtudes.

Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir.
- Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.
- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo.

Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua.

Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha?
- Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios.
- Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais.

Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido.
- Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social.
- Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.
***
Clareia e adoça tua palavra, para que o teu verbo não acuse nem fira, ainda mesmo na hora da consagração da verdade.
Fala pouco.

Pensa muito.
Sobretudo, faze o bem.

A palavra sem ação, não esclarece a ninguém.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Esopo e a língua

Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? Perguntou o amo surpreso.

Tens certeza do que está falando?

Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.
- A língua é, realmente, a maior das virtudes.

Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir.
- Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.
- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo.

Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua.

Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha?
- Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios.
- Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais.

Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido.
- Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social.
- Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.
***
Clareia e adoça tua palavra, para que o teu verbo não acuse nem fira, ainda mesmo na hora da consagração da verdade.
Fala pouco.

Pensa muito.
Sobretudo, faze o bem.

A palavra sem ação, não esclarece a ninguém.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A última bem-aventurança

É muito conhecida a passagem bíblica nominada de Sermão da montanha.
Nela, Jesus anuncia as bem-aventuranças.
Ele enaltece a conduta dos mansos, dos humildes e dos sedentos de justiça, dentre outros, afirmando que são bem-aventurados.
Entretanto, o Cristo anunciou mais uma bem-aventurança, que costuma passar despercebida.
Após Sua ressurreição, Ele apareceu a várias pessoas, mas o discípulo Tomé não estava entre elas.
Ao saber do evento, Tomé afirmou que somente acreditaria se visse os sinais do martírio em Jesus e neles pudesse colocar a mão.
A oportunidade não se fez tardar e o Mestre logo lhe apareceu.
Após Se mostrar, Jesus sentenciou:
Porque me viste, Tomé, creste.

Bem-aventurados os que não viram e creram.
É interessante observar que se tratava do momento em que os testemunhos dos Apóstolos principiariam.
Estava finda a época do aprendizado direto junto ao Messias Divino.
Ocorre que na luta pela implantação de um ideal nem sempre tudo corre à maravilha.
Costuma haver resistências e vários incomodados se fazem adversários da obra.
Para perseverar, nos momentos de dificuldade, é preciso ter fé.
Sem uma crença firme de que o bem vencerá torna-se fácil desistir no meio do caminho.
É necessário crer na efetivação do ideal antes de vê-lo concluído.
Feliz de quem possui a força íntima necessária para lutar sem esmorecer.
De quem acredita no bem, mesmo quando o mal aparentemente vence.
Quem precisa ver para crer hesita e desfalece com frequência.
Porque a corrupção parece crescer, duvida da vitória final da honestidade.
Porque são muitos os cruéis, acha que a compaixão talvez nunca vença.
Se o bem demora a se instalar, acredita que não compensa lutar por ele.
Bem se vê o quanto a fé é necessária em um projeto de longo prazo.
Sem essa certeza das coisas esperadas, a força esmorece e a luta é abandonada.
Nesses tempos turbulentos, convém refletir a respeito da firmeza da própria fé.
Acreditar firmemente na vitória do bem ajuda a jamais corromper a própria essência.
Sem essa convicção, pode-se ficar tentado a levar vantagem e a dar um jeitinho, em prejuízo da própria dignidade.
Ocorre que a dignidade e a fidelidade aos próprios valores são extremamente preciosas.
Elas propiciam paz de consciência e tornam possível andar de cabeça erguida em qualquer ambiente.
Bem-aventurado quem crê antes de ver e por isso tem a força de viver e construir o bem.


Pense nisso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ÀS VOLTAS COM ESPÍRITOS

Não é necessário que alguém acredite na existência de entidades espirituais, para que elas atuem das formas mais diversas na vida das pessoas.
Não se faz indispensável que alguém seja espiritualista, a fim de estar às voltas com as ações de espíritos desencarnados nos caminhos humanos.
É importante lembrar que a humanidade terrena é composta por todos os espíritos que o criador a ela destinou, em razão da lei de afinidades, e os colocou sob a coordenação de Jesus, O Cristo.
Daí, não será difícil compreender que num mundo com tantas potencialidades, com tantos recursos a serem explorados, como é a terra, a grande massa dos espíritos a ele vinculados se acha desencarnada.
Há mais espíritos no plano espiritual do que reencarnados. Isto explica porque o número dos mortais cresceu tanto, através dos séculos.
Vivendo essa realidade de um mundo considerado em dois níveis gerais, o nível dos que estão no corpo físico e o dos que se encontram fora dele, não é surpreendente a constatação de que ocorram influências recíprocas de um nível sobre o outro.
Imensa é a leva de desencarnados que procura contatar os encarnados, seja para ajudar, em qualquer coisa, seja para participar de qualquer tarefa, ou seja para perturbar, de qualquer forma.
Enorme é a massa de encarnados que deseja contatar os desencarnados, seja para pedir uma ajuda banal, seja para vingar-se de desafetos ou seja para rogar um socorro direto em casos complexos.
Há entidades espirituais que gostam somente de fazer o bem, de ajudar para o bem, de participar de qualquer esforço pelo bem.
No entanto, há outras inteiramente voltadas para o contrário, dando vazão as suas inclinações inferiores, ainda não devidamente transformadas.
Uma vez que você sabe disso, observe o tipo de sintonias, de contatos mentais que faz e que deseja fazer com os espíritos.
Analise os conteúdos dos seus pedidos dirigidos ao além e o teor das suas expectativas diante da vida, mantendo a certeza de que quaisquer que sejam suas buscas, alguma entidade espiritual a elas se associará.
As suas decisões quanto ao seu estilo de vida, as suas relações de afeto ou desafeto, ao rumo que dê as suas realizações na faixa da honestidade ou da desonestidade, funcionarão como tomadas ideais para a sua ligação com nobres mensageiros da luz ou com desafortunados agentes da sombra.
Busque a Jesus e una-se a Ele em tudo o que faça.

Viva com alegria interior, aprenda a enfrentar e superar problemas sem ódios, sem guardar mágoas de ninguém.
Solte-se.

Viva em clima de liberdade espiritual, por conservar o coração e a mente livres de vínculos com espíritos perturbadores.
Busque Jesus e tudo o que se refira ao bem, e esteja certo de usufruir a melhor assistência invisível, atraída por suas felizes predisposições morais.
Pense nisso!
Quando um familiar falece e volta ao mundo dos espíritos, não se torna melhor nem pior do que era quando no corpo físico.
Por essa razão, não o perturbe com pedidos que ele não pode ou não deve atender.
Confie sempre em Deus, Pai de todos nós, e a ele dirija a sua prece ou o seu pedido.
Mas lembre-se de levar em conta que o Pai conhece nossas necessidades e sempre nos dá o que precisamos, que nem sempre é o que queremos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Gentilezas diárias

A vida é repleta de pequenas gentilezas, tão sutis quanto marcantes no
nosso cotidiano. O jardim florido oferece um colorido para a paisagem,
o sol empresta suas cores para o céu antes de se pôr, a borboleta
ensina suavidade e leveza para quem acompanha seu vôo. A gentileza tem
essa característica: sutil, mas marcante, silenciosa e ao mesmo tempo
eloquente, discreta e contundente.

O portador da gentileza o faz pelo prazer de colorir a vida do próximo
com suavidade, para perfumar o caminho alheio com brisa suave que
refresca a alma. A gentileza tem o poder de roubar sorrisos, quebrar
cenhos carregados ou aliviar o peso de ombros cansados pelas fainas
diárias. E ela se faz silenciosa, algumas vezes tímida, inesperada na
maioria das vezes, surpreendendo quem a recebe.

A gentileza não se pede muito menos se exige... É presente de almas
nobres, presenteando outras almas, pelo simples prazer de fazer o dia
do outro um pouco mais leve. Você já experimentou o prazer de ser
gentil? Experimente oferecer o seu bom
dia a quem encontrar no ponto de ônibus, no elevador ou no caixa do
supermercado.

Mas não o faça com as palavras saindo da boca quase que por obrigação.
Deseje de sua alma, com olhos iluminados e o sorriso de quem deseja
realmente um dia bom, para quem compartilha alguns minutos de sua
vida. A gentileza é capaz de retribuir com nobreza quando alguém fura
a fila no supermercado ou no banco, com a sabedoria de que alguns
breves minutos não farão diferença na sua vida.

Esquecemos que alguns segundos no trânsito, oferecendo a passagem para
outro carro, ou permitindo ao pedestre terminar de atravessar a rua
não nos fará diferença, mas facilitará muito a vida do outro. E
algumas vezes, dentro do lar, a convivência nos faz esquecer que ser
gentil tempera as relações e adoça o caminhar. E nada disso somos
obrigados a fazer, mas quando fazemos, toda a diferença se faz sentir...

A gentileza se faz presente quando conseguimos esquecer-se de nós
mesmos por um instante para lembrar-se do próximo. Quando abrimos mão
de nós em favor do outro, por um pequeno momento, a gentileza encontra
oportunidade de agir.
Ninguém focado em si mesmo, mergulhado no seu egoísmo, encontra
oportunidade de ser gentil. Porque, para ser gentil, é fundamental
olhar para o próximo, se colocar no lugar do próximo, e se
sensibilizar com a possibilidade de amenizar a vida do nosso próximo.

Se não é seu hábito, exercite a capacidade de olhar para o próximo com
o olhar da gentileza. Ofereça à vida esses pequenos presentes,
espalhando aqui e acolá a suavidade de ser gentil. E quando você menos
esperar, irá descobrir que semear flores ao caminhar, irá fazer você,
mais cedo ou mais tarde, caminhar por estradas floridas e perfumadas
pela gentileza que a própria vida irá lhe oferecer.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O raio de luz

Todas as noites antes de fazer os filhos adormecerem, um pai muito carinhoso conversava com eles, enquanto afagava-lhes os cabelos anelados.

Diariamente escolhia um assunto que encontrava no evangelho, ou em algum acontecimento do cotidiano.

Naquela noite sem luar, quando as nuvens encobriam as estrelas, ele arranjou uma forma diferente de chamar a atenção das crianças.

Colocou-as no sofá da sala e disse-lhes que não se assustassem com a escuridão, porque apagaria todas as luzes da casa, de propósito.

E assim o fez.

Deixou a casa às escuras e sentou-se no meio dos filhos que o aguardavam apreensivos.

Perguntou-lhes o que eles eram capazes de ver em meio àquele breu.

O menininho mais velho comentou que conseguia distinguir os contornos da cadeira que estava a sua frente, mas que não conseguia saber ao certo qual objeto produzia a sombra que se apresentava um pouco mais adiante.

O pai, aproveitando a oportunidade esclareceu: "nossos olhos acostumam-se com a ausência de luz e acabam conseguindo, com algum esforço, distinguir alguns objetos.

Porém, não é possível notar tudo quando a luz nos falta.

Alguns contornos podem enganar nossos sentidos.

Muitos detalhes passam despercebidos.

As cores deixam de ser perceptíveis.

A ausência de luz dificulta nosso caminhar, porque não conseguimos notar com segurança para aonde estamos indo."

Nesse momento, ele acendeu uma vela que trazia consigo.

As crianças exultaram diante da claridade que se fez na sala.

"Vejam!" - convidou o pai -"percebam como tudo parece diferente na presença da luz.

As sombras já não mais nos confundem.

Agora as formas assumem contornos mais exatos.

Como é mais fácil buscar um caminho, quando há luz a mostrar a direção correta."

Encantadas com a singela, porém, inesquecível descoberta, as crianças concordaram com o pai, enquanto o cobriam de carinhos antes de serem levados para a cama.

A maior glória da alma que deseja participar na obra de Deus será transformar-se em luz na estrada de alguém.

Registramos a luz sem nos adentrar em sua grandeza.

O raio de luz penetra a furna escura, levando a réstia de claridade que espanca as trevas.

Adentra o vale sombrio e estimula o florescer.

Atinge a gota d’água e reverte-a em um diamante multicolorido.

Visita o pântano e transforma-o em jardim, em pomar.

Viaja pelo ar, aquece vidas e alimenta-as.

Beija as corolas e desata perfumes inesquecíveis.

Aninha-se no cristal e ele reverbera, embelezando-se ainda mais.

***

Não nos deixemos adoecer pelo amolentamento.

Há tantas possibilidades de darmos utilidade e beleza à vida.

Com o exemplo da luz, o Criador convida-nos a fazer o mesmo.

Desfaçamos as sombras nos corações.

Drenemos os charcos das almas.

Projetemos alegrias fomentadoras de vida naqueles que se encontram combalidos pela tristeza e pelo desalento.

Sejamos também um raio de luz, espraiando brilho e calor, beleza e harmonia, em todos os momentos, iluminando, assim, também, nossos próprios caminhos.

ÀS VOLTAS COM ESPÍRITOS

Não é necessário que alguém acredite na existência de entidades espirituais, para que elas atuem das formas mais diversas na vida das pessoas.
Não se faz indispensável que alguém seja espiritualista, a fim de estar às voltas com as ações de espíritos desencarnados nos caminhos humanos.
É importante lembrar que a humanidade terrena é composta por todos os espíritos que o criador a ela destinou, em razão da lei de afinidades, e os colocou sob a coordenação de Jesus, O Cristo.
Daí, não será difícil compreender que num mundo com tantas potencialidades, com tantos recursos a serem explorados, como é a terra, a grande massa dos espíritos a ele vinculados se acha desencarnada.
Há mais espíritos no plano espiritual do que reencarnados. Isto explica porque o número dos mortais cresceu tanto, através dos séculos.
Vivendo essa realidade de um mundo considerado em dois níveis gerais, o nível dos que estão no corpo físico e o dos que se encontram fora dele, não é surpreendente a constatação de que ocorram influências recíprocas de um nível sobre o outro.
Imensa é a leva de desencarnados que procura contatar os encarnados, seja para ajudar, em qualquer coisa, seja para participar de qualquer tarefa, ou seja para perturbar, de qualquer forma.
Enorme é a massa de encarnados que deseja contatar os desencarnados, seja para pedir uma ajuda banal, seja para vingar-se de desafetos ou seja para rogar um socorro direto em casos complexos.
Há entidades espirituais que gostam somente de fazer o bem, de ajudar para o bem, de participar de qualquer esforço pelo bem.
No entanto, há outras inteiramente voltadas para o contrário, dando vazão as suas inclinações inferiores, ainda não devidamente transformadas.
Uma vez que você sabe disso, observe o tipo de sintonias, de contatos mentais que faz e que deseja fazer com os espíritos.
Analise os conteúdos dos seus pedidos dirigidos ao além e o teor das suas expectativas diante da vida, mantendo a certeza de que quaisquer que sejam suas buscas, alguma entidade espiritual a elas se associará.
As suas decisões quanto ao seu estilo de vida, as suas relações de afeto ou desafeto, ao rumo que dê as suas realizações na faixa da honestidade ou da desonestidade, funcionarão como tomadas ideais para a sua ligação com nobres mensageiros da luz ou com desafortunados agentes da sombra.
Busque a Jesus e una-se a Ele em tudo o que faça.

Viva com alegria interior, aprenda a enfrentar e superar problemas sem ódios, sem guardar mágoas de ninguém.
Solte-se.

Viva em clima de liberdade espiritual, por conservar o coração e a mente livres de vínculos com espíritos perturbadores.
Busque Jesus e tudo o que se refira ao bem, e esteja certo de usufruir a melhor assistência invisível, atraída por suas felizes predisposições morais.
Pense nisso!
Quando um familiar falece e volta ao mundo dos espíritos, não se torna melhor nem pior do que era quando no corpo físico.
Por essa razão, não o perturbe com pedidos que ele não pode ou não deve atender.
Confie sempre em Deus, Pai de todos nós, e a ele dirija a sua prece ou o seu pedido.
Mas lembre-se de levar em conta que o Pai conhece nossas necessidades e sempre nos dá o que precisamos, que nem sempre é o que queremos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A VONTADE

As causas da felicidade não se acham em lugares determinados do espaço.
Elas estão em nós, nas profundezas da alma.
O Reino dos Céus está dentro de vós, disse o Cristo.
Tal premissa é confirmada por várias outras doutrinas.
É na vida íntima, no desabrochar de nossas faculdades, de nossas virtudes, que está o manancial das felicidades futuras.
Olhemos atentamente para o fundo de nós mesmos.
Fechemos, por alguns instantes, nosso entendimento às coisas externas.
Depois de havermos habituado nossos sentidos ao silêncio, seremos capazes de ouvir vozes fortificantes e consoladoras.
As vozes de nossas próprias consciências.
Há poucos homens que sabem ouvir seus próprios pensamentos.
Raros são aqueles capazes de reconhecer e explorar os próprios potenciais.
Geralmente alguns de nós gastamos a vida em coisas banais, improdutivas.
Percorremos o caminho da existência sem nada saber a respeito de nós mesmos, de nossas riquezas íntimas.
E então nos perguntamos:

Como poderemos nos valer das nossas capacidades, orientando-as para um ideal elevado?
Pela vontade!
É através dela que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado.
Na maior parte dos homens os pensamentos flutuam sem cessar.
Sua mobilidade constante e sua variedade infinita oferecem pequeno acesso às influências superiores.
É preciso saber concentrar-se, colocando o pensamento em sintonia com o Pensamento Divino.
Só assim a alma humana poderá ser envolvida pelo Espírito Divino, tornando-a, dessa forma, apta para realizar nobres tarefas.
A vontade é a maior de todas as potências e seu poder é ilimitado.
Sua ação é comparável a de um ímã.
O homem, consciente de si mesmo e de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços que desenvolve em determinado sentido.
Sabe que, tudo o que de bem e bom desejar há, de mais cedo ou mais tarde, realizar-se, nesta ou em existências futuras, quando seu pensamento estiver de acordo com as Leis Divinas.
* * *
Como é belo e consolador poder dizer: Conheço a grandeza e a força que habitam em mim.
Elas hão de ser meu amparo e minha certeza, em todos os instantes de minha vida.
Com o auxílio de Deus e dos benfeitores espirituais, hei de elevar-me acima de todas as dificuldades.
Vencerei o mal que ainda há em mim.
Abrirei mão de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras deste mundo, para levantar vôo em direção a estágios mais felizes.
Vejo claramente o longo caminho a ser percorrido.
Nada, porém, poderá me impedir de prosseguir nessa estrada.
Tenho um guia seguro para me enobrecer e me elevar, que é a vontade.
Hei de conservar-me firme e inabalável, sempre em frente.
Com minha vontade conquistarei a plenitude da existência.
Farei de mim uma criatura melhor.
Para isso, basta que eu queira alcançar toda essa ventura com energia e com constância.
E diga, para mim mesmo, conclamando-me à elevação e à marcha, apressando-me, assim, para a conquista de meu próprio destino: a felicidade verdadeira.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PELA PAZ NA FAMÍLIA

Ela estava muito cansada. Todo dia era a mesma coisa. Ela se via puxada para dez direções diferentes: filhos, roupas para lavar, compras no supermercado, prazos para cumprir, amigos pedindo conselhos, cartas necessitando respostas, o telefone que não parava de tocar.

Ela se sentia abatida e exausta além da conta.

Ele estava irritado. O dia fora difícil, na lida com homens e mulheres cujas vidas estavam desmoronando.

Depois de uma hora preso no trânsito, ele encontrou os filhos querendo sua atenção, uma lista de pacientes para quem precisava telefonar e uma pilha de contas para pagar.

Nas primeiras horas da noite, ambos se esforçaram para não gritar, tentando controlar os nervos em frangalhos.

De repente, alguma coisa insignificante acelerou o processo de descontrole.

As vozes de ambos se elevaram diante da intensidade da discussão. Sem querer, eles estavam trocando palavras que não desejavam pronunciar. Assuntos que nem eram relevantes foram trazidos à baila. Mágoas passadas foram revividas. Mágoas guardadas e nunca perdoadas.

Uma simples discussão se transformou num debate acalorado. Quando estavam aos gritos, a porta do quarto foi entreaberta. Lentamente. Silenciosamente.

Uma mãozinha se esgueirou pela fresta e colocou alguma coisa na porta. Imediatamente, a mãozinha sumiu e a porta foi fechada.

Curiosa, ela se levantou para investigar. Preso na porta com fita adesiva havia um pequeno coração de papel pintado de vermelho, com os seguintes dizeres: eu amo a mamãe e o papai.

Anthony, o filho de oito anos, estava fazendo sua parte em prol da paz na família.

Lágrimas de vergonha molharam o rosto da jovem mãe. Marido e mulher se entreolharam, arrependidos por terem permitido que as suas emoções extrapolassem e prejudicassem seu lar.

De repente, nem lembravam mais sobre o que estavam discutindo, quando o pequeno Anthony colocou um coração de papel na porta do quarto.

Mas eles resolveram deixá-lo colado ali como um lembrete para os dias futuros.

* * *

As crianças têm a capacidade de apresentar soluções simples para problemas graves.

Enquanto os adultos pensam em falar, dizer, justificar muito para tentar um clima de paz, elas o fazem apenas com um gesto.

Talvez seja esta a razão porque o Mestre Galileu, ao se referir às crianças, ensinou que o reino dos céus é dos que a elas se assemelham.

Muito temos a aprender com elas, em termos de resolver dissensões, não guardar mágoas e semear paz.

Não se resolvem problemas em clima de guerra. Nem se chega a acordo quando todos gritam e ninguém escuta.

O ideal, quando o estresse toma conta de nós, é dar um tempo para nós mesmos.

Buscar um local tranqüilo, perguntar-se o porque de tanto cansaço, ansiedade, nervosismo.

Se a dificuldade é o excesso de trabalho, aprendamos a administrar as horas.

Se o problema é a saúde debilitada, dediquemo-nos a melhorar as disposições físicas.

Se o problema é o acúmulo de compromissos, paremos e reavaliemos nossos valores e nossos ideais. O que desejamos, afinal, para as nossas vidas?

E, se desejamos um clima de paz, a nossa prioridade deverá ser viver em plenitude, o que significa organizar nossos horários, nossas tarefas, nossos compromissos, deixando sempre um tempo longo para os exercícios da ternura, e do amor que necessita ser bem cuidado, todos os dias.

sábado, 8 de maio de 2010

SONHOS DE MÃE

Safiya Hussaini, 37 anos, mulher, negra, pobre, nigeriana.

Aquela é uma mulher sofrida. Mãe de 9 filhos, dos quais perdeu 5 para a malária, vive na casa do velho pai, na mais completa miséria.

Analfabeta e ignorando as leis que deveria obedecer, fôra condenada à morte por apedrejamento, no ano de 2001.

Qual foi o seu crime? A gravidez fora do casamento.

Safiya deu à luz uma menina chamada Adama.

A condenação era fato, e a pena estava prescrita: Safiya seria enterrada até à altura das axilas, e depois seria apedrejada até à morte.

No entanto, a lei estabelece que para a execução é preciso esperar que a criança seja desmamada.

Enquanto a mãe amamentava a criança, houve tempo para que pessoas de todo o mundo se mobilizassem para impedir a execução cruel.

Algum tempo depois, uma defesa bem elaborada por vários advogados, conseguiu que o supremo tribunal da Nigéria absolvesse aquela mulher-mãe.

Quatro anos depois, ao ser entrevistada por uma rede de televisão brasileira, Safiya falava, com certo pesar:

“Perder os filhos foi a coisa mais triste da minha vida, muito mais doloroso do que a ameaça de morte por apedrejamento.”

A nigeriana conta que o medo era seu companheiro inseparável, e que pensava principalmente na filha pequena, que ficaria sozinha se ela morresse apedrejada.

Como a sua história foi notícia no mundo inteiro, comoveu pessoas de bom coração que enviaram recursos para que Safiya pudesse construir uma casa para viver com os filhos.

A construção singela ficou pela metade porque os recursos acabaram, mas o sonho daquela mãe ainda está vivo.

O sonho é simples e não custa muito: ter uma casinha para viver tranqüilamente com seus filhos.

Adama, já com quatro anos, aconchegada ao colo da mãe diante das câmeras, nem suspeitava que havia sido a causa de tudo.

Safiya, uma mãe como tantas outras. O amor pelos filhos acima do próprio sofrimento e da ameaça de morte.

Ser mãe é uma condição que traz algo em comum em qualquer lugar do mundo, não importando a nacionalidade, a cor, a posição social. E esse algo mais é o amor pelos filhos.

Um coração de mãe é esse santuário seguro onde os filhos encontram refúgio, incondicionalmente.

Nem a penúria, nem a desgraça, nem o pavor da morte, podem extrair de um coração de mãe esse sentimento chamado amor.

Um coração de mãe é a mais sublime harpa viva, de onde se pode ouvir as mais belas canções de ninar...

Os mais belos poemas de ternura...

A mais encantadora melodia de amor e dedicação.

Um abraço de mãe é o mais tranqüilo aconchego que se pode almejar...

É o laço de afeto que afugenta o medo, desfaz a tristeza, traz segurança e atrai a esperança...

A abnegação de mãe é a força capaz de modificar o mundo, de reconstruir jardins devastados pela invernia, restaurar corações quebrados e fazer brilhar a luz onde a noite ameaça...

* * *

Na figura de Safiya, a mãe pobre da Nigéria, maltratada pelos açoites da dor, pelo preconceito, pela penúria extrema, desejamos fazer uma singela homenagem a todas as mães do mundo...

Mães de filhos ausentes...

De filhos delinqüentes...

Filhos encarcerados...

Mães de filhos ingratos...

De filhos desaparecidos...

Filhos meninos e filhos crescidos...

A todas as mães de filhos presentes...

De filhos inteligentes...

Filhos amorosos...

Mães de filhos dos filhos...

Mães de filhos honrados...

De filhos agradecidos...

Filhos desesperados...

Enfim, nossa homenagem sincera a todas as mães da face da terra, mães de todas as raças, de todas as cores, de todas as crenças, de todas as idades... Mães apenas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

MAS...

O amor de Deus está presente por toda parte. A natureza fala da sua grandeza em cada detalhe.

E o amor de Deus é a própria esperança se derramando sobre toda a criação.

Quando observamos as cinzas de um campo queimado, talvez pensemos que a vida ali se extinguiu para sempre.

Mas em pouco tempo as plantas brotam, mais verdes que nunca, mostrando que nada consegue deter a vida.

Quando vemos os escombros deixados pela fúria das tempestades, pode nos parecer que nada mais poderá existir em tão deprimente paisagem.

No entanto, em breve tempo as mãos hábeis e competentes dos homens deixam o local em condições de ser habitado novamente.

Quando olhamos vastas extensões de terras esturricadas pela estiagem, temos a impressão de que a vida bateu em retirada, para sempre.

Mas, para espanto de todos, a chuva cai de mansinho, penetrando o solo castigado, acordando as sementes que jaziam adormecidas e, em pouco tempo o que era deserto se converte em imenso jardim multicolorido.

É assim que Deus nos fala da esperança, a cada instante.

Foi observando esses pequenos detalhes da natureza, que um poeta escreveu o poema que reproduzimos a seguir:

E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha,... Mas brilha.

E achei que nenhum pássaro cantasse, se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta,... Mas canta.

Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o inseto pega ou o espinho oculto na macega,... Mas rega.

Pensei, também, que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja, no silêncio da noite sertaneja, sobre as ruínas de esquecida igreja,... Mas beija.

Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue deprava, quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava,... Mas lava.

Apostei que nenhuma borboleta - por ser um vivo exemplo de esperança - dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo de uma criança,... Mas dança.

E eu pensei que o sol não mais aquecesse os campos que a guerra empobrece, onde tomba do homem a própria espécie, e a sombra da dor enlouquece,... Mas aquece.

Por isso achei que eu não mais fizesse poema algum, após tanto embaraço, tanta decepção, tanto cansaço e tanta espera, em vão, por teu abraço,... Mas faço.

*********

O mesmo calor solar, que mantém no estado líquido a água dos rios e dos mares, conduz a seiva à fronde das árvores e faz pulsar o coração dos abutres e das pombas.

A luz que espalha o verde nos prados, e nutre as plantas com um sopro impalpável, também povoa a atmosfera de maravilhosas belezas aéreas.

O som que estremece a folhagem, canta na orla dos bosques, ruge nas plagas marinhas.

Em tudo vemos, enfim, uma correlação de forças físicas, que abrange num mesmo sistema a totalidade da vida sob a comunhão das mesmas leis. Que são as soberanas leis divinas.